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Domingo, Outubro 24, 2021

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Abrantes | Comissão administrativa vai gerir o CRIA, eleições foram suspensas

A Segurança Social deverá assumir até ao Natal a gestão do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes através da criação de uma comissão administrativa constituída por três membros: um representante da Segurança Social, um associado do CRIA e um técnico designado pela Câmara Municipal de Abrantes. A medida foi avançada esta quarta-feira, 28 de novembro, pelo presidente da direção, Nelson de Carvalho, em conferência de imprensa. As eleições previstas para 19 de dezembro foram, entretanto, suspensas.

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A pedido da direção do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA) a Segurança Social deverá assumir até ao Natal os destinos do CRIA através de uma comissão administrativa mista, avançou esta quarta-feira o presidente da direção, Nelson de Carvalho, entendendo como “melhor solução” recorrer a uma intervenção da tutela.

“Tendo em vista assegurar a estabilidade e o equilíbrio económico e financeiro da Instituição e a realização dos fins coletivos de interesse social, foi solicitado aos serviços competentes do Instituto da Segurança Social a oportunidade de adequada intervenção tradicionalmente designada de tutelar”, disse Nelson de Carvalho, acompanhado do tesoureiro do CRIA, Aníbal Melo.

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Ou seja, a pedido da direção do CRIA, o Instituto da Segurança Social “vai propor e trabalhar numa intervenção tutelar, criando uma comissão mista de administração que gerirá os destinos do CRIA”, por um tempo indeterminado.

“Vai criar as condições de estabilidade para a continuidade de medidas necessárias no sentido de reequilibrar a instituição do ponto de vista financeiro. Quando entender que a sua missão está concluída convocará eleições para novos órgãos sociais”, explicou o responsável.

Os órgãos sociais foram informados da decisão ao fim da tarde de terça-feira, no mesmo dia que a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, deu conta ao executivo camarário da possibilidade de ser criada uma comissão administrativa de gestão do CRIA.

“Falámos com a Mesa da Assembleia Geral no sentido de comunicar que o processo eleitoral fica suspenso até a comissão mista entender que estão criadas as condições para voltar a convocar eleições” para novos órgãos sociais, deu conta Nelson de Carvalho.

CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes

Já era pública a posição da atual direção de não se recandidatar a novo mandato. “Das eleições poderia resultar nenhuma lista ou pessoas que teriam de aprender a organização da Instituição o que demora tempo, criando um período de instabilidade que não seria bom” para o CRIA, defendeu.

No seu entender, “é necessário garantir um clima de estabilidade para continuar a fazer as reformas na Instituição”. Acrescentou que a intervenção do Instituto da Segurança Social “era oportuna, adequada e conveniente para o CRIA salvaguardar a sua capacidade de continuar a cumprir a sua missão” e, ao mesmo tempo, “procurar repor a trajetória da situação económica e financeira para um linha mais efetiva de sustentabilidade”.

Nelson de Carvalho garante ter apadrinhado esta solução entendendo ser “adequada, necessária e correta”.

“Envolvendo a própria tutela segura a instituição, garante o seu funcionamento efetivo, garante o cumprimento dos seus compromissos e garante que continua a cumprir a sua missão junto dos associados, evitando instabilidade. Os trabalhadores e os nossos parceiros estão seguros”, assegurou o responsável.

O presidente da direção, durante a conferência de imprensa, abordou ainda a trajetória da Instituição que “agora está nua e crua” sem qualquer financiamento bancário. O CRIA está a viver com as suas receitas próprias e com as despesas balançadas do seu próprio histórico. Tem entradas irregulares que dependem de pedidos de reembolso. Isso gera dificuldades, nomeadamente os atrasos no pagamento aos trabalhadores”.

A estratégia colocada em marcha pela atual direção, nomeadamente as duas candidaturas, um ao Fundo de Socorro Social e uma segunda para instalação do novo Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), pode agora sofrer um revés perante a gestão da Comissão Administrativa.

“A lógica da candidatura ao Fundo de Socorro Social era obter apoio financeiro para reduzir exposição face à banca. O Instituto da Segurança Social deu-lhe outra orientação, eventualmente obter apoio financeiro para garantir compromissos com trabalhadores e fornecedores avaliando a instituição e canalizar, indiretamente, reposição com a banca permitindo os pequenos créditos”, explicou.

Em relação ao acordo de cooperação para instalação do novo Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) para obter nova fonte de financiamento “o Instituto decidirá”, acrescentou.

Quanto ao pagamento aos trabalhadores, “em novembro a direção pagará o vencimento por inteiro, provavelmente pagará a totalidade do subsídio de férias… ainda estamos a fazer contas mas pagaremos pelo menos uma parte substancial” do mesmo, assegurou Nelson de Carvalho, recordando que já pagou na totalidade o vencimento de outubro.

Dá conta ainda de terem sido “recuperados os pagamentos aos fornecedores”. Com o fim do CLDS em agosto último, um projeto com duração de três anos, “o saldo final foi pedido e se chegar, entretanto, pagaremos o subsídio de natal”, concluiu.

Em reunião de executivo, esta terça-feira, a presidente da autarquia de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, já havia dado conta que, para o CRIA, “está em cima da mesa a criação de uma Comissão Administrativa”.

Solução onde a Câmara estará presente tentando com o Instituto da Segurança Social “criar as melhores condições para ultrapassar as questões de grande debilidade que a Instituição neste momento atravessa”, disse.

O CRIA tem cerca de 200 associados, uma centena de funcionários, e perto de 1,5 milhão de euros de orçamento anual e presta serviço a centenas de pessoas com deficiência nos vários concelhos da região do Médio Tejo e limítrofes.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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