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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
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Abrantes | Coiote lançam primeiro álbum com vontade de agarrar o mundo em sons diferentes

A banda abrantina Coiote lança esta quarta-feira, dia 1 de dezembro, o seu álbum de estreia. O mediotejo.net conversou com os músicos, ficou a conhecer a sua ambição de chegar ao mundo e a vontade que têm de cantar em palco para mostrar as suas composições. Ao disco chamaram-lhe Running Lights.

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Diz que a emotividade é a principal característica da música ao vivo. Talvez por isso João Jerónimo afirme que subir ao placo “é o mais importante para as bandas”. Os Coiote – na sua formação atual – não têm histórico de concertos mas “não pensamos noutra coisa”, garante Daniela Elias, a voz de um grupo cuja ambição confessa-se planetária. Acredita que é possível alcançar o sonho, “se não fosse assim não tínhamos investido”, assegura João. Ambicionam levar a sua música ao mundo, por sorte atingir o infinito e mais além, para citar um personagem de um famoso filme de animação.

Os Coiote são de Abrantes mas as suas influências apontam-se universais, com a sétima arte também a entrar na equação da melodia, composta para um contexto global. “Uma música muito visual, é um bocadinho assim que componho”, explica João. Por norma leva “a ideia” até à banda. Depois segue-se o processo de a transformar num tema Coiote.

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Reúne “uma progressão de acordes, que pode ser ou não alterada, e uma letra” para que Daniela possa cantar no momento do primeiro encontro com a canção. Explica que “a escrita das letras é, quase sempre, um processo continuo”. Aquando da criação musical quase simultaneamente cria o poema que lhe dará palavras. “Não há um grande hiato de tempo entre uma coisa e outra. É quase como se fosse uma banda sonora… gostamos todos muito de cinema”, justifica.

Banda Coiote. Créditos: DR

E “todos” são cinco: Daniela Elias (voz), Nelson Duque (guitarra), Filipe Fernandes (baixo), Duarte Rosa (bateria) e João Jerónimo (guitarra). O álbum conta ainda com um músico convidado: João Louro, tomando como modus operandi, para o processo criativo, uma lógica coletiva com a noção de colaboração claramente inscrita na sua genética artística. Desvendemos, no entanto, o primeiro encontro.

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Nelson e João encontraram-se por causa de umas cordas e uns pedais de uma guitarra. A loja, que ambos frequentavam, tinha morada noutro local da cidade de Abrantes, perto da casa de João, sem que se cruzassem, tendo o destino agendado para mais tarde a convergência. Uma “amizade musical” espontânea porque “rapidamente Nelson tocou umas coisinhas que ouvi e gostei muito – e sou um bocado chato não gosto de toda a gente a tocar guitarra”, admite João. O jovem estava disponível para o grupo que viria a ser os Coiote, tornando-se num dos responsáveis pela reunião do atual formato, dos músicos que dão corpo e som ao projeto.

“Experimentámos na própria loja tocar qualquer coisa e soou muito bem. Foi o fundamental para ser a banda que é. Não tendo conhecido o Nelson naquela loja, provavelmente não seriamos esta banda”, refere.

O grupo, com outra formação, começou com o nome de Johnny Coiotes, em 2017, já com o João, Nelson e Duarte. Mas com a saída de João Morais, que tocava baixo, perceberam a necessidade de uma reformulação. No final de 2018 – data da ida ao estúdio pela primeira vez – João Jerónimo dava voz às músicas e letras que compunha, só que na procura por alguém para backing vocals (vozes de apoio) “o Nelson lembrou-se da Daniela e canta tão bem que seria um desperdício” o guitarrista prosseguir, considera o próprio.

O álbum, independente, com lançamento no dia 1 de dezembro, ou seja, feito com capital próprio, começava, quatro anos antes, a ganhar forma. “Por isso demorou tanto tempo, porque só podíamos ir fazendo uma sessão aqui e outra ali, por disponibilidade de tempo e de verba financeira. Depois veio a pandemia que atrasou o lançamento em cerca de um ano”. Com a chegada de Daniela, as gravações de voz foram todas substituídas. “Sim, gravamos tudo novamente”, confirma Daniela Elias.

Sem uma editora por trás, ou seja, sem disponibilidade de tempo e de dinheiro, significa que “o processo é mais lento. Infelizmente não somos profissionais, gostaríamos de ser, é esse o objetivo. Não temos o tempo todo para estar no estúdio, nem a verba para o fazer de uma vez só. Se comprimirmos todas as sessões, mesmo com as sessões de edição, pós-produção, não teria mais de seis meses” revela João.

O disco soma 14 canções, maioritariamente em inglês sendo uma cantada em português. As músicas e letras são compostas por João Jerónimo, apenas uma canção tem outro autor: um tio seu.

Daniela Elias, Nelson Duque e João Jerónimo (ao centro) da banda abrantina, Coiote. Créditos: mediotejo.net

Portanto, nenhum dos cinco elementos é profissional da música, mas são autodidatas, sem qualquer treino formal. Connosco em entrevista estiveram três; Nelson, João e Daniela. O João contou que trabalha em projetos de audiovisual, dá aulas de squash, um desporto que diz gostar muito, tanto que tirou um curso de treinador, embora a sua área seja a economia e o desenvolvimento regional. “Se continuasse a trabalhar em Lisboa provavelmente não teria tido tempo para dar” a um projeto desta natureza que requer disponibilidade e “como trabalhador independente consigo conciliar”, explica.

Acrescenta que aprendeu a tocar guitarra sozinho teria uns 13 anos. “O meu pai tinha uma em casa e tocava mas não foi ele quem me empurrou para a tocar. Foi o meu tio que me incentivou e acabei por aprender sozinho. Tinha uma grande vontade para aprender e sou muito teimoso”.

Em casa ouvia muita música, um hábito que se repete na história de todos os elementos da banda. “É quase linear! As pessoas gostam muito, estiveram expostas a música e depois tinham uma pré disposição para tocar um instrumento. É uma coisa desde miúdos e um sonho que temos todos por realizar”.

Já Daniela é licenciada em Design de interiores e equipamento, realiza alguns projetos por conta própria e tem um part-time ao fim da noite, atividades que concilia com a música mas não de forma pacífica. “É complicado”, confessa.

Por seu lado, Nelson dedica-se a uma licenciatura em Engenharia Mecânica, em Abrantes. Também na casa da família morava uma guitarra, que iniciou a tocar deitada mas aos 11 anos começou a dar os primeiros toques de guitarra clássica. Ia à Internet ver como se tocava, por exemplo, o tema do filme Missão Impossível e começou a desenvolver. Mais tarde teve aulas de música na FH5 com o professor de guitarra Iuri Ramos.

Relativamente ao Filipe e ao Duarte. Contam que o último tinha familiares que tocavam bateria. Estando próximo do instrumento, aprendeu sozinho. Manifesta interesse e consistência. O background do Filipe “é o rock pesado. O pai ouvia e desde miúdo que apanhou tudo. Começou na guitarra e hoje toca baixo”.

Como palavra comum elegem “abertura” apesar das músicas que cada um ouviu e das primeiras impressões recolhidas que influenciariam a suas composições ou a sua maneira de tocar. Apresentar conteúdos distintos é a proposta dos Coiote, onde a música surge como uma oferta em forma de entrega mas não da maneira tradicional: revelam composições cristalinas, num som límpido, que cabem numa ampla e arrojada expectativa.

“Partilhamos essa abertura para todos os estilos de música independentemente do nosso background. O meu pai ouvia muita música folk dos anos 70, acústica. Quando aprendi a tocar em meados dos anos 90, não estava a ouvir o que as pessoas ouviam em 1993, que seria Nirvana, Pearl Jam etc, provavelmente estava a ouvir Neil Young, Joni Mitchell e coisas mais antigas dos anos 70, Led Zepplin, Jimmy Hendrix, claramente uma década atrás. O que também influencia na forma como escrevo”, explica João.

Ou seja, um disco nascido num ambiente folk, rock e soul, projeto com canções que protestam sem serem politicamente incómodas, inspirado nas música anglo-saxónicas, com caminhos trilhados na introspeção, uma banda indie mas com referências à música clássica e até ao heavy metal “supostamente é muito largo, sem conceito”, classifica João, que considera natural procurar novas soluções e arranjos para as canções adotando uma série de estilos diferentes.

Banda Coiote. Daniela Elias. Créditos: DR

O músico confessa apreciar canções de protesto. “Mas não temos nenhuma canção puramente de protesto como nos anos 70. O espírito desse protesto e os temas sobre esse protesto estão lá. Daí a influencia nos temas. Por exemplo, o tema que abre o álbum, You and me, escrevi-o com 20 anos e falava na necessidade das pessoas se poderem entender nas várias partes do globo. Tirando alguns aspetos fisionómicos, de religião, sociais ou de regimento político, acabamos por ser muito mais parecidos do que diferentes, e essa música é um bocadinho sobre isso”, desvenda.

Refere músicas que ligam a perspetiva privada com a comunitária. “As ideologias, nos extremos, defendem o individualismo ou o coletivo. Diria que é possível combinar as duas coisas. É impossível não pensarmos em algo que nos afeta ou que está à nossa volta. Está nas letras mas não é um álbum centrado num elemento pessoal. Alguma ilusão e desilusão com o mundo sim, alguma forma de sentir isolado ou não, também”, acrescenta.

E porque a banda confessa acumular material que daria para um segundo ou mesmo um terceiro álbum, diremos que este é o primeiro volume de uma obra que também acumula canções compostas há mais de duas décadas, mas não explica nada no sentido que  “a canção é aquilo que as pessoas querem que seja”, contudo, com a máxima qualidade que a banda conseguiu dar. “Queremos deixar espaço para que as pessoas encaixem as suas próprias histórias e consigam explicar a música à maneira delas”, especifica Daniela.

O álbum intitula-se Running Lights, uma canção escrita durante a produção do disco. Foram precisamente as viagens entre o estúdio e a casa de João em Lisboa, a fonte de inspiração da canção. “Aquele momento em que se tem muita gente à volta, azáfama, muito movimento, mas que se pode sentir bastante sozinho e bastante desiludido com algo que parece tão bom. Ao mesmo tempo mistura o individual com o coletivo. Essa reflexão acontece em várias canções”, explica.

A banda deixa, assim, que o público interprete à sua maneira. Vinca esse gosto por se sentirem livres de formatos, com rédea solta para criar, o que justifica, uma vez mais, a opção de não recorrer a uma editora.

Banda Coiote. Créditos: DR

O nome Coiote foi, então, retirado de uma experiência anterior. João, o mentor do projeto, sempre preferiu nomes de animais, razão que se mistura com um programa homónimo na rádio Antena 3, que ouvia regularmente, “com música muito parecida com as nossas maiores influencias, música norte-americana e anglo-saxónica”.

Um disco que sabe a desafio conquistado depois de uma espera de anos de composições guardadas na gaveta. Não era uma aspiração por cumprir que lhe causasse ansiedade mas que João mantinha a esperança acesa de encontrar as pessoas certas, para a banda certa.

Os diferentes background, também contribuem para o bom funcionamento da banda, opinam. “Não só musicalmente mas também em termos pessoais. Há uma química interna que se transfere para a música, somos divertidos, gostamos de humor, temos uma boa relação pessoal. É essencial! Temos respeito e frontalidade. Há essa abertura para respeitar as ideias uns dos outros sempre em mente com o projeto. Há essa noção de que o projeto e as canções vêm primeiro”, refere João.

Quanto ao trabalho, atribuem-lhe consistência. Várias canções estão compostas há muito tempo, é certo. João apesar de não ter banda compõe desde os 16 anos, pouco depois de aprender a tocar guitarra. Essas composições não mostrava a ninguém mas a partir dos 18 anos iniciou a compor temas que hoje permanecem atuais. Uma das canções do álbum teria uns 19 anos quando a compôs.

Hoje João tem 40 anos. “Estão no álbum porque mostraram que ainda têm valor. Tenho um baú imenso cheio de canções. Para o álbum há canções do momento. Metade até foi composto após 2017, são recentes, fazem parte deste projeto”. Outros, guardou a maqueta e foi assim que se apresentou ao resto dos elementos da banda.

“Porque ter músicas originais e ter um projeto autêntico, acho que é bastante autêntico independentemente de quem traz a música é completamente absorvido pela banda e esta apossa-se das canções, não é muito fácil se não tivermos abertura para vários estilos e se não encaixar connosco. Como é que se canta uma canção em que não se acredita?”, interroga. “As canções não se podem fazer de ânimo leve porque vamos ter de as tocar muitas vezes”, nota.

O disco resulta assim “de um processo ao longo dos anos. Lembro-me de pensar nisso: será que algum dia vou gravar alguma coisa? Tive sempre um feeling, e guardei tudo. Acho que se nunca fizesse um álbum na vida, escreveria sempre canções. Antes de as escrever já escrevia pequenos poemas, portanto faz parte da minha maneira de ser”.

Banda Coiote. Créditos: DR

O objetivo dos Coiotes passa por viver da música e pela internacionalização, até porque estamos num mundo global, cantassem em português ou não. Para os cinco, “é uma questão de naturalidade”. Influencias da muita música norte-americana que ouviram durante a infância. “Depois havia a tal cultura dos filmes. Os meus pais estiveram emigrados nos Estados Unidos, falavam bem inglês e lembro-me de ter 12 anos e já pensava em inglês. Lembro-me de escrever letras em inglês, para mim era tão natural como escrever canções em português”, diz João não descartando a possibilidade de futuramente outros projetos terem uma proporção diversa no que toca às duas línguas nas quais cantam.

Em termos de público, “é muito difícil falar, mesmo em nichos porque ainda não temos estrutura suficiente. Não estamos a trabalhar com parceiros. Ainda nos falta visibilidade. Temos pequenas coisas que nos animam e que são importantes para o projeto mas sabemos que qualquer banda quer conquistar o mundo” contudo expressam a consciência de saber que podem não atingir os objetivos. “Tem de se estar preparado! Porque o projeto pode não vingar, como qualquer projeto na vida”.

Sendo um álbum independente, portanto “um projeto ambicioso e arriscado, gastou bastante dinheiro. Temos mais de 20 mil euros investidos. A qualidade tem a ver com o tempo, com o empenho. É preciso ter talento mas também ter dinheiro. É verdade que não garante mas potencia”, afirma João.

Sem editora, para salvaguardar, como já ficou claro, “algum controlo criativo”, sabem que para crescer precisam de estabelecer parcerias, agenciamento, managing, mas sentem existir “um estigma geral com a Cultura. É uma brincadeira não é um trabalho. Há muito pouca vontade para investir na Cultura, por isso em Portugal é 0,4% do PIB. E enganam-se porque é trabalho! São ensaios, tempo que não estão com a família, é um trabalho continuo, é uma vocação”, opina.

Refere as dificuldades em concorrer, por exemplo a fundos comunitários, sem parceiros e sem apoios. E considera que as políticas locais “têm muito pruridos em ajudar as pessoas. Não há muita recetividade de uma maneira geral. Se fossemos conhecidos, claro que sim!”. Por isso defende “pequenas ajudas, quase como um microcrédito. Qualquer projeto artístico sério tem de ser persistente para não ficar pelo caminho”, lamenta.

Banda Coiote. Créditos: DR

No que toca ao mundo digital, sabe-se Internet não serve apenas para obter um acesso mais rápido à música. Os meios digitais são aqueles onde, muitas vezes, se discute os álbuns. Ainda assim, os Coiote assumem ter “uma presença muito singela nas redes sociais. Será uma aposta futura, mas só pode ser com verbas. Fazemos o que podemos e há um limiar mínimo, que é existir. Temos um canal de YouTube, estamos no Instagram, no Facebook, no Twitter e temos o site”, indicam.

Quanto a concertos ao vivo, gostavam de começar por perto, pelo Sardoal, no Centro Cultural Gil Vicente ainda este ano – o que será complicado – “talvez em janeiro” de 2022. Depois, apresentar o disco em Lisboa e noutros palcos.

VEJA AQUI O VIDEO:

Para já o CD encontra-se em pré compra, diretamente com a banda. Os compradores entregam-no em mão ou enviam para a morada. O disco físico esperam que chegue antes do Natal. Esperamos vê-lo nos escaparates.

Capa do disco dos Coiote. Créditos: DR

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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