Abrantes | CLDS 4G arranca no concelho com plano de ação “de todos e para todos” (c/áudio)

Equipa coordenadora do projeto CDLS 4G no concelho de Abrantes acompanhada pelo presidente de Direção do CRIA, Nelson de Carvalho. Foto: mediotejo.net

Arrancou esta terça-feira, dia 1 de setembro, o programa CLDS 4G no concelho de Abrantes. Pelo segundo ano consecutivo, o CRIA é a entidade coordenadora local do projeto, em parceria com a TagusValley. O CLDS de quarta geração abrange todo o território abrantino e tem o seu foco nas “necessidades reais da população”, como a promoção da empregabilidade, o combate à pobreza infantil e o estímulo do envelhecimento ativo. Um plano para todos que vai decorrer nos próximos três anos, com um orçamento total superior a 568 mil euros.

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O Contrato Local de Desenvolvimento Social “CLDS 4G Abrantes – Desafiar, Colaborar, Empreender e Inovar” é a designação do programa que nos próximos três anos pretende atuar em três eixos fundamentais no concelho de Abrantes: emprego, formação e qualificação; intervenção familiar e parental, preventiva da pobreza infantil; e também na promoção do envelhecimento ativo e apoio à população idosa.

A apresentação do Plano de Ação do CLDS 4G no território abrantino aconteceu no auditório do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA) que é este ano, pela segunda vez consecutiva, a Entidade Coordenadora Local de Parceria designada pela Câmara Municipal de Abrantes, mais especificamente pelo CLAS (Conselho Local de Ação Social).

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Uma escolha que é simultaneamente “uma honra e uma responsabilidade”, conforme disse ao mediotejo.net o presidente da Direção do CRIA, Nelson de Carvalho.

 

O CLDS 4G tem um orçamento total de 568.668,25€ traduzido em mais de 200 iniciativas e 17 atividades que o presidente da direção do CRIA, Nelson de Carvalho, espera que “cheguem, de facto, às pessoas, contribua para elevar os níveis e patamares de coesão e de qualificação das pessoas, seja no caso das famílias com fragilidades, dos idosos, seja as questões da empregabilidade, de valorizar as competências das pessoas”.

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Nelson de Carvalho, presidente da Direção do CRIA, na sessão de apresentação do CLDS 4G Abrantes. Foto: mediotejo.net

Um projeto coordenado pelo CRIA mas que conta com a parceria da Tagus Valley – Associação para Promoção e Desenvolvimento do Técnopolo do Vale do Tejo, enquanto entidade executora de ações.

O Plano de Ação do CLDS 4G Abrantes – elaborado com base em instrumentos de planeamento como o Plano de Desenvolvimento Social, em parceria com o Município de Abrantes e com a auscultação dos parceiros do CLAS e dos presidentes das juntas de freguesia do concelho – foi apresentado pela coordenadora do projeto, Andreia Vitório, que deu conta dos objetivos do programa.

 

Aumentar a coesão social, concentrar a intervenção em grupos populacionais que evidenciem fragilidades significativas, potenciar a congregação de esforços entre o setor público e privado e fortalecer a ligação entre intervenções a desenvolver e os instrumentos de planeamento existentes são linhas orientadores de um plano de ação que Andreia Vitório considera ser “de todos e para todos”.

EIXO 1 – Emprego, Formação e Qualificação

O primeiro de três eixos do CLDS 4G no concelho de Abrantes tem uma verba de 176.581,57€ e tem como propósito a integração profissional e o estímulo das capacidades empreendedoras de cada cidadão.

Destinado a pessoas desempregadas, jovens à procura do primeiro emprego, alunos em conclusão do sistema educativo e também que o tencionem abandonar, beneficiários do RSI, pessoas com incapacidade e deficiência, mas também a empresários e empregadores locais, esse primeiro eixo de intervenção é da responsabilidade do TagusValley.

Assumindo o papel de entidade executora, o TagusValley vai ser a principal dinamizadora de sete atividades e 43 iniciativas (entre workshops, ações de sensibilização e concursos de ideias), abrangendo um universo de 408 destinatários.

Ana Paula Grijó, presidente da direção do TagusValley, marcou presença na sessão de arranque do CLDS 4G e agradeceu publicamente “publicamente o facto de terem olhado para o TagusValley como um parceiro natural para desenvolver as atividades”.

“Isso para nós tem um grande significado e é muito importante porque nos ajuda um bocadinho também a desmitificar aquilo que nós somos e que queremos ser para a comunidade”, disse a responsável, acrescentando que se abre agora um novo mundo uma vez que “enquanto entidade que tem vindo a ser suportada pela comunidade, chegou também o nosso momento de mostrar à comunidade como é que podemos devolver e impactá-la positivamente.

 

Expectante quanto ao impacto positivo que espera que as ações levadas a cabo pelo TagusValley tenham na comunidade, Ana Paula Grijó explicou que o trabalho da entidade vai ter como foco o trabalho nas competências dos beneficiários.

Ana Paula Grijó, presidente da Direção do TagusValley. Foto: mediotejo.net

“Trabalhar competências que muitas vezes as pessoas e não sabem que trazem dentro de si. Estamos a falar muito de cortar ciclos de pobreza e essa acho que é a grande mais-valia que este tipo de intervenção pode fazer, ajudar as pessoas a perceber as enormes potencialidades que podem ter dentro de si para a criação do seu próprio emprego, podermos colocar as empresas em contacto com estes beneficiários e ajudar a desmistificar a forma como se olha para este tipo de beneficiário”, referiu.

EIXOS 2 e 3 – Intervenção familiar, preventiva da pobreza infantil e Promoção do envelhecimento ativo

O segundo eixo de intervenção do CLDS 4G Abrantes – Intervenção familiar e parental, preventiva da pobreza infantil – tem uma verba de 235.252,01€ e pretende potenciar uma gestão mais consciente dos recursos, combatendo a pobreza e, em particular, a pobreza infantil.

Estão definidas seis atividades e 82 iniciativas abrangendo um universo de 538 destinatários, entre famílias, crianças e jovens, mas também pessoas com deficiência ou incapacidade e idosos.

Este eixo vai ser dinamizado pelo CRIA, tal como acontece com o Eixo 3 – Promoção do envelhecimento ativo e apoio à população idosa.

Neste caso, o orçamento é de 156.834,67€ e pretende pôr em marcha quatro atividades e 114 iniciativas no sentido de consciencializar os idosos sobre situações de perigo e risco, permitir o acesso a novas tecnologias e contribuir para diminuição do isolamento social.
Através de ateliês, sessões de convívio e ações socioculturais, o CLDS 4G espera abranger um universo de 420 destinatários.

Andreia Vitório, coordenadora da equipa responsável pelo projeto, deu conta aos jornalistas daquilo que já está pronto a avançar no terreno, nomeadamente um protocolo com a União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede.

 

CLDS em tempos de pandemia

Esta terça-feira, dia 1 de setembro, assinalou-se o primeiro dia de execução deste CLDS 4G. Nelson de Carvalho, presidente da Direção do CRIA, explica que “demorou mais do que nós estávamos a pensar a entrarmos em ação e iniciarmos o programa de ação, partindo do princípio que este período difícil que atravessamos tem impacto no andamento das coisas e atrasou o processo”.

Em tempos de pandemia as regras são mais apertadas. Por exemplo, no caso dos workshops os beneficiários vão ter de respeitar as normas de etiqueta respiratória, o uso de máscara, o distanciamento social e a higienização de mãos. No entanto, Nelson de Carvalho elucida que a pandemia de Covid-19 não alterou a definição do projeto, que estava desenhado antes do aparecimento do vírus.

“Não entrou na definição, entra agora como condicionante à execução. Vai tornar a execução um bocadinho mais complexa, o nível de cumprimento de normas e de procedimentos vai ser muito exigente, nós queremos cumprir e isso vai dificultar um bocadinho a execução. Quanto ao resto não”, assume.

E é devido à Covid-19 que “salta para a ribalta” a área social. Quem o disse foi o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, presente no arranque do primeiro dia de CLDS 4G.

 

O presidente do Município de Abrantes deixou a mensagem de que é necessário “tomar conta daqueles que estão menos protegidos, daqueles que são mais frágeis” e aproveitou para destacar o “interesse e observação muito mais atenta” que a pandemia de Covid-19 despoletou sobre as matérias na área social.

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, durante a intervenção no primeiro dia de arranque do CLDS 4G Abrantes. Foto: mediotejo.net

Nomeadamente, no que diz respeito aos fundos europeus, o autarca diz que há uma aposta “decisiva nestas áreas onde se sente, mais numa lógica imaterial, esta necessidade de olhar para as pessoas com mais cuidado, mais atenção”.

De referir que o CLDS – Contratos Locais de Desenvolvimento Social é um programa co-financiado pelo POISE (Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego), Portugal 2020 e União Europeia através do Fundo Social Europeu.

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