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Sábado, Outubro 23, 2021

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Abrantes | Centro local da Universidade Aberta celebrou 10 anos a formar cidadãos

A Universidade Aberta comemora os seus 30 anos de existência em 2018 e o Centro Local de Abrantes comemora 10 anos de funcionamento. Para assinalar estas datas, o CLA de Abrantes organizou no sábado, 29 de setembro, um evento onde destacou a importância da existência dos Centros Locais bem como a dedicação e motivação dos alunos e diplomados. O evento, que contou com as intervenções de Celeste Simão (vereadora da Educação e Ação Social da CMA), de Mário Negas (em representação da Instituição), integrou ainda a entrega dos diplomas comemorativos e a partilha de testemunhos de alunos e antigos alunos.

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Em 2008 iniciou-se um projeto para abrir vários Centro Locais pelo País “sobretudo em zonas que se calhar têm menos investimento a nível central, ou menos oferta ao nível de ensino superior e tinha como principal missão levar a frequentar o ensino superior pessoas que não estão nos principais polos universitários e por outro lado já estão na sua vida adulta com vida familiar e profissional mas que querem estudar e precisam de condições para isso”, explicou Liliana Vasques, a responsável pela Universidade Aberta em Abrantes.

Foi graças a esse projeto que o Centro Local da UA em Abrantes celebrou uma década, este sábado, dia 29 de setembro. O auditório do Edifício Pirâmide, em Abrantes, recebeu alunos com familiares e amigos, que quiseram presenciar a entrega dos diplomas a quem concluiu as diversas licenciaturas.

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Celeste Simão começou por dizer que o Centro Local foi pensado “para as pessoas de Abrantes e da região. Uma proposta de futuro para a comunidade abrantina. Um projeto bem recebido e acarinhado” com um protocolo do qual resulta um trabalho conjunto das duas instituições: UE e Câmara Municipal.

Comemoração dos 30 anos da Universidade Aberta e 10 anos do Centro Local de Abrantes

A vereadora sustentou a decisão política existente no concelho “desde o pré-escolar até à universidade” considerada “muito importante” no âmbito da “aprendizagem ao longo da vida”. A UE representa, nas palavras da responsável “uma oportunidade para aquelas pessoas que não podendo deslocar-se aos grandes centros podem estudar”, disse manifestando “preocupação” com a taxa de analfabetismo “ainda existente no nosso País”.

Por seu lado, Mário Negas considerou a UA “uma estratégia da maior importância” deixando um “bem haja” aos estudantes “pelo esforço, dedicação, e por terem escolhido um ensino diferente, não presencial. Sendo a UA única no panorama nacional tendo um papel preponderante na cidadania, na comunidade de aprendizagem com caraterísticas muito únicas. À distância dá saúde porque revigora os desafios” afirmou, garantindo que “os alunos são muito mais atentos”.

Destacando que cada Centro Local é único porque “há nele um conjunto de competências com características próprias dos territórios. A Universidade traz mais riqueza aos territórios por integrar pessoas diferentes. Reúne não só um tipo de pessoas, mas muitos tipos de pessoas. Não há outra instituição no País que reúna esta riqueza”, assegurou, frisando ser uma universidade que “vai-se construindo com as exigências e sugestões dos alunos”.

Comemoração dos 30 anos da Universidade Aberta e 10 anos do Centro Local de Abrantes

Um aluno da UA em média demora 6 anos para se licenciar, “anos de trabalho intenso numa caminhada que não é isolada”, afirmou o professor. No Centro Local de Abrantes, inscrevem-se anualmente cerca de 150 alunos, e desde que a UA entrou em funcionamento em Abrantes já se licenciaram perto do mesmo número: 150.

Fundada em 1988, a UA oferece, em qualquer lugar do mundo, formação superior (licenciaturas, mestrados, doutoramentos) e cursos de aprendizagem ao longo da vida. Todos os cursos funcionam em regime de e-learning desde 2008, ano em que a UA se tornou numa instituição europeia de referência, no domínio avançado do e-learning e da aprendizagem online, através do reconhecimento do seu Modelo Pedagógico Virtual, assente no uso extensivo dos instrumentos tecnológicos, utilizando plataformas de gestão de aprendizagem e procedendo à integração progressiva de ambientes virtuais de aprendizagem e do mobile Learning.

Em 2016, a European Foundation for Quality Management distinguiu a Universidade Aberta com 4 estrelas no 2º Nível de Excelência Recognized for Excellence (R4E).

Comemoração dos 30 anos da Universidade Aberta e 10 anos do Centro Local de Abrantes. Dora Esteves

Dora Esteves, uma das alunas que este sábado recebeu o diploma de licenciada, contou que a sua vida como estudante universitária iniciou há 10 anos, “uma vida que tinha sonhado mas até então impossível”.

Dora começou a trabalhar aos 17 anos na administração local, na Câmara Municipal de Alenquer, realizou o ensino secundário como aluna no pós-laboral. Em 2007 foi estudar para a Universidade Independente que fechou ficando “sem dinheiro e sem curso”. Na Universidade Aberta despertou-lhe Ciências da Informação e da Documentação.

Estudar “foi aprender uma coisa totalmente nova”. Para complementar a licenciatura em 2017 realizou uma formação em paleografia. “Felizmente consegui! Em vez de terminar em 3 anos como era suposto terminei em 4, com trabalho e família pelo meio. Sou um exemplo para as minhas filhas”, contou.

Também o aluno Mário Reis, que no sábado recebeu o diploma da licenciado, partilhou com a sala um pouco da sua história. Com o curso comercial “tirado à noite”, o tomarense trabalhou 44 anos numa empresa mas quando se reformou, aos 60, os filhos incentivaram-no e decidiu tirar um curso na área das ciências sociais.

“Pensei sinceramente que fosse mais fácil! Comecei a perceber que era necessária muitas disciplina e ainda hoje sei quantas horas levei para terminar o meu curso”, mas orgulha-se por conseguir levar a tarefa toda de seguida, sem reprovar. “Ganhei conhecimento e autoestima. Conheci pessoas e completei um curso do qual já não precisava para trabalhar. É preciso muita determinação”, nota.

Os Centros Locais de aprendizagem resultam da criação de parcerias entre a UA e a sociedade civil. Por um lado, permitem desenvolver uma intervenção de proximidade, em termos culturais e educativos e, por outro lado, oferecem apoio logístico aos estudantes residentes na respetiva área de intervenção, incluindo a organização do processo de avaliação presencial.

Antes das conversas informais e a partilha de testemunhos de alunos e antigos alunos, decorreu ainda a cerimónia de entrega dos diplomas comemorativos.

Comemoração dos 30 anos da Universidade Aberta e 10 anos do Centro Local de Abrantes. Mário Reis

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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