Abrantes: Casa ardida, casa reconstruída com apoio da população

Casa de Cremilde e Jorge Lemos que foi devastada por um incêndio em abril de 2015 e hoje está completamente recuperada com o apoio solidário da população, entidades e empresas (Foto: mediotejo.net)

Pouco mais de um ano depois do incêndio que devastou por completo a habitação de Cremilde, 71 anos, e Jorge Lemos, 47 anos, na Rua da Indústria, Chainça, no concelho de Abrantes, esta família, constituída por mãe e filho, já regressou à sua casa que foi totalmente recuperada com o apoio solidário de particulares, entidades e empresas.

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Na madrugada de sábado, 18 de abril de 2015, um incêndio que teve início no interior da habitação, destruiu por completo a casa onde viviam Cremilde Lemos, viúva, e o seu filho Jorge, na Chainça. Mãe e filho, ambos pensionistas, ficaram apenas com a roupa que tinham no corpo, tendo perdido todos os seus pertences.

A população sensibilizou-se e mobilizou-se para ajudar esta família. No dia seguinte à tragédia, a União de Freguesia de Abrantes, São Vicente, São João e Alferrarede lança um pedido de ajuda na sua página de facebook a solicitar todo o apoio possível da população para ajudar na reconstrução da casa.

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Zélia Lopes, tesoureira da União de Freguesias de Abrantes, São Vicente, São João e Alferrarede e uma das principais dinamizadoras deste movimento solidário juntamente com Fernanda Bica, vizinha da família Lemos, recorda ao médiotejo.net que, após a tragédia do incêndio que destruiu por completa a casa: “mobilizamo-nos e começámos a recolher fundos e tudo aquilo que as pessoas pudessem dar”.

Para a angariação de fundos, foram ainda feitas várias festas com artistas locais que colaboraram com espetáculos; no Scada Bar também se realizou uma noite de angariação de fundos; os ABT Night Runners também colaboraram com a realização de uma corrida/caminhada sob o lema “Hoje por eles, amanhã por nós” em que os participantes poderiam levar um ou mais, bens alimentares, de primeira necessidade, ou contributo monetário, para ajudar esta família.

Todos estes movimentos solidários conseguiram angariar mais de 5 mil euros, que foram utilizados para pagar mão-de-obra na última fase de reconstrução da casa.

Cremilde e Jorge Lemos junto à sua nova casa (Foto DR)
Cremilde e Jorge Lemos junto à sua nova casa (Foto DR)

Zélia Lopes faz referência ainda a Maria José Alves, de Alferrarede mas emigrada na Suíça, que fez contactos com um dos programas da manhã dos canais nacionais a dar conhecimento deste caso e a pedir apoio, sendo que através desse programa, a empresa de construção JJR disponibilizou-se a entregar os materiais de construção necessários; e o apoio dado pela União de Freguesias “com aquilo que podia, dentro dos seus recursos, nomeadamente com a parte de mão-de-obra e começou, com os seus trabalhadores, a levantar as paredes da casa, fez a placa, colocou o telhado, mas a dada altura a União de Freguesias ficou limitada em termos de pessoal e a obra ficou parada, em finais do ano passado”.

Com a obra parada, Zélia Lopes e Fernanda Bica tomam providências para a obra ser retomada e, depois de contactos feitos, em maio deste ano a obra retomou e passadas três semanas estava concluída.

“As pessoas assumiram o compromisso de fazerem 10 horas diárias e que em menos de um mês a casa ficaria pronta e foi o que aconteceu”, recorda Zélia Lopes dizendo que tanto ela como Fernando Bica se deslocavam diariamente à obra para ver o andamento dos trabalhos e as necessidades que iam surgindo.

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“É de salientar que até os próprios pedreiros, que não são daqui, contribuíram com portas e lava-louças e outros materiais para a obra”, destaca Zélia Lopes.

Fruta da solidariedade e colaboração das empresas e entidades concelhias, Zélia Lopes e Fernanda Bica conseguiram angariar todo o mobiliário necessário para o recheio da casa, desde eletrodomésticos, a móveis, camas, sofás, cadeiras, etc.

A chave da casa que foi totalmente reconstruída foi entregue no passado sábado, dia 2 de julho, por Zélia Lopes e Fernanda Bica. Uma sala, dois quatros, cozinha e casa de banho totalmente novos e casa equipada.

Cremilde, 71 anos, e Jorge Lemos, 47 anos, na nova casa Rua da Indústria, Chainça (Foto DR)
Cremilde, 71 anos, e Jorge Lemos, 47 anos, na nova casa Rua da Indústria, Chainça (Foto DR)

“As pessoas foram todas muito generosas, colaboraram e deram o melhor que tinham”, destaca Zélia Lopes que não consegue contabilizar o valor de todos os materiais, equipamentos e mobílias que foram doados e destaca que o material e eletrodomésticos que foram necessário adquirir, foram comprados no comércio tradicional.

No final deste processo de angariação de fundos, “em vez de termos duas mobílias de quarto, tivemos quatro e já ajudámos várias famílias de Abrantes”, refere Zélia Lopes destacando ainda o caso de um pedreiro que cedeu portas para a reconstrução da casa de Cremilde Lemos e que esta semana viu a casa de um familiar também a ser ardida.

“As pessoas foram muito, muito generosas”, destaca, emocionada, Zélia Lopes, satisfeita com toda esta ação solidária.

Durante os trabalhos de reconstrução da casa, Cremilde e Jorge Lemos estiveram a viver na casa de um irmão da D. Cremilde, ali bem perto da casa que ardeu.

No facebook, a família de Cremilde e Jorge Lemos manifestou publicamente “o seu profundo agradecimento a TODOS os que, de forma identificada ou anónima, generosamente se solidarizaram com a Cremilde e o Jorge, tornando a reconstrução da casa uma realidade. Merecem-nos particular destaque as Exmªs Sras Fernanda Bica e Zélia Lopes, a quem aqui deixamos o nosso reconhecimento público e um obrigado muito especial, pelo elevado sentido humanitário e solidário que demonstraram, pela forma tão abnegada com que, desde a primeira hora, se dedicaram a esta causa.Para além das próprias contribuições pessoais, de louvar a sua ação, determinante na formação da “onda solidária” que se foi gerando em torno da tragédia que afetou a vida da Cremilde e do Jorge, e no papel preponderante que tiveram no envolvimento da Comunidade (particulares e empresários) para a obtenção dos contributos e apoios necessários à realização da Obra. Também um agradecimento muito especial à Camara Municipal de Abrantes, União de Freguesias de Abrantes, São Vicente, São João e Alferrarede, bem como, a todas as empresas e trabalhadores que de forma generosa e desinteressada deram o seu contributo. A Todos UM MUITO OBRIGADO E BEM HAJAM!!!”.

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