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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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Abrantes | Carlos e Florinda dão eco à sustentabilidade turística na rua das Amendoeiras

O alojamento local Amendoeiras House, em Rossio ao Sul do Tejo, é a primeira unidade turística do concelho de Abrantes a merecer o certificado Biosphere, com vista ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas. O mediotejo.net foi conhecer o espaço e conversar com Carlos Sousa e Florinda Matos.

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O projeto de turismo sustentável e responsável de Carlos e Florinda pode ser visto como algo que “antes de ser já o era” embora a filosofia do Amendoeiras House, em Abrantes, seja “como em tua casa “.

Tudo porque este casal de meia idade gosta de acolher bem e recebe quem gosta de desfrutar da natureza, de percursos pedestres, da tranquilidade bucólica do campo (no caso) com vista sobre a cidade, e principalmente quem procura outro tipo de produtos, por certo melhor valorizados, com impactos positivos a nível ambiental mas igualmente económico, cultural e humano.

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Carlos Sousa junto à piscina tratada com sal em detrimento de produtos químicos. Créditos: mediotejo.net

A sustentabilidade e responsabilidade “sempre fizeram parte das nossas vidas devido a morarmos no campo. Somos peregrinos do apóstolo Santiago, caminhantes na natureza e temos uma especial atenção com o que nos rodeia. Além disso gostamos de estar rodeados de pessoas”, explicou Carlos ao nosso jornal.

Na verdade, o Amendoeiras House, que esta segunda-feira inaugurou a sua certificação Bisophere, recebe o novo turista, incentiva a sua relação com o turismo sustentável e a ajudar a economia local. Trata-se de um alojamento rural preparado para o novo segmento turístico, que exige mudança e que começa a despontar.

Cerimónia de apresentação do projeto de certificação de Turismo Sustentável do alojamento local Amendoeiras House, com a Bisophere Portugal. Créditos: mediotejo.net

Após a reforma antecipada de Florinda devido a um problema de saúde, o casal pensou em criar um local acessível a todos, onde pudesse ocupar o seu tempo, partilhando com o espaço onde reside, implementando boas práticas. Assim nasceu o Amendoeiras House, a 22 de janeiro de 2020, que além de alojamento local possui uma pequena vinha de onde resulta o vinho que o proprietário produz para consumo próprio. Carlos é ainda artesão, construindo presépios com as pedras do rio Tejo e outras que chegam das praias do litoral.

“Para mostrar às pessoas que a parte cristã não se revela só no Natal. Uma forma de dar uma prenda a alguns amigos e tem tido uma boa adesão”, considera Carlos Sousa que, de quando em vez, participa em algumas feiras nacionais e envolve-se noutros projetos, como por exemplo o percurso pedestre existente entre Nisa e Fátima.

Cerimónia de apresentação do projeto de certificação de Turismo Sustentável do alojamento local Amendoeiras House, com a Bisophere Portugal. Créditos: mediotejo.net

O Amendoeira House abriu no dia 21 de fevereiro do ano passado, “infelizmente fechámos no dia 15 de março” de 2020 “devido à pandemia”, lembra, mas este ano desde 1 de janeiro até dia 12 de setembro este espaço de alojamento local abrantino já contou com 305 hóspedes. Um número que o entusiasma.

O plano de ação para a sustentabilidade põe em prática “uma piscina tratada com sal em detrimento de produtos químicos. O aquecimento da água é apoiado por um painel solar. A nossa energia tem uma componente verde, fornecida por quatro painéis fotovoltaicos. Os nossos hóspedes são sensibilizados a utilizar o compostador (caixa de compostagem). Os hóspedes têm à disposição 2 bicicletas. As caminhadas na natureza estão presentes, com apoio de mapas de percursos. Recuperamos a água das chuvas para rega das flores. Colocamos sinalética nas plantas. Tentamos utilizar, o mais possível, produtos amigos do ambiente, não utilizamos copos de plástico nem palhinhas, não utilizamos herbicidas, fazemos análises periódicas da água do furo e da água da piscina”, explica o proprietário.

Além disso o Amendoeiras House, possui um plano de ajuda, a pessoas com algumas dificuldades económicas, na área do vestuário, bens alimentares e também apoio ao pequeno comércio local, sendo 100% de fornecedores locais em todos os serviços.

Na página da internet do alojamento, Carlos e Florinda sensibilizam para a solidariedade, pedindo aos hóspedes roupas ou brinquedos que já não usem que posteriormente encaminham para a associação ‘Doar Com o Coração’, de Rossio ao Sul do Tejo. “Temos tido muita adesão”, garante Carlos.

O alojamento local Amendoeiras House possui um plano de apoio poio ao pequeno comércio local. Créditos: Inês Nepomuceno

O respeito pelos principais padrões de qualidade ambiental, em particular com os consumos de água e eletricidade, a separação e tratamento dos resíduos, a preocupação com o ruído, o combate ao desperdício alimentar, o reconhecimento e promoção da identidade cultural do destino, no caso Abrantes, está patente no projeto que foi avaliado pela acelerador de sustentabilidade em destinos e empresas – Biosphere, a primeira certificação a responder aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

Um passo que partiu de Carlos quando este participava em formações na escola do Turismo de Portugal e ficou a conhecer a certificação Biosphere sendo exatamente aquilo que queriam fazer no Amendoeiras House.

Presente na atribuição da certificação esteve Patrícia Araújo, CEO da Biosphere Portugal, começando por dizer que Carlos e Florinda estavam no inicio da maratona para cumprir a agenda de sustentabilidade, naquela que é a primeira unidade do concelho de Abrantes a dar este passo.

Cerimónia de apresentação do projeto de certificação de Turismo Sustentável do alojamento local Amendoeiras House, com a Bisophere Portugal. Créditos: mediotejo.net

Mas a sustentabilidade põe-se em prática “nas pequenas coisas, nos detalhes, na vontade, empenho, no orgulho de deixar uma realidade melhor para aqueles que vêm”, disse.

Setembro é o mês em que a Biosphere lança um “mega projeto” de sustentabilidade em toda a região Centro. “Já temos empresas para mostrar aqueles que chegam que é possível fazer a diferença, principalmente neste contexto de pandemia, e de mercado que pede produtos mais preocupados, mais responsáveis, mais envolvidos, que tragam mais valor para as comunidades. Mais preocupados com o meio ambiente”, acrescentou Patrícia convidando “todas as empresas a aderirem de forma gratuita” uma vez que a certificação será patrocinada pela Entidade Regional de Turismo do Centro.

Igualmente presente no evento esteve o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, acompanhado pelo vereador do Turismo, Luís Dias. Manuel Valamatos disse acreditar numa rede de operadores similares e na importância de sensibilizar outros operadores para esta nova realidade turística notando que o turismo rural “está em crescimento” e considerando que a pandemia trouxe “uma nova oportunidade para o interior”. Para o autarca “temos de trabalhar todos para um ambiente melhor”.

O alojamento local Amendoeiras House possui uma área dedicada à compostagem. Créditos: mediotejo.net

Quanto aos promotores do projeto: “Estamos bem com o resultado. Estamos contentes”, assegura Carlos. O futuro passará por substituir o mobiliário de jardim ainda existente, como mesas e cadeiras, por madeira “mas só no fim de vida delas, para não haver desperdício”.

O Amendoeiras House está preparado para receber até cinco pessoas, oferecendo dois quartos, cozinha totalmente equipada, sala de estar/jantar, numa lógia de “bed & breakfast”. Tem à disposição jogos de tabuleiro, mini golf, duas bicicletas, remo e bicicleta estática.

Nas proximidades deste projeto que visa também reforçar o desenvolvimento integrado sustentável do território, é um reencontro com a natureza, a descoberta da gastronomia, da cultura e da história deste concelho do Médio Tejo.

Carlos Sousa é também artesão de constrói presépios artesanais com pedras do rio Tejo. Créditos: mediotejo.net

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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