Abrantes | Campanha para a Defesa da Floresta lembra que a prevenção toca a todos (C/vídeo)

Apresentação da campanha de informação e sensibilização para a defesa da floresta 2018. Maria do Céu Albuquerque

Os efeitos das alterações climáticas parecem evidentes em muitas zonas do globo, apesar de persistirem vozes em negação. Em Portugal também muita coisa já mudou. O estudioso em temas de meteorologia, Helder Silvano, esteve na apresentação da Campanha de Informação e Sensibilização para a Defesa da Floresta 2018, em Abrantes, e revelou que em 18 anos a temperatura aumentou 1,26º centígrados, com base em dados da análise da tendência da temperatura média mensal desde o ano 2000 a 2017. Os meses de julho e outubro registaram os maiores aumentos.

Passaram cinco meses desde que o concelho de Abrantes mais uma vez teve de enfrentar o fogo, com as chamas, desta vez, a chegarem ao perímetro urbano da cidade.

Temendo que o concelho, devido à desertificação, ao abandono do mundo rural e a uma população envelhecida, volte a estar em risco com os incêndios florestais no verão de 2018, muito por causa das alterações climáticas e da falta de limpeza dos terrenos, o Serviço Municipal de Proteção Civil de Abrantes apresentou esta segunda-feira, dia 15 de janeiro, no edifício Pirâmide, em Abrantes, a Campanha de Informação e Sensibilização para a Defesa da Floresta 2018, em plano de ação que toca a todos e que apresenta como lema “A sua vida não é um brinquedo, previna-se agora!”.

Foi ainda feito um ponto de situação relativo ao trabalho dos grupos constituídos no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), formados após os grandes incêndios do verão de 2017.

Foram apresentadas algumas medidas, como o reforço da equipa pluridisciplinar com a contratação de um engenheiro técnico florestal para reforçar a equipa composta por outros dois engenheiros agrónomo e geógrafo, as ações de gestão de combustíveis florestais junto das povoações ou a aquisição de uma máquina de rasto alocada à proteção civil.

Algumas apostas marcam ainda esta campanha de ação e sensibilização, como sejam a promoção de ações de formação das populações e a realização de exercícios de procedimentos de proteção civil, a campanha de sensibilização para a população em geral, ou ainda a estabilização de emergência com a prevenção da erosão.

Alguns alertas como não ser exclusivamente municipal a responsabilidade da proteção civil, frisando a presidente da Câmara Municipal de Abrantes que, de acordo com a lei do Orçamento do Estado, é da responsabilidade dos proprietários a limpeza de uma faixa, não inferior a 50 metros de largura em redor das habitações, estaleiros, armazéns e outras edificações inseridas em espaços rurais.

Mas a sessão ficou também marcada pela as alterações climáticas e pela análise gráfica da evolução das temperaturas e das humidades médias apresentada por Helder Silvano que revelou dados da temperatura média mensal entre o ano 2000 e 2017.

Em 18 anos a temperatura (de uma forma regular) aumentou nesta zona de Portugal 1,26 graus centígrados, destacou.

O mês de julho aumentou “0,16º C. Um número assustador. Mês de agosto mais uma subida 0,10º C. Isto não são sensações. É a realidade pura. Setembro 0,11º, e começa a ver-se a tendência do verão prolongar-se cada vez mais, tal qual a sensação que temos mas aqui espelhada na realidade. Outubro aumenta 0,14º” alertou Helder Silvano.

Apresentação da campanha de informação e sensibilização para a defesa da floresta 2018. Helder Silvano

A propósito do fenómeno do ártico que afetou recentemente a costa oeste dos Estados Unidos, Helder Silvano garante que Portugal não está preparado se tal fenómeno chegar ao País e questionou: “Quantos veículos de socorro temos com correntes ou equivalentes? Zero”, refere.

Observa que relativamente à humidade dá-se o fenómeno inverso. “Em fevereiro a humidade desce 0,22% e em maio desce 0,56%, julho 0,44%, agosto 0,44% e setembro 0,44%. Curiosamente a descida da humidade relativa do ar é menos pronunciada no verão do que no inverno, o que também é assustador. A humidade de todos os anos a descer numa descida de 5,4%”.

Foi contando com estes e outros dados que o Serviço Municipal de Proteção Civil construiu a Campanha de Informação e Sensibilização para a Defesa da Floresta contra os incêndios centrada em três vetores: o serviço; os planos em vigor; e o trabalho em rede. Entre as suas competências está a elaboração e implementação de planos e programas de segurança dos cidadãos bem como promover a preparação de planos de defesa das populações em caso de emergência.

“Com o reforço da equipa o que queremos é a implementação em pleno do regulamento municipal que está enquadrado na lei de bases da proteção civil” explicou a presidente da Câmara Municipal. O Plano Municipal de Emergência e o Plano Municipal da Defesa da Floresta contra Incêndios “são os dois chapéus da nossa intervenção”, acrescentou.

Igualmente promover a execução de medidas de prevenção designadamente a fiscalização de ações clandestinas propiciadoras de incêndios, explosões e outras catástrofes.

Maria do Céu Albuquerque lembrou, a propósito da recente tragédia numa Associação em Vila Nova da Rainha, no concelho de Tondela, que embora não sendo “as medidas de autoproteção uma competência direta” existe “a pertinência do trabalho que tem de ser feito ao nível das freguesias com o serviço municipal de proteção civil, com o serviço de fiscalização, que já fazemos quando nos pedem autorização para iniciativas populares, mas que agora mais se impõe”, disse.

No grupo de trabalho da prevenção “contamos com os nossos parceiros da proteção civil” disse por sua vez Inês Mariano, coordenadora da proteção civil do concelho.

A nova Coordenadora Operacional Municipal (COM), sublinhou as ações de gestão de combustíveis florestais, junto das povoações, decorrendo a primeira ação dia 20 de janeiro em Vale de Açor, na freguesia de Fontes, com início às 9h30 e encerramento às 17h00. Deu conta da constituição de unidades locais de proteção civil e da aquisição de uma máquina de rasto alocada à proteção civil.

Apresentação da campanha de informação e sensibilização para a defesa da floresta 2018. Inês Mariano

Em Vale de Açor “vamos ter a demonstração da máquina de controlo da vegetação remota que é o Pico, e a ajuda dos escuteiros”, afirmou. Esta ação “tenta mobilizar a população para a obrigatoriedade de limpar os terrenos, de mostrar que precisam de segurança e também das unidades locais de proteção civil”.

Durante a campanha serão ainda distribuídos flyers, editais a relembrar a obrigatoriedade de gestão dos combustíveis junto das povoações. A campanha de sensibilização para a população em geral, que irá decorrer de fevereiro a março de 2018, inclui a colocação de cartazes, outdoors e publicidade na fatura da água e na rede multibanco e ainda nas juntas de freguesia e escolas com a Rota pela Floresta.

“Vamos tentar chegar a todos porque o que queremos é que a população limpe os seus terrenos”, referiu Inês Mariano.

Durante a sessão foi vincado que cada cidadão é um agente da proteção civil, sendo obrigatória por lei a limpeza de uma faixa não inferior a 100 metros de largura em redor dos aglomerados populacionais, parques e polígonos industriais. Junto à rede viária terá de existir a limpeza de uma faixa não inferior a 10 metros.

Maria do Céu Albuquerque recordou que “a responsabilidade da proteção civil não é exclusivamente municipal”.

Apresentação da campanha de informação e sensibilização para a defesa da floresta 2018. Luís Damas.

Perante uma sala quase cheia, Luís Damas pronunciou-se sobre a recuperação das áreas ardidas e da missão de reflorestar dos grupos de trabalho que “já têm quatro anos”.

Destacou a estabilização de emergência, falando da prevenção da erosão com a instalação de barreiras de resíduos florestais como troncos. Referiu a diminuição da biodiversidade com a instalação de espécies indígenas por sementeira ou plantação. Focou a preservação da qualidade da água e na recuperação das infraestruturas afetadas pelos incêndios nomeadamente na rede viária florestal, pontos de água e faixas de gestão de combustível.

O engenheiro, presidente da direção da Associação de Agricultores, salientou ainda a promoção do ordenamento e gestão florestal sustentável, dando relevância à recuperação do potencial produtivo e económico das áreas percorridas por incêndios.

Da parte dos bombeiros voluntário de Abrantes, o comandante António Jesus deu conta da necessidade de, no combate, melhorar a primeira intervenção. Como? Com o aumento do número de meios do primeiro alarme. Importa também diminuir o tempo inicial de combate tendo uma primeira intervenção inferior a 10 minutos. Necessário será também dotar cada freguesia com um kit de primeira intervenção, tal como pré-posicionar, em cada freguesia, no mínimo, dois meios de primeira intervenção.

Importa ainda para o combate aos incêndios florestais “formar operadores de máquinas” bem como “aumentar o número de máquinas disponíveis” e “melhorar o sistema de abastecimento de água”.

António Jesus referiu igualmente como objetivo dos bombeiros “reduzir a distância para 8 quilómetros do percurso dos veículos ao incêndio”.

Apresentação da campanha de informação e sensibilização para a defesa da floresta 2018. António Jesus.

Os bombeiros de Abrantes querem ainda adquirir um veículo de transporte de água de grande capacidade (cerca de 30 mil litros) e de um posto de comando municipal, uma viatura auxiliar na decisão e no planeamento e no regulamento de comunicações.

Importa de igual forma dar relevo às novas tecnologias dotando todos os veículos do corpo de bombeiros com sistema de georreferenciação.

A formação profissional, onde se inclui organização do teatro de operações e segurança na frente de fogo, também está prevista.

Abrantes | O estudioso em temas de meteorologia, Helder Silvano, dá conta e revela números sobre as Alterações Climáticas dando conta do aumento da temperatura na última década, durante a apresentação da campanha da defesa da floresta 2018.

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

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