Terça-feira, Março 2, 2021
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Abrantes | Câmara aprova voto de pesar e atribui nome de José Diniz à Biblioteca Itinerante

A Câmara Municipal de Abrantes aprovou por unanimidade um voto de pesar pelo falecimento de José Diniz, dinamizador da biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian durante mais de 30 anos. Para perpetuar a sua memória, o presidente da autarquia disse que será atribuído o seu nome à Biblioteca Itinerante de Abrantes – BIA.

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José Joaquim César da Cruz Diniz, nasceu na freguesia de S. João, em Abrantes, em 17 de setembro de 1933 e faleceu a 11 de janeiro de 2021, em Coimbra, com 87 anos.

Trata-se de uma figura incontornável da sociedade abrantina, homem da cultura, figura carismática que foi dinamizador da biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian durante mais de 30 anos, na segunda metade do século XX.

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Na ocasião, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, anunciou que, por iniciativa de um grupo de cidadãos, a Câmara acolheu um conjunto de propostas que levarão a uma homenagem a realizar quando a situação pandémica o permitir, tendo adiantado que será atribuído o nome de José Diniz à Biblioteca Itinerante de Abrantes – BIA.

O voto de pesar recorda que no exercício das funções, trabalhou e conviveu com figuras máximas da intelectualidade portuguesa como Branquinho da Fonseca, António Quadros, Alexandre O’Neill ou Herberto Hélder.

Para além do amor que nutria à sua terra, facto sublinhado pelo Presidente da Câmara, a mensagem destaca a importância da sua atividade na Biblioteca Itinerante nº 32, a partir de 1963, que o tornou uma figura de referência nos concelhos de Abrantes, Sardoal, Mação, Vila de Rei, Ponte de Sor, Gavião e, mais tarde, Constância, para sucessivas gerações de leitores.

Alguns são hoje notáveis portugueses, como José Luís Peixoto, de Galveias (Ponte de Sor) que afirma ser escritor devido à sua influência.

LEIA O VOTO DE PESAR

Sobre esta figura marcante da cultura na região na última metade do século XX, o jornal mediotejo.net escreveu um obituário que pode ler AQUI.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 COMENTÁRIO

  1. Um dia, mesmo em tempos de pandemia, acordamos e deparamos com notícias que sabemos serem inevitáveis mas que por nos trazerem memórias felizes do nosso passado se tornam ainda mais tristes. Morreu o Sr. Dinis. Era das mãos dele que recebia as palavras dos outros, palavras que me davam a conhecer mundos muito maiores que o meu. Era eu um menino tonto mas ávido de ler e esses livros traziam-me o sonho de querer vir a ser quem eu não sei se sou ou alguma vez fui. Que descanse em paz, Sr. Dinis, até que muitos de nós por cá andem perdurará nas nossas memórias. Em 2011 lembrei-me de si num texto mais longo mas do qual deixo aqui parte. E é mesmo verdade, a felicidade nunca se perde se a não deixarmos de recordar.

    «As noites de quarta-feira vivia-as eu em forte ansiedade. É que, às quintas-feiras, a Biblioteca Itinerante da Gulbenkian visitava a minha cidade lá bem no alto do sopapo de terra dominado pelo velho castelo resgatado aos mouros pelas tropas de D. Afonso Henriques. Assim que as aulas terminavam, corria esbaforido com receio de perder a hora. E invariavelmente escolhia os permitidos seis dos muitos livros criteriosamente arrumados em prateleiras numa carrinha Citroen, cinzenta, conduzida pelo amável Sr. Dinis. ‘Despacha-te lá rapaz, que está na hora de ir; anda, anda, não és só tu a gostar de ler!’ Num tumulto interior, sem soltar um pio, apressava-me a fazer o registo dos livros e corria de imediato para casa dos meus avós. Subia as escadas que davam para o sótão, abria uma janela envidraçada no lado do telhado a dar para uma enorme figueira, sentava-me numa velha poltrona que tinha pertencido ao pai do meu avô e ali ficava a devorar páginas e páginas de encantar até que a tarde arrefecia e as estrelas surgiam no céu já a escurecer.»

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