Abrantes | BE revoltado com novos casos de poluição no rio Tejo

O rio Tejo volta a estar poluído. O Bloco de Esquerda denunciou a situação, dando conta de mais uma onda de poluição observada ao longo de seis dias consecutivos junto ao açude insuflável de Abrantes, notando a cor da água acastanhada e a espuma desde 27 de dezembro de 2019. O vereador Armindo Silveira levou o assunto esta terça-feira a reunião de executivo. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, manifestou-se “preocupado” sublinhando que as questões do ambiente são “fundamentais” para o executivo socialista.

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O Bloco de Esquerda vai interpelar o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, sobre um novo foco de poluição no rio Tejo, considerando que “não se pode nem se deve omitir que foram contratados novos profissionais para fiscalizar” o rio. “A cor acastanhada da água e a formação de espuma num padrão já bem conhecido”, observadas no dia 27 de dezembro de 2019, continuando o mesmo registo em janeiro, levaram o Bloco de Esquerda a emitir um comunicado de alerta e a decidir questionar o governo.

Até porque “o tão apregoado fim da impunidade ‘decretado’ pelo sr. ministro tarda em ser concretizado e já passam mais de três anos sobre estas promessas”, lê-se no comunicado enviado à comunicação social.

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O rio Tejo “continua a ser alvo de atentados ambientais como se confirma por um conjunto de observações e registos diários que se iniciaram a 1 de dezembro de 2019 e ainda continuam a 6 de janeiro de 2020. Estas observações foram registadas em vídeo e fotos, na margem direita do rio Tejo junto ao Açude de Abrantes, entre as 15h00 e as 16h00. Foram também recolhidos testemunhos de pescadores e outros cidadãos que se deslocam regularmente ao Açude Insuflável de Abrantes”, dá conta o BE, indicando que foram também recolhidos testemunhos de pescadores afirmando que “o peixe quase não existe desde o fim do mês de novembro”.

Poluição no rio Tejo. Créditos: BE

O BE constatou que nesse espaço temporal a cor acastanhada da água manteve-se e a formação de espuma “variou de intensidade conforme o caudal do rio aumentava ou diminuía”.

Os pescadores testemunharam ainda que “nas manhãs dos dias 31 de dezembro e 5 de janeiro, a espuma tinha uma altura de cerca de um metro junto a ambas as margens numa extensão considerável. Também se formavam enormes flocos que iam na corrente para jusante”.

Com base na informação dos pescadores, na manhã de 6 de janeiro, “fez-se uma observação entre as 10h00 e as 12h00 da manhã e confirmou-se a veracidade dessas informações”. No seguimento, o BE avançou com duas denúncias: “uma para a linha SOS Ambiente e Território e a outra para a PSP de Abrantes que passado pouco tempo chegou ao local”.

O tema da poluição no Tejo foi levado esta terça-feira, 7 de janeiro, à reunião de Câmara de Abrantes por Armindo Silveira. O vereador eleito pelo Bloco de Esquerda mostrou-se revoltado e disse que o seu partido repudia mais esta onda de poluição.

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

No mesmo comunicado o BE entende que “não existirá muita dificuldade” em apurar de onde vem a poluição pois “existem diversas sondas e estações de medição ao longo do rio Tejo desde a barragem de Cedillo até Constância. Também se pode recorrer aos registos da câmara instalada no edifício de apoio existente no Açude Insuflável de Abrantes para confirmar a veracidade dos factos” relatados.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos (PS), manifestou-se “preocupado”, sublinhando que as questões do ambiente são “fundamentais” para o executivo socialista tendo afirmado que o vereador Armindo Silveira “tem toda a razão”.

Aquando das “grandes chuvadas” causadas pela passagem da depressão Elsa no território nacional, “percebi logo que o Tejo não estava com um comportamento normal do ponto de vista da sua coloração”, disse o presidente, dando conta das explicações que lhe chegaram no sentido de “estar a acontecer o mesmo no Douro e em outros rios devido aos lixiviados, lamas e à intensidade da chuva. Fui acreditando até dia 31 que a cor do Tejo estava relacionada com a sujidade natural”.

Desde essa data, o prolongamento no tempo da situação e outros “sinais que nos deixam intranquilos”, alertaram o autarca para uma situação mais grave que uma mera situação pontual.

Poluição no rio Tejo. Créditos: BE

Manuel Jorge Valamatos frisou que “o rio Tejo tem de ser um elemento fundamental do nosso trabalho político. Não deixaremos que continuem a tratar mal o nosso rio Tejo” vincou, lembrando que é em Abrantes que estão sediados os novos guarda-rios. “Estas ações queremos vê-las no terreno, e segundo o engenheiro Carlos Castro [Ministério do Ambiente] estão a acontecer, mas a verdade é que continuam a existir prevaricadores”.

Da parte do Partido Social Democrata, quanto ao Tejo, o vereador Rui Santos lembra ter alertado “há anos sobre a poluição e o caudal” do rio e disse ainda ter alertado os deputados do PSD eleitos por Santarém sobre o que se está a passar no Tejo.

Considerou haver “um aproveitamento dos efeitos climatéricos” mas quanto ao rio afirma não acreditar que tais efeitos tenham como causa “apenas águas barrentas”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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