Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Quarta-feira, Junho 16, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Abrantes | BE questiona por “medidas que correram menos bem” no Projeto Educativo Municipal

Na última reunião de executivo foi aprovado o Relatório Final de Avaliação do PEM – Projeto Educativo Municipal de Abrantes. O vereador do Bloco de Esquerda questionou as razões de “algumas medidas que correram menos bem e sobre as quais a Equipa do Observatório do PEM não desenvolveu conclusões”. A vereadora Celeste Simão respondeu, tal como o presidente da autarquia, lembrando que a comunidade escolar de abrantina foi considerada de “excelência”.

- Publicidade -

O Relatório Final de Avaliação do PEM – Projeto Educativo Municipal de Abrantes “tem, inegavelmente, informação muito valiosa e, não sendo uma reunião de Câmara o local ideal para a dissecar, importa tentar perceber porque é que algumas medidas correram menos bem e sobre as quais a Equipa do Observatório do PEM não desenvolveu conclusões”, começou por dizer o vereador do Bloco de Esquerda na reunião de executivo.

O Conselho Municipal de Educação de Abrantes aprovou o relatório final de avaliação do Projeto Educativo Municipal no dia 26 de maio, desenvolvido entre os anos 2015 e 2020, e elaborado pelo Observatório do PEM, com o acompanhamento da Universidade Católica Portuguesa – Porto, e apoio da Câmara Municipal de Abrantes.

- Publicidade -

O Relatório Final do Projeto Educativo Municipal apresenta a realidade atual, mas deixa também recomendações gerais para as estratégias de futuro, sendo um trabalho inédito no concelho, garante o Município em nota de imprensa.

E nessa sequência, Armindo Silveira apresentou duas questões relativas a objetivos: “Promover e melhorar a qualidade do sucesso educativo, envolvendo toda a comunidade educativa. Sobre este objetivo, importa perceber porque é que, na generalidade (…) ‘os valores alcançados pelos alunos de Abrantes são inferiores aos dos alunos a nível nacional’”.

E “aumentar o número de alunos que completam o ensino secundário”, importa também perceber, porque é que a taxa de conclusão do 12.º de escolaridade em Abrantes igualou a do Continente nos anos de 2017 a 2019 mas continua a ser menor em cerca de 3 pp à do Médio Tejo, região da qual fazemos parte”, interrogou o vereador.

Coloca ainda quatro questões que considera estarem diretamente ou em parte, ligadas à Câmara Municipal: “Promover a igualdade no acesso ao ensino. Neste objetivo é revelado a ‘Insuficiência das medidas de promoção da igualdade no acesso ao ensino, em especial os apoios económicos’. O Município de Abrantes dispõe de um Serviço de Ação Social e faz parte da Rede Social, por isso, pergunto quais as dificuldades encontradas em dar resposta às necessidades dos alunos e alunas desfavorecidas?”, questionou Armindo Silveira.

Sobre os transportes escolares o vereador do BE refere o objetivo “adequar os transportes públicos às necessidades dos/as alunos/as. “(…) apesar da CMA avaliar como Boa a adequação dos horários dos transportes públicos às reais necessidades dos alunos, estes, entre outras respostas, afirmaram que ‘que devia haver mais autocarros’ (…) e ‘foram unânimes em afirmar que ‘os transportes públicos não têm condições’, chegando mesmo a dizer que ‘os transportes são uma miséria’, pelo que se considera que o objetivo não foi atingido. Pergunto porque é que existe discrepância entre a avaliação da CMA e os respostas dos alunos?

Outro objetivo apontado pelo vereador do BE passa por “promover a fixação de população jovem nas zonas rurais do concelho. Sobre o incumprimento deste objetivo realço duas respostas: A Junta de Freguesia de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo respondeu que ‘o investimento nas freguesias rurais ainda é muito pouco, quando comparado com a cidade’. Já a Junta de Freguesia de Bemposta refere que ‘quem tem o papel e capacidade de criar condições para a fixação dos jovens, é o Município, quando coloca à disposição dos possíveis interessados um conjunto de medidas que possam refletir a implementação de empresas e criação de emprego ou um conjunto de medidas de apoio à construção e fixação de residência’. Estas respostas ‘vieram’ de dois presidentes de duas Juntas de Freguesia governadas pelo PS. Pergunto se o executivo de maioria PS concorda com as mesmas e se não, porquê?”, volta a interrogar.

O último objetivo em causa prende-se com a revisão da Carta Educativa, questionando o executivo de maioria PS “se Carta Educativa não teve nenhuma implicação na política educativa concelhia, então porque é que foi revista em 2019/2020, aprovada pelo CME em maio de 2020 e, atualmente se encontra a aguardar a pronúncia da DGEstE?”. E por fim questiona se o PEM vai ser interrompido ou se já existe uma nova equipa para a sua revisão e prosseguimento?”.

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes por videoconferência. Créditos: mediotejo.net

Após a intervenção do vereador bloquista, o presidente da Câmara Municipal considera que a intervenção “não é original. A sua tendência é para pegar pelas abordagens menos positivas em vez de dar relevância” ao que realmente importa, como, na perspetiva de Manuel Jorge Valamatos, o facto do relatório revelar a “excelência do trabalho que é feito nas comunidades escolares” designadamente de professores, associações de pais, alunos e auxiliares de ação educativa.

Admite haver “sempre coisas que têm de ser melhoradas mas sem utopias”, disse, referindo-se, por exemplo, aos transportes públicos que transportam os alunos vincando a “dimensão geográfica do concelho e a relação populacional”.

Segundo Manuel Jorge Valamatos o relatório do PEM “deixa pistas para o futuro […] define estratégias de melhoria e perceber como podemos fazer mais e melhor”, notando que “os técnicos definem a realidade educativa abrantina de “excelência”.

Em tom critico refere que na identidade do Partido Socialista está “o sentido democrático interno. Não somos como alguns partidos parecidos com o BE, todos alinhados com ideias e princípios”.

ÁUDIO: PRESIDENTE DA CÂMARA, MANUEL JORGE VALAMATOS

Por seu lado, a vereadora Celeste Simão (PS), responsável pelo pelouro da Educação, esclarece que “nada nos obriga a adotar o PEM” mas para o PS “a política de base tem de ser a qualidade da Educação e uma escola pública para todos”.

Entre outros esclarecimentos (ouvir o áudio em baixo) Celeste Simão explica que o relatório “está validado cientificamente. Este relatório tem de refletir a realidade porque se assim não for não conseguimos avançar em termos de qualidade”.

Acrescenta que como vereadora acompanha o trabalho “mas não faço o papel de lápis azul. Neste relatório está exatamente o que o Observatório quis que estivesse”.

ÁUDIO: VEREADORA CELESTE SIMÃO

Recorda-se que o Conselho Municipal de Educação (CME) é um órgão de coordenação e consulta, estruturante para a definição da política educativa concelhia, o qual permite aos seus membros a possibilidade de aprofundarem o seu conhecimento sobre as diferentes dimensões da política educativa a nível local.

Segundo Celeste Simão, o relatório conclui que a Câmara Municipal de Abrantes “fez um elevado investimento financeiro no PEM nas ações, equipamentos e infraestruturas nas escolas”.

Em resposta às perguntas do vereador do BE, dá conta da constituição de uma equipa para a revisão do PEM, sendo que “começa a trabalhar quando o relatório for aprovado em Assembleia Municipal”.

Quanto às declarações dos presidente de Junta de Freguesia são justificadas pela vereadora socialista como sendo “as diferentes perceções das pessoas” acrescentando  que o trabalho cientifico faz a “análise dessas perceções”.

Relativamente à Carta Educativa explica que a revisão ainda está para aprovação e portanto vigora a atual Carta Educativa.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

- Publicidade -
- Publicidade -

COMENTÁRIOS

Please enter your comment!
O seu nome