Abrantes | BE pede “atuação rápida” nos pontos negros da sinistralidade rodoviária

Sinistralidade rodoviária (imagem ilustrativa). Créditos: Pixabay

Os pontos negros da sinistralidade rodoviária em Vale das Mós, São Facundo e Arreciadas foram tema levado pelo Bloco de Esquerda à última Assembleia Municipal de Abrantes por considerar representar um “risco elevado para a população”. A bancada do BE pediu “atuação rápida” nos pontos negros identificados. Manuel Valamatos (PS) garantiu que a Câmara fez “tudo para melhorar, de acordo com a estrutura técnica, e para dar a melhor resposta”.

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O Bloco de Esquerda (BE) levou para a Assembleia Municipal alguns dos locais identificados como pontos negros da sinistralidade rodoviária no concelho de Abrantes. Em sequência, o deputado municipal Pedro Grave destacou os locais de Vale das Mós, São Facundo e Arreciadas que representam maior perigo, nomeadamente a Rua Principal, na aldeia de Vale das Mós, onde o BE contabilizou dois pontos negros: “o primeiro é o estacionamento desordenado e caótico, de ambos os lados, junto às pastelarias e WC público. O trânsito fica congestionado, complica as cargas e descargas e coloca em perigo os peões. O segundo é o excesso de velocidade, especialmente junto ao Café Paredes, zona onde moram algumas crianças. E se o último atropelamento já foi há algum tempo, o perigo está sempre à espreita”, alertou Pedro Grave.

Também na rua e cruzamento principal, na aldeia de São Facundo, foram contabilizados dois pontos negros: “o primeiro é o excesso de velocidade na entrada da aldeia de São Facundo, maioritariamente por veículos circulando de Vale das Mós e até ao cruzamento principal. Além de idosos e outros adultos, residem aqui diversas crianças. O segundo é no cruzamento principal. É frequente a situação de condutores que vêm no sentido Barrada – São Facundo e Bemposta – São Facundo e não param ao STOP, atravessando o cruzamento a considerável velocidade. O último acidente já foi há algum tempo, mas o risco é evidente”, referiu o eleito.

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Por último na rua principal de Arreciadas. “O ponto negro é o excesso de velocidade na entrada da aldeia de Arreciadas por quem vem de São Facundo ou Vale de Zebrinho. O excesso de velocidade verifica-se em grande parte da rua principal. Nas primeiras casas vivem diversas crianças”.

Referidos os pontos críticos, o BE reforçou com as exposições já realizadas por eleitos do Bloco de Esquerda em sessões de Assembleias de Freguesias, em reuniões de Câmara e no Concelho Municipal de Segurança.

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“As respostas têm sido invariavelmente as mesmas: os prevaricadores não cumprem o Código da Estrada, não têm consciência, não têm civismo e não existem registos de ocorrências. Também se alega que as autoridades têm de reforçar o seu papel de fiscalização e atuar de forma eficaz face às infrações”, disse o deputado bloquista.

Mas o BE afirma que “este é um discurso já gasto” e fundamenta a afirmação: “Constatamos que estes casos já se arrastam há anos e as consciências dos prevaricadores não os têm ajudado, nem a cumprirem o Código da Estrada nem a terem boa conduta cívica; As forças de segurança têm a responsabilidade de dissuadir os prevaricadores, mas é publico que o seu efetivo é escasso e não conseguem chegar a todo o lado; Os relatos e os pedidos de ação continuam a chegar ao nosso conhecimento quase todos os dias, por isso o BE recusa que, por não estarem registadas ocorrências, não existam fundamentos para agir”.

A bancada do BE convidou “quem de direito a ir a estes locais e a outros e falar com a população para verificar a efetiva razão” desta exposição.

Pedro Grave defendeu que “face ao risco exposto, é preciso agir e já. Ouvir as populações, colocar lombas, sinais luminosos ou outra forma de eliminar os riscos. Nós não queremos receber uma má noticia um dia destes e depois ouvir a justificação que foi feito tudo o que era possível. Não, a passividade anda de braço dado com o perigo”.

O BE solicitou, por isso, ao presidente da Câmara, ao presidente da Assembleia Municipal, aos presidentes das Juntas de Freguesia, à Comunicação Social e às autoridades relevantes, que “façam chegar a quem de direito estas exposições sob pena de estarmos passivamente a permitir situações potencialmente perigosas que podem degenerar em tragédias. Exige-se atuação rápida”, invectivou.

Assembleia Municipal de Abrantes na Tagusvalley. Créditos: mediotejo.net

A resposta chegou, de seguida, pela voz do presidente da Junta de Freguesia de Bemposta, o socialista Manuel Alves, que, em defesa dos presidente de Junta, considera “fazerem bem o trabalho que lhes compete”, no que diz respeito ao trânsito dentro das suas freguesias, acrescentando que em Bemposta há sinalização e os condutores continuam a não respeitar as velocidades.

“Não me parece que tenhamos competência para nos sobrepor a quem tem essa competência”, começou por dizer Manuel João Alves, autarca numa freguesia com problemas recorrentes a este nível da (in)segurança nas estradas.

Na freguesia da Bemposta, mais concretamente na Estrada Nacional 2, “existe sinalização luminosa e tem muito mais tráfego” do que as estradas enunciadas pelo deputado municipal do BE. “Já fiz várias diligências e passam [os condutores] a 120 à hora”, assegurou o autarca.

O presidente da Junta de Freguesia de Bemposta classificou a atuação dos condutores de “irresponsabilidades”, porventura “que todos nós fazemos”, garantindo que os presidentes de Junta fazem o “seu trabalho”.

Por seu lado, Manuel Valamatos deu conta de um “estudo que define as questões da sinistralidade e dos pontos negros” no concelho de Abrantes, no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. O presidente da Câmara explicou que o estudo é feito com base em relatórios da PSP e da GNR e do IMT [Instituto da Mobilidade e dos Transportes] – entidade que regula estas situações – e temos vindo a resolver situações pontuais”.

O presidente da Câmara reforçou a ideia transmitida pelo presidente da Junta de Freguesia de Bemposta: “O problema é que há muita gente que funciona mal [na condução de veículos]”, embora reconheça também que “muita gente conduz com cuidado e que respeita as regras de trânsito”.

“Não podemos colocar milhares de passadeiras ou milhares de semáforos pelo concelho”, notou, lembrando que o território tem 714 quilómetros quadrados.

“A GNR e que a PSP têm que nos ajudar a regular aquilo que é a atividade” da circulação rodoviária, sustentou Manuel Valamatos, mas indica que, no concelho, a sinalização tem sido “reforçada” e que os pontos negros “estão identificados”.

No entanto, o presidente da Câmara não aponta como solução a colocação de lombas explicando que a resolução de um problema pode causar outro, nomeadamente aquando da circulação de ambulâncias por esses locais.

“Uma lomba pode ser a morte de um politraumatizado. Existem contra indicações para a colocação de lombas por tudo quanto é sítio. […] Não pode ser uma coisa que possa proliferar por tudo quanto é sítio”, defendeu. “Fizemos tudo para melhorar, de acordo com a estrutura técnica, para dar a melhor resposta”, assegurou, em conclusão.

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