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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Abrantes | BE diz que travessão do Pego impede conetividade fluvial

O Bloco de Esquerda apresentou uma declaração sobre o travessão do Pego, na terça-feira, 20 de fevereiro, em reunião de Executivo camarário. O vereador Armindo Silveira alertou para a falta de conectividade fluvial na zona do ‘travessão’ e para os seus impactos. O vice-presidente João Gomes garantiu que a Câmara Municipal de Abrantes (CMA) está a acompanhar o processo no sentido de perceber se a obra está concluída e conforme o projeto apresentado. Este canal de passagem tem gerado polémica, nomeadamente quanto à navegabilidade e à conectividade fluvial.

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O Bloco de Esquerda (BE) vai questionar a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) em relação ao designado ‘travessão’ do Pego (barreira que atravessa o rio Tejo), no concelho de Abrantes, no sentido de apurar “o porquê de não ter tido em conta as propostas de cidadãos, associações, pescadores, partidos políticos e outros no que concerne à conectividade fluvial”, explicou esta terça-feira em reunião camarária o vereador bloquista Armindo Silveira.

“Neste momento está uma muralha a atravessar o rio Tejo. Do lado direito, das Mouriscas, a água está a passar, penso que a intenção seja mesmo aquela” disse Armindo Silveira considerando que “a situação está pior do que estava antes”.

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O vereador referia-se à intervenção autorizada pela APA ao ‘travessão’ localizado na localidade do Pego. A PEGOP, dona da obra, teria de proceder a uma abertura que permitisse a conectividade fluvial. As medidas a concretizar passam pelo rebaixamento da muralha de pedra em um metro, o “tamponamento” da mesma e o fecho da abertura obrigando o caudal a passar por uma zona um pouco mais baixa junto à margem direita onde existe uma espécie de rampa.

Travessão do Pego

Contudo, passados dois anos o vereador do BE deslocou-se ao local, no dia 18 de fevereiro, e, afirmou, “os problemas que impedem a passagem embarcações, aparentemente, não foram resolvidos”.

Ao ler a declaração apresentada ao Executivo disse “perceber que a obra está concluída e não foi prevista a passagem de pequenas embarcações”. Trata-se de “uma reivindicação do BE, dos ativistas e das associações”. Verificou que “a ‘muralha’ de pedra se estendeu quase até à margem direita do rio Tejo onde a água flui numa ‘espécie’ de rampa. A passagem com 4 a 5 metros que foi aberta aquando da divulgação do caso em fins de 2015 foi totalmente tapada”.

Para o BE a passagem para pequenas embarcações não assegurada, representa “um revés pois sempre defendemos a conectividade fluvial. A obra como está impede a instalação e desenvolvimento de empresas ligadas ao lazer e usufruto do rio e também impede que os pescadores possam alargar a sua área de pesca”.

Em resposta, o vice-presidente deu conta que a CMA irá “aguardar” uma vez que a fiscalização do processo do ‘travessão’ é da responsabilidade da APA e lembrou que tais “intervenções não são licenciadas na CMA”.

João Gomes recordou também que “na época a PEGOP tinha um processo licenciado, avançou com a obra e na sequência de reclamações e análises, suspendeu, mostrando-se disponível para negociar, alterar o projeto para ir ao encontro das necessidades e do levantamento que foi feito para aquele local. Foi novamente submetido e aprovado pela entidade da tutela, a APA, quem faz o acompanhamento”.

Desconhecendo se a obra está concluída, João Gomes referiu que a autarquia “não quer estar a levantar qualquer suspeição”. Garantiu que a CMA “está a acompanhar o processo no sentido de perceber se a obra está terminada e em conformidade com o projeto apresentado”.

Travessão do Pego

Este canal de passagem tem gerado polémica, nomeadamente quanto à navegabilidade e à conectividade fluvial. Em julho de 2016, a APA emitiu um edital, para afixação na CMA, autorizando a utilização de recursos hídricos com vista à reabilitação do ‘travessão’ no rio Tejo, obra em nome da empresa Tejo Energia – Produção e Distribuição de Energia Elétrica, S.A.; obrigando à redução de 1 metro da construção existente naquela época.

Recorde-se que, em meados de dezembro de 2015, a APA havia confirmado que o travessão construído no rio Tejo pela Pegop, unindo as margens de Pego e Mouriscas, estava a impedir a progressão de peixes, tendo sido a empresa instruída a construir um canal que viabilizasse a sua passagem, como medida cautelar.

A 2 de julho 2016 o movimento ProTejo, em conjunto com um grupo de ativistas espanhóis, uniram-se enquanto Rede do Tejo /Red del Tajo, no 5º Vogar Contra a Indiferença, e efetuaram uma descida de canoagem que reuniu cerca de uma centena de pessoas, alertando para o obstáculo à navegabilidade, visto não ser possível a passagem de barcos tradicionais para jusante por ser considerado um risco, e considerar-se impossível a subida a montante.

O designado ‘travessão’ junto à Central Termoelétrica do Pego, é uma estrutura licenciada pela APA e edificada há 27 anos, com o objetivo de aumentar o nível da água no local e permitir a sua captação para arrefecer o vapor proveniente das turbinas da mesma central.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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