Abrantes | BE defende um “presidente presente” e PSD critica saída de Maria do Céu Albuquerque para o Governo

Vereadores da oposição comentaram a ida de Maria do Céu Albuquerque para o Governo. Foto arquivo: mediotejo.net

Maria do Céu Albuquerque deixou a presidência da Câmara Municipal de Abrantes para assumir a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional na área do Planeamento. O mediotejo.net ouviu as reações da oposição a esta escolha do primeiro-ministro, António Costa, para o cumprimento do programa do Governo.

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O vereador Armindo Silveira, eleito pelo Bloco de Esquerda (BE) desconhece se a substituição de Maria do Céu Albuquerque por Manuel Valamatos será “um ganho” embora acredite numa “presença mais assídua”. Já Rui Santos, eleito pelo Partido Social Democrata (PSD), diz que Abrantes não beneficia com Maria do Céu no Governo. A Comissão Política de Secção do PSD de Abrantes, por sua vez, fala em “falta de ética” da governante e “desconsideração pelo mandato que exercia”. 

O executivo da CM Abrantes eleito em 2017. Foto: mediotejo.net

Por se tratar de uma decisão ontem anunciada, a Armindo Silveira “falta analisar esta nomeação em vários ângulos”, notou. No entanto, lembra que Maria do Céu Albuquerque não era apenas presidente da Câmara de Abrantes mas também da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, do Tagusvalley – Parque Tecnológico do Vale do Tejo, e da Tecparques – Associação Portuguesa de Parques de Ciência e Tecnologia, o que segundo o vereador do BE impedia que a ex-presidente tivesse uma presença assídua no concelho.

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O também coordenador da comissão política concelhia do BE desconhece neste momento qual o papel que o novo presidente da Câmara vai assumir, mas sabe que “alguns cargos ocupados por Maria do Céu Albuquerque, Manuel Valamatos não vai ocupar e isso dará mais tempo ao novo presidente para estar no concelho”, uma aspiração do BE, garante Armindo Silveira.

“Que consiga num tempo mais curto dar resposta a muitos problemas que foram levantados em reunião de Câmara pelo Bloco de Esquerda” reforça, admitindo desconhecer se será “um ganho” mas acredita numa presença “mais assídua”.

Segundo o vereador, bloquista Maria do Céu Albuquerque, enquanto presidente de Câmara, “estava muito ausente do Município, tendo o Bloco de Esquerda feito algumas intervenções” nesse sentido. É certo que a ausência era justificada prontamente com um “ao serviço do Município”, lembra, mas por diversas vezes o BE considerou um ato que “minimizava o órgão Câmara Municipal”, e que, “inclusive, resultou em propostas na Assembleia Municipal de Abrantes para que a agenda da presidente fosse divulgada”.

Falando dos “estilos”, nota que Maria do Céu Albuquerque ocupava o cargo de presidente da Câmara “há muito tempo (10 anos), dominava os meandros da comunicação e nesse aspeto o novo presidente terá de fazer o caminho”, considerou, defendendo a necessidade de um “presidente presente”.

Armindo Silveira, vereador do BE na CM Abrantes. Foto; mediotejo.net

Salienta também que a saída de Maria do Céu Albuquerque da presidência do Município obriga a uma “reestruturação dos serviços da Câmara, mexendo com os pelouros, com o gabinete de apoio técnico, gabinete de comunicação e várias outras alterações”.

Ainda não são públicas as competências que passam da anterior presidente para o novo presidente da Câmara mas o vereador bloquista teme que a assunção, neste momento, de todas as competências “poderá ser um risco” para a governação da Câmara. “Estaremos atentos, porque uma coisa é certa; queremos o melhor para as populações”, garante.

Questionado se Abrantes e o Médio Tejo perdem ou ganham com a saída de Maria do Céu Albuquerque para o Ministério do Planeamento, Armindo Silveira responde com a posição da autarca relativamente à nova travessia sobre o Tejo, dizendo que “nunca iria defender a ponte em Abrantes, mas sim onde servir melhor a região”. Por isso, não crê que Abrantes possa ganhar com Maria do Céu Albuquerque no cargo de secretária de Estado do Desenvolvimento Regional. “O Médio Tejo não ganha nem perde”, entende.

Maria do Céu Albuquerque “vai encontrar uma máquina em andamento até porque o mandato vai ser muito curto” considerando até de “muito ingrato” assumir tal posição, ao não haver tempo para uma alteração estrutural. “Limitar-se-ão a seguir o planeamento que existe e por aí não vejo que possa ser mais ou menos em benefício de Abrantes, do Médio Tejo ou do Interior”, opina.

No entanto, a nível pessoal desejou “todas as felicidades” à nova secretária de Estado do Desenvolvimento Regional. Já quanto ao desempenho, Armindo Silveira manifesta dúvidas. “É difícil neste momento fazer uma avaliação. Enquanto presidente de Câmara teve o poder de decidir, o voto de qualidade, teve o poder de decidir até sobre a continuidade de algum dos vereadores, ou seja, teve um poder quase absoluto na gestão da sua equipa e do Município por força das competências que estão na lei e daquelas que lhe foram delegadas em reunião de Câmara”, considerou.

Como secretária de Estado depende do Ministro do Planeamento, “sendo a única, e se não houver uma equipa mais alargada, a decisão de António Costa, com poucos efetivos, vai no sentido de minimizar o desenvolvimento regional”, considera.

Armindo Silveira lembrou ainda uma frase que atribuiu a Maria do Céu Albuquerque durante a última campanha eleitoral, num comício na Encosta da Barata, em Abrantes: “Os candidatos do PS estão para servir a população e os candidatos de outros partidos estão para se servir da população”. No momento “de abandonar a população, veremos quem é que se serviu da população para chegar a um cargo onde estará muito pouco tempo”, concluiu.

Maria do Céu Albuquerque enquanto presidente da Câmara de Abrantes, com os vereadores Rui Santos (ao centro) e Armindo Silveira (à direita)

Albuquerque na secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional “não beneficia Abrantes” – Vereador do PSD

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Com a escolha de Maria do Céu Albuquerque para integrar o Governo, Rui Santos não se mostra surpreendido. “Todas as tomadas de posição da ex-presidente da Câmara de Abrantes indicavam que algo poderia estar no ar”. O vereador social democrata referia-se nomeadamente às transferências de competências. “Se calhar podemos dizer que terá sido uma moeda de troca. A grande maioria das câmara municipais do Médio Tejo levaram o assunto para apreciação em sessão de Câmara, em Abrantes isso não aconteceu”, nota Rui Santos, acrescentando que, “em relação às primeiras transferências publicadas foi apenas dado conhecimento e agora em relação à Saúde e à Educação nem sequer uma tomada de conhecimento foi dada aos vereadores da oposição”, criticou.

Rui Santos considera que o concelho de Abrantes “não será beneficiado com esta nomeação até porque trata-se de um curto mandato, estamos a sete meses de eleições legislativas. Não vai mudar seja o que for! Como o Partido Socialista já nos habituou em anos anteriores, tudo o que aparecer neste momento é pura campanha eleitoral”, insiste.

Relativamente à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) o vereador considera que Maria do Céu Albuquerque terá feito “mais enquanto presidente da CIMT do que enquanto presidente da Câmara Municipal de Abrantes”. E exemplifica, à semelhança da posição tomada por Armindo Silveira do BE, com a localização da nova travessia sobre o rio Tejo.

“A CIMT emitiu um comunicado que Maria do Céu Albuquerque subscrevia mas essa declaração podemos enquadrá-la como um bem estar dos 13 municípios da comunidade, depois disso vimos o presidente de Constância reivindicar a ponte para o seu concelho”, referiu, indicando esperar que o novo presidente de Abrantes tome uma posição acerca da localização da futura ponte sobre o Tejo.

Assim, a Manuel Valamatos, Rui Santos estendeu votos de um “bom mandato” esperando que “possa abrir um novo ciclo político em Abrantes. Que possa inverter o ciclo da centralização de poder, que seja um presidente que tenha maior abertura com a oposição. Terá alguns dossiers para decidir e espero que saiba ouvir a oposição independentemente daquilo que nos possa afastar” por força partidária.

Rui Batista dos Santos é vereador do PSD no executivo de Abrantes. Foto: mediotejo.net

O vereador social democrata referia-se “à promessa de um grande investimento como a empresa Tectania” reclamando “bom senso” no sentido de perceber qual o pacote financeiro que vai acompanhar as transferências de competências e ainda uma posição clara quanto ao antigo mercado. “Esperamos que o novo presidente assuma que o antigo mercado não é para demolir”, afirmou.

Rui Santos manifestou “expectativa” para os próximos dias nomeadamente sobre “quem será o novo presidente da administração dos Serviços Municipalizados de Abrantes” e disse ver em Manuel Jorge Valamatos um continuador do trabalho de Maria do Céu Albuquerque.

“Qualquer vereador tem de estar preparado para tudo. E sendo o número dois terá de estar preparado para a qualquer momento poder assumir funções”. Também espera que o novo presidente perceba que Abrantes precisa de verdadeiros investidores e que o presidente da Câmara tem de ser o grande motor não fazendo show off como tem acontecido até aqui”.

Quanto a um alegado cenário de eleições antecipadas diz “não fazer grande sentido, porque é prática a nível nacional, até dentro do PSD já aconteceu”. No entanto, defende que Maria do Céu Albuquerque deveria levar o mandato até ao fim uma vez que assumiu esse compromissivo. “A questão nacional poderia ficar para segundo plano. As eleições foram há cerca de um ano e três meses. Maria do Céu Albuquerque disse a um deputado municipal do PSD que o seu compromisso era com Abrantes e afinal não foi”.

“Falta de ética, desconsideração e desrespeito” – Comissão Política PSD Abrantes

Já a Comissão Política de Secção do PSD de Abrantes “censura a falta de ética da governante do Partido Socialista que, ao aceitar tal nomeação, manifestou desconsideração pelo mandato que exercia e desrespeito para com os Abrantinos que lho atribuíram, deixando por cumprir mais de 2 anos e meio de mandato”.

Nesse âmbito, a estrutura partidária liderada por Diogo Valentim, em comunicado, “condena veementemente o Partido Socialista por permitir tamanha violação ao cumprimento dos mandatos, possibilitando que uma autarca, cuja recandidatura não é possível, abandone as suas funções, dando espaço político a Manuel Valamatos para este preparar a sua candidatura às eleições autárquicas de 2021”.

A Comissão Política do PSD considera que “só o hábito do poder, pode normalizar um episódio como aquele a que assistimos. A instrumentalização do poder em Abrantes é evidente e deve ser combatida por todos”.

O Presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes, Diogo Valentim. Foto: mediotejo.net

Lembra ainda que “os últimos 25 anos, Abrantes perdeu população, perdeu emprego, perdeu qualidade de vida, perdeu riqueza, perdeu competitividade, perdeu oportunidades de ser maior, mais ambiciosa, mais forte. Nos últimos 15, desses 25 anos, Manuel Valamatos foi vereador da Câmara Municipal de Abrantes. Para o Partido Socialista, o homem do passado, responsável pelo estado a que chegámos, é o candidato do futuro, escolhido para mudar o que não mudou, melhorar o que não melhorou, fazer o que não fez”, pode ler-se no comunicado social democrata.

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