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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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Autárquicas/Abrantes | BE apresenta programa eleitoral com criticas ao executivo PS

“Nós aqui, em Abrantes, temos tido demasiados exemplos de porta giratória entre os poderes públicos e os negócios privados”. A acusação é da coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, que esteve este domingo, dia 17 de setembro, no Parque de São Lourenço para participar na apresentação do programa autárquico do BE para o concelho. A explanação dos compromissos que os bloquistas assumem para Abrantes e as criticas ao executivo socialista, mais concretamente à atual presidente de Câmara, Maria do Céu Albuquerque, dominaram as intervenções de Armindo Silvério (candidato do BE à presidência da edilidade), de Miguel Moreira, que falou em nome dos cabeças de lista às Juntas de Freguesia e de Joana Pascoal, que integra a lista à Assembleia Municipal.

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A coordenadora do BE, Catarina Martins, disse que “há três prioridades nas autarquias, sendo a primeira a transparência. Quando as pessoas sentem que os seus autarcas estão a tratar dos negócios privados e não do interesse público deixam de votar, de participar e é a democracia que fica mais pobre”, frisou.

Catarina Martins focou a sua intervenção no Ambiente e no rio Tejo. “A questão ambiental é muito importante porque está em questão do nosso futuro. Os efluentes industriais e o Tejo são um problema. Ninguém está a dizer que as industrias têm de fechar. O que estamos a dizer é que têm de cumprir as condições ambientais que estão na lei, isso é possível e tem de ser exigido. Uma autarquia como a de Abrantes tem de ser mais clara contra os abusos que têm sido feitos no seu concelho. Cada vez que uma autarquia fecha os olhos está a deixar que a poluição se instale”, sublinha a líder bloquista.

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Em relação aos incêndios e às suas consequências, Catarina Martins alertou para o facto de “terem ardido muitas árvores nas margens do Tejo e quando começarem as chuvas são as cinzas que vão parar ao rio. Tem de haver uma atuação determinada para tentar conter os solos. É precisar cortar, mas não cortar tudo porque é preciso conter os solos. É preciso saber fazer esse trabalho. É a nossa saúde que está em risco, é a água, é a agricultura, é o meio ambiente. Essa responsabilidade tem de ser assumida”, frisou a coordenadora do BE adiantando que “as autarquias têm de assumir essa responsabilidade através da sensibilização dos proprietários para que seja possível impor politicas que protejam as vidas de todos nós”.

Relativamente à “responsabilidade” referida, Catarina Martins questionou “se a autarquia de Abrantes está em condições de fazer este caminho. Quem sempre fechou os olhos aos problemas que determinam o nosso futuro irá agora agir?”, perguntou a líder bloquista perante uma plateia com apoiantes e simpatizantes do Bloco de Esquerda.

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Catarina Martins referiu-se à questão das florestas dizendo que “nos próximos quatro anos vai-se decidir como os planos de ordenamento florestal entram nos planos diretores municipais. Ou seja, como é que em cada concelho se vai fazer a reforma da floresta. A pergunta que faço é se uma autarquia tão permeável aos interesses económicos será capaz, na hora de fazer o ordenamento florestal, de defender as populações contra os poderosos interesses das celuloses”, questionou a líder do BE.

Durante a manhã de domingo a coordenadora do BE esteve em Santrém, cidade onde iniciou o seu périplo distrital.  Na altura também se referiu às questões ambientais defendendo que, no caso do Tejo, sejam renegociados os acordos com Espanha para exigir um caudal ecológico do rio.

Foi precisamente a falta de caudal que impediu a viagem de barco na aldeia avieira de Caneiras, concelho de Santarém, que o BE agendou para a manhã de domingo, dia 17 de setembro, para alertar para os problemas da pesca tradicional e dos efeitos da poluição no rio Tejo, a primeira ação do dia da pré-campanha da caravana bloquista.

De acordo com a líder bloquista, “há três enormes problemas do rio Tejo” que passam pela poluição, a necessidade de renegociar com Espanha caudais ecológicos do Rio Tejo e ainda a falta de perspetiva em cada concelho sobre a própria ligação ao Rio Tejo, considerando que as autarquias “têm sido silenciosas de mais”.

Armindo Silveira, candidato do Bloco de Esquerda à presidência da Câmara de Abrantes Foto: mediotejo.net

O que o executivo PS “não resolveu”

Na tarde de apresentação do programa autárquico do BE para Abrantes, Armindo Silveira, candidato à presidência do município, acusou Maria do Céu Albuquerque  de “nunca ter estado do lado do ambiente nem das populações” e de “se esconder sempre nas questões relacionadas com a poluição no Tejo”. Armindo Silveira considerou ainda que “a promiscuidade entre a política e o poder económico está bem espelhada em Abrantes”.

O candidato bloquista centrou a sua intervenção em exemplos que, segundo diz, “têm a marca de Maria do Céu Albuquerque”. “O que se está a passar no concelho de Abrantes é gravíssimo e atentatório da liberdade política”, denunciou Silveira enumerando de seguida algumas situações “não resolvidas” pelo executivo PS.

“Etar dos Carochos. Onde está o dinheiro dos efluentes não tratados que durante anos e anos foram despejados no rio Tejo, sem qualquer tratamento mas que a Câmara Municipal de Abrantes, que incorpora o projeto de Maria do Céu Albuquerque, cobrou aos habitantes de uma certa área do concelho? Ainda hoje não sabemos onde está esse dinheiro”, afirma o candidato bloquista.

Armindo Silveira deu ainda como exemplos Vale Fontina, Valnor, o terreno na zona industrial, o projeto Aquapolis e o açude insuflável que diz ter sido “o maior investimento no concelho de Abrantes, na ordem dos 15 milhões de euros, e neste momento não vale nada”.

O candidato do BE referiu também a questão do RPP Solar. Silveira considera que “os munícipes de Abrantes foram espoliados em mais de um milhão de euros, porque o executivo municipal não incluiu uma cláusula de reversão. Quem negociou este projeto, bem ou mal, foi o senhor Nelson de Carvalho, que saiu da Câmara Municipal de Abrantes e que foi para diretor de formação da RPP Solar”, afirmou o candidato acrescentando que” a falta de transparência acontece muitas vezes neste município”.

A demolição do mercado municipal foi outros dos assuntos evidenciados por Armindo Silveira denunciando o processo de votação. “Propusemos a não demolição do Mercado Municipal, fomos a plenário e votação deu empate. Depois houve uma recontagem que deu vitória ao PS e à demolição. Por que é que isto aconteceu? Porque havia pessoas que estavam na rua, que não tinham votado e foram chamadas para que pudessem ser incluídas na recontagem dos votos. É isto que acontece com o PS e com esta recandidatura”, acusa o candidato do BE.

Armindo Silveira disse ainda que o Bloco de Esquerda “defende uma sociedade inclusiva e uma sustentabilidade ambiental. Nós vamos marcar aqui a nossa presença. Nós não somos só mais um candidatura. Estamos a competir com uma candidatura que é protagonizada por Maria do Céu Albuquerque, que subiu ao poder em 2009 e assentou a sua governação numa maioria que em 2013 foi ainda mais expressiva. As politicas que já eram dramáticas foram validadas nas urnas. E quando a senhora presidente diz que o BE não resolve, o BE, na oposição, já está a resolver os problemas deste concelho”, conclui Armindo Silveira.

Miguel Moreira falou em nome dos cabeças de lista à Juntas de Freguesia Foto: mediotejo.net

Miguel Moreira, por sua vez, falou em nome dos cabeças de lista às Juntas de Freguesia e considerou terem sido desconsiderados pela candidata do PS à Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque.

O candidato do BE recordou as palavras da atual presidente de Câmara, enquanto candidata socialista: “Disse [Maria do Céu Albuquerque] que o PS tem os únicos candidatos com projeto, que têm equipa, que têm estratégia, que querem governar para servir as pessoas e não para se servir a si próprios”, citou Miguel Moreira comentando de seguida: “Esta afirmação foi de uma infelicidade enorme. Penso que a senhora candidata está ainda tempo de se vir retratar e de nos vir pedir desculpa. Nem de propósito vi um cartaz do candidato do PS à União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede onde se apresenta, profissionalmente, como presidente de Junta. Ora bem, neste caso tenho a dizer que tenho profissão antes de chegar a esta candidatura e, com certeza, continuarei ter depois desta candidatura. Se há exemplo de alguém que se serve da politica, dos projetos, de certeza que não estão no BE”, frisou Miguel Moreira.

Joana Pascoal apresentou o programa do BE Foto: mediotejo.net

Joana Pascoal, que integra a lista à Assembleia Municipal apresentou resumidamente o programa do Bloco de Esquerda que assenta em sete compromissos: direitos sociais, cidadania e transparência, economia, reabilitação e emprego, cultura, educação, descentralização e ambiente e sustentabilidade. Este último compromisso o BE assume como sendo a “génese do Bloco de Esquerda”.

Empenho, rigor, isenção e transparência são valores defendidos pelo BE, a par de um processo de descentralização, da participação ativa das populações e da educação, que consideram ser um instrumento de construção de uma sociedade mais justa.

Catarina Martins aplaudiu o programa apresentado tendo seguido depois para Tomar onde terminou o seu dia de pré-campanha pelo distrito de Santarém (ver vídeo)

 

C/Lusa

 

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

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