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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Abrantes | Autarquia aliena imóvel a ex-embaixador espanhol, BE critica

A Câmara Municipal de Abrantes alienou por 35 mil euros um imóvel municipal que serve de garagem de um pequeno logradouro junto à Igreja de São João, no centro histórico da cidade, sendo o comprador um antigo embaixador espanhol, que ali quer criar um atelier de pintura.

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A presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque (PS) levou a proposta à última reunião de executivo tendo a mesmo sido aprovada por maioria, com voto contra do vereador do BE, Armindo Silveira, que leu a declaração de voto num momento que gerou alguma discussão.

“Estamos a propor a alienação por 35 mil euros, que diz respeito ao valor da alienação do imóvel em causa. Tínhamos considerado, inicialmente, demolir aquele imóvel e deixar que aquele espaço respirasse e que a própria volumetria da Igreja pudesse ganhar com isso”, começou por referir a presidente da autarquia de Abrantes.

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“O que é facto”, continuou, “é que não é possível deitar abaixo aquele imóvel por estar nas imediações da Igreja e inclusivamente porque podia fragilizar a própria estrutura da Igreja. Existe este comprador interessado, um senhor espanhol, um antigo embaixador espanhol que se enamorou da nossa cidade e de uma casa em concreto, e a condição que coloca para poder adquirir a casa é fazer ali (…) um atelier de pintura. Basicamente, nós congratulamo-nos com o facto de vermos aquele problema resolvido, congratulamo-nos com o facto de alguém ter escolhido a nossa cidade para poder fazer este investimento e isto também diz respeito àquilo que é a dinâmica que estamos a assistir no nosso centro histórico, [dinâmica] privada na reabilitação de imóveis que se encontravam em avançado estado de degradação”, defendeu a autarca.

O vereador Armindo Silveira pediu a palavra para anunciar, desde logo, o voto contra, tendo manifestado dúvidas sobre os problemas da demolição do edifício em causa. “Antes de mais, estar a dizer que a demolição daquele edifício mete em causa a estrutura da Igreja… a Igreja já lá está há séculos e aquela casa foi feita há 80 ou 100 anos…”, observou, tendo o vereador João Gomes (PS) lembrado que a autarquia tem um “parecer da DGPC a aconselhar a manutenção daquele espaço devidamente classificado”.

O vereador Armindo Silveira manifestou-se, em jeito de dúvida (– “Ah!…enfim…”), o que levou a presidente Maria do Céu Albuquerque a intervir: “Não, não é ‘enfim’! Não é ‘enfim’… é um parecer que é vinculativo, senhor vereador. Não lhe admito, é que não lhe admito mesmo, na reunião de Câmara esse tipo de insinuação e de comportamento! Não lhe admito!”

O vereador do BE leria de seguida a declaração de voto contra: “No sentido de devolver o antigo enquadramento e dignificar um espaço onde tantos cidadãos e turistas circulam, na reunião de Câmara do corrente ano, salvo erro em junho, o Bloco de Esquerda propôs a demolição do imóvel agora objeto de venda. Na altura fui informado pela senhora presidente da Câmara, e pelo senhor vice-presidente da Câmara, o senhor João Caseiro Gomes, que o imóvel estava no plano de intervenção. Talvez seja este plano que esteve na origem da compra do imóvel em 28 de fevereiro de 2003 pelo então executivo da Câmara Municipal de Abrantes, também do PS. É com surpresa que recebemos esta decisão de venda, com a qual não concordamos, e reiteramos a proposta de demolição. Face ao exposto, votamos contra”, concluiu, não sem antes a presidente de Câmara retorquir.

“Muito bem. Declaração de voto. Nesta declaração de voto se percebe a inconsistência e a incoerência daquilo que são as propostas do Bloco de Esquerda no município de Abrantes, porque eu acabei de deixar bem explicito que há um investidor que nos interessa acolher, que vai fazer um investimento de grande monta, comprando e reabilitando para habitação própria um imóvel muito significativo no nosso centro histórico e que a aquisição daquele espaço era condição ‘sine qua non’ para poder contribuir. Sendo certo que nós quando defendemos políticas públicas temos de ser consistentes nas nossas propostas. Nós não podemos querer atrair mais pessoas e reabilitar o nosso centro histórico e depois, quando temos oportunidade, sermos os primeiros a votar contra. Tenho dito.”

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Muito sinceramente não percebo esta birra do Sr. Silveira. Em termos arquitétonicos, o edifício em causa, não é feio, nem está desenquadrado e é muito bem vinda a proposta de alguém que, tal como eu, se apercebeu do potencial do edifício e não o viu como uma simples e suja garagem. Neste caso, apoio a CMA à qual dou os meus parabéns pela decisão.

    • Sr. João Fernandes aceito a sua opinião ao nível da arquitectura, do enquadramento e também da proposta do privado, agora referir que a posição do BE é uma birra minha revela uma faceta do Sr. João Fernandes que eu desconhecia.
      Relembro que em junho o BE tinha feita uma proposta de demolição do imóvel. Aguarde por mais desenvolvimentos deste caso. Armindo Silveira

      • Carissímo Sr. Silveira, considero esta, uma birra pessoal sua e não do BE, embora represente este partido. Parece revelar no seu comentário alguma frustração que, muito provavelmente, transporta para as reuniões de Camâra e o que aconcelho, é que tenha calma. Para concluir, o meu nome é João Fernando e não Fernandes e não me parece que alguma vez nos tenhamos cruzado.

  2. Mais uma vez a Câmara deve ter tomado as suas decisões através de compadrio e interesses !!!! Uma vez que não se demolia aquele imóvel (antiga Manutenção Militar) porque não reabilitar aquele espaço com um investimento municipal que poderia ser a construção indexada à Igreja duma Casa Mortuária condigna ?!! Mas o privado e os seus interesses continuam a ter primazia sobre os Munícipes !!!

  3. Que o Silveira me desculpe mas também sou a favor da manutenção daquele espaço. O edifício não é feio de todo e um atelier de pintura no local é aprazível e o facto de adquirir uma casa é uma mais valia a equacionar. É certo que a demolição do edifício daria uma melhor visibilidade à Igreja, mas perante as condições de aquisição, sou de opinião na sua manutenção. O que não sou é a favor das explicações dadas pela Presidente da Câmara. E a razão é simples. Essa senhora diz que: «…é que não é possível deitar abaixo aquele imóvel por estar nas imediações da Igreja e inclusivamente porque podia fragilizar a própria estrutura da Igreja….». Isto é muito vago e uma mera sua opinião. O facto é onde é que está o Relatório científico/ técnico feito por instituição credível como o LNEC, que diga dessa impossibilidade? Por outro, qual a razão da DGPC “aconselhar”, antes exigir na minha opinião, a classificação do imóvel? Parece-nos que a razão é simples é que este devia ser demolido efectivamente e classifica-lo resolve essa questão dotando o edifício de importância que efectivamente não tem.

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