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Sábado, Junho 19, 2021

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Abrantes | Autarcas querem inclusão de IC9 e nova travessia sobre o Tejo no Plano de Recuperação e Resiliência

A execução do troço do Itinerário Complementar (IC) 9 com ligação à A23 não está incluída Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Essa exclusão foi levada hoje a reunião de executivo em Abrantes pelo vereador eleito pelo BE. Também o vereador do PSD deixou um alerta e a posição do seu partido notando igualmente que o PRR exclui essa ligação rodoviária bem como a nova travessia sobre o Tejo. O presidente da autarquia, Manuel Jorge Valamatos (PS) lembrou que Abrantes tem lutado e assegura que continuará a lutar pela conclusão do IC9.

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A execução do troço do Itinerário Complementar 9 (IC9) com ligação à A23 é uma antiga aspiração de autarcas de municípios do Médio Tejo, como Abrantes e Constância e até do Alto Alentejo, como Ponte de Sor, uma vez que permitirá estabelecer ligação a partir dessa zona até àquela cidade do Alto Alentejo, num projeto que inclui a construção de uma nova travessia sobre o rio Tejo, na zona de Tramagal. Mas a obra de ligação do IC9 à A23 não consta do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o tema foi abordado na última reunião de executivo municipal.

O vereador Armindo Silveira, do Bloco de Esquerda, considerou que “o que está plasmado no documento em consulta pública acaba por ser um entrave ao desenvolvimento de uma vasta região onde se inclui o corredor internacional”, referindo-se ao IC9.

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Manifestando “preocupação”, disse que “a conclusão do IC9 e consequentemente a construção na nova ponte entre Abrantes e Tramagal não consta do PRR” atualmente em consulta pública até ao dia 1 de março. Para o BE tal deve receber “uma resposta inequívoca de todos os elementos do executivo municipal”.

Entende o Bloco de Esquerda que “não podemos deixar passar mais uma possibilidade de financiamento sob pena de adiarmos por muitos anos a concretização desta infraestrutura. Quiçá condenar ao fracasso algumas empresas já instaladas e o comércio que ainda resiste”, notou.

Em sequência, propôs que o executivo “solicite uma reunião urgente ao Ministério do Planeamento para que seja vincada a importância vital desta infraestrutura para o desenvolvimento de toda uma região. A sua não concretização trará consequências muito nefastas”, alertou.

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes por videoconferência. Créditos: mediotejo.net

Recorda-se que o PRR, já considerado pelo presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Manuel Machado, como um documento que não segue o “princípio da descentralização administrativa”, pretende ser um amplo documento estratégico onde estão plasmadas reformas estruturais fundamentais para assegurar a saída da crise pandémica e garantir um futuro resiliente para Portugal.

Dotado com 672,5 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência é o principal elemento do pacote de recuperação acordado em 2020 pela UE para fazer face à crise social e económica provocada pela pandemia de covid-19, o NextGenerationEU.

No PRR, para o aumento da capacidade da rede rodoviária nacional, estão previstos então 362,9 milhões de euros. A ideia do Governo passa por promover a eliminação de travessias urbanas e a adequação da capacidade, reduzindo tempos de percurso, gases poluentes e situações de congestionamento, bem como reforçar as acessibilidades aos grandes corredores e às interfaces multimodais, aligeirando custos de contexto ao tecido empresarial e potenciando investimentos já realizados nas infraestruturas conexas.

Diga-se que para o Médio Tejo prevê-se, unicamente, as já há muito anunciadas acessibilidades à Zona Industrial de Riachos.

OIÇA AQUI O VEREADOR ARMINDO SILVEIRA

Na reunião de executivo, do lado do Partido Social Democrata, o vereador Rui Santos, referiu duas propostas que enviou para o presidente e respetiva vereação relacionadas com o PRR e a exclusão da ligação rodoviária do IC9 à A23 no documento, bem como a ponte sobre o rio Tejo lembrando que integra o Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030. “Mas nunca é demais podermos incluí-la noutros planos, é um sinal que todos estamos preocupados”, fez notar .

As propostas do PSD, que se prendem com a ligação rodoviária do IC9 à A23 e também com o Terminal 3 do Aeroporto de Lisboa em Tancos, acabaram por não ser votadas na reunião desta terça-feira devido a questões “administrativas” do regimento, justificou o presidente, Manuel Jorge Valamatos.

Ainda assim, ficou o “alerta que a Câmara pode até ao dia 1 de março incluir estas duas obras”, disse Rui Santos.

O vereador do PSD lembrou que a obra “irá permitir a criação de uma verdadeira ligação rodoviária do Sul em direção ao Centro e Norte do País. É uma solução que já está estudada há muitos anos” e além disso retirará a circulação de trânsito pesado de dentro da cidade de Abrantes com origem no Sul do concelho e no Alentejo.

“Seria a abertura de novas perspetivas de desenvolvimento e subsequente investimento na zona industrial do Tramagal” e fora do concelho de Abrantes, acrescenta Rui Santos, dando conta que “seria uma obra muito importante em relação ao complexo militar de Santa Margarida”.

Quanto ao Terminal 3 do Aeroporto a ser construído em Tancos “é um assunto que tem vindo a ser discutido na Comunidade Intermunicipal e merece a aprovação de muitos concelhos. Para nós abrantinos seria uma excelente obra, teríamos um aeroporto às portas da nossa cidade, que teria uma ligação quer a Norte quer a Sul, facilitada por via ferroviária, quer por via rodoviária. Em termos de turismo seria muito bom”, defendeu.

OIÇA AQUI O VEREADOR RUI SANTOS

Em resposta, Manuel Jorge Valamatos (PS) manifestou-se “completamente de acordo” considerando o aeroporto de Tancos “uma base aérea importantíssima para o desenvolvimento da nossa região. No âmbito da Comunidade Intermunicipal temos manifestado isso em vários documentos”. Ideia “validada por todos os municípios do Médio Tejo”, assegurou.

Quanto ao IC9, o presidente notou que o executivo municipal “tem lutado pelo IC9, mantê-lo e afirmá-lo” no Plano Nacional Rodoviário. O IC9 “para nós é de afirmação desta região. A ligação ao Sul, designadamente a Ponte de Sor e até ao Algarve, é importantíssima. Partes já foram construídas […] a conclusão do IC9 é determinante para o nosso desenvolvimento. E quando se falam de assimetrias entre o litoral e o interior reforço sempre esta necessidade da conclusão do IC9. Aqui o Governo daria um sinal importantíssimo do que defende, de maior unidade do território. Temos de ir das palavras aos atos. Espero que esta obra se concretize”.

Manuel Jorge Valamatos deu conta que no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo os municípios preparam contributos ao PRR onde “a nossa preocupação relativamente ao IC9 serão incluídas. Este trabalho está a ser feito […] todos temos de puxar por esta conclusão do IC9”, defendeu.

OIÇA AQUI O PRESIDENTE MANUEL JORGE VALAMATOS

Sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, o primeiro-ministro, António Costa, já veio apelar a contributos, para melhorar o documento que vai definir a forma como vão ser aplicados os 14 mil milhões de euros, a fundo perdido, de verbas comunitárias, e esta manhã o vereador Rui Santos também apelou a que o Município de Abrantes até dia 1 de março inclua no portal da consulta pública do PRR a ligação do IC9 à A23.

“Gostaria que saísse da reunião um compromisso do presidente, se não viesse a ser incluída no documento da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo”, insistiu Rui Santos.

Nessa sequência, Manuel Jorge Valamatos garantiu que no âmbito individual o Município de Abrantes “vai-se manifestar”.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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