Abrantes | Associação Comercial e Empresarial celebra 99 anos em pandemia e apela a compras no comércio local

Joaquim Serras, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação de Vila de Rei. Créditos. mediotejo.net

Em período de pandemia e de dificuldades acrescidas para o tecido comercial e empresarial da região, a ACE – Associação Comercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei comemora este ano 99 anos de vida ao serviço das empresas locais. O mediotejo.net conversou com o seu presidente sobre a história, o impacto da pandemia nos cinco concelhos da sua abrangência, e o futuro do setor de comércio e serviços.  Joaquim Serras apelou às compras no comércio local, indicou mais de um milhão de euros investidos em formação profissional e deu conta de uma revindicação em contexto de pandemia: redução em 40% do montante das rendas entre 1 de abril e 31 de dezembro de 2020, com suspensão da taxa liberatória a que estão sujeitos os senhorios em termos de IRS.

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No momento que Portugal – e toda a Europa – vive uma crise económica, consequência da covid-19, a Associação Comercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei celebra 99 anos de existência (foi fundada a 16 de julho de 1921), ao longo dos quais “sempre procurou interceder e defender o interesse dos seus associados”, e agora mais do que nunca. Até planeia dinamizar um conjunto diversificado de atividades, inseridas na Comemoração do Centenário, pese embora a incerteza quanto às possibilidades e calendário, motivadas pelas restrições da pandemia.

Com uma estratégia que obriga, porventura, a uma nova visão do futuro, o balanço desta Associação com um passado quase secular “é claramente positivo”, disse ao mediotejo.net o presidente Joaquim Serras. Uma Associação “que está junto dos comerciantes e dos empresários no seu dia a dia. Trabalhamos com o comércio e com os serviços de proximidade e estamos à distância de uma visita às nossas instalações, de um telefonema ou quando as pessoas nos encontram na rua e colocam questões. Se a Associação não existisse faria certamente muita falta aos associados com negócios na região”, assegura.

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Corria o longínquo ano de 1921, quando um grupo de ilustres lojistas abrantinos organizaram a criação de uma Associação representativa da classe. O dia 27 de março marcou a instalação da Associação designada “Associação Comercial dos Lojistas de Abrantes”, numa sessão que decorreu no Salão Nobre do Sindicato Agrícola de Abrantes, presidida por Francisco Egídio Salgueiro.

A 13 de junho desse ano foram aprovados os Estatutos da Associação Comercial dos Lojistas de Abrantes e os da Associação Comercial e Industrial de Abrantes, antevendo já dificuldades na sua aprovação. Ambos os Estatutos foram aprovados pelo Governo a 16 de julho de 1921. Posteriormente, a direção da Associação de Lojistas de Abrantes requereu autorização ao Governo para poder designar-se “Associação Comercial e Industrial de Abrantes”. Dessa data até à atualidade ocorreram mudanças estruturais, de denominação, mas o essencial mantém-se.

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Contando com 558 empresas associadas, distribuídas pelos cinco concelhos da área de abrangência, a designada Associação Comercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei tem como missão a defesa dos legítimos direitos e interesses dos comerciantes dos concelhos da sua área de intervenção.

Neste período de pandemia, as dificuldades avolumam-se para o tecido comercial e empresarial da região. “Quando a pandemia surgiu em março, e depois com o confinamento, muitos dos nossos associados pararam completamente a atividade. Fecharam as portas. Falamos do comércio e retalho, do canal Horeca que envolve hotéis, restaurantes, cafés. Atualmente, não estão completamente restabelecidos, usufruíram de alguns apoios mas para quem recebe são sempre insuficientes. Até porque há uma parte dos custos que é suportada pelas empresas e outra pelos trabalhadores no caso do lay-off. Ou seja, há uma série de custos fixos aos quais não conseguem fugir e vão certamente afetar os resultados”, nota o presidente da ACE.

Para Joaquim Serras “a situação agrava-se a cada dia. Vai-se degradando e quanto mais tempo demorar a resolução, maior será o impacto”. Apesar do panorama nacional do desenvolvimento da pandemia, com surtos preocupantes em algumas zonas do País, na sub-região do Médio Tejo os números são mais tranquilizadores.

“O que tem ajudado os consumidores e clientes a ganharem alguma confiança, mas muitas pessoas continuam sem ir aos cafés, aos restaurantes e às lojas. Neste momento ainda há estabelecimentos com quebras superiores a 50%. O setor dos eventos, por exemplo, está praticamente parado mas os investimentos foram feitos”, nota.

Tendo como exemplo os associados da ACE, Joaquim Serras assegura que apesar das adversidades “não baixam os braços e têm feito de tudo para manter as casas a funcionar”. As maiores dificuldades reportadas passam “pela falta de clientela e pelos apoios do lay-off” designadamente no que toca aos empresários em nome individual.

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“Receberam alguns apoios muito ténues”, diz. Dificuldades também da parte “dos sócios-gerentes para quem primeiro não existia apoios, depois era pelo volume de faturação e depois passou pelo número de empregados e em muitos casos não receberam apoio porque não estavam dentro dos parâmetros exigidos. Falamos de quem tem iniciativa e está à frente dos negócios e muitas vezes trabalha 14 horas por dia”, sublinha.

No entanto, Joaquim reconhece a mais valia dos apoios estatais e também dos municipais. Aponta ainda a moratória bancária. “Não tendo as empresas esses resultados, não geram fundos financeiros para pagar os créditos. Permitiu que até março do próximo ano possam optar por não pagar nem capital nem juros, ou pagar só os juros e todo o empréstimo é adiado. Ainda assim é um empréstimo, vai ter de ser pago! Da mesma forma que os impostos, havendo a possibilidade de pagar em prestações, mas vão ter de pagar e alguns agora”, observa o representante dos comerciantes.

No caso dos associados da ACE, são poucas as empresas que pediram adesão ao lay-off e que ainda não receberam os apoios. “São casos pontuais que por algum motivo a Segurança Social não conseguiu tratar a informação atempadamente. Mas mesmo os casos mais complexos, nas últimas semanas, foram todos tratados”, assegura.

Joaquim Serras menciona igualmente o Programa Adaptar que permite a empresas com até 10 empregados “possam fazer compras de produtos de proteção da covid-19, bens de investimento como consumíveis, máscaras, gel, acrílicos. São financiados a 80% com um limite máximo de 5 mil euros e um mínimo de 500 euros. E um programa para as pequenas empresas que pode ir até 30 mil euros financiado a 50%, ou seja todos estes apoios são importantes” no contexto que atravessamos “embora represente mais um custo” que surge diretamente da pandemia.

Serras deu ainda conta que, no âmbito do processo de confinamento, os associados da ACE consideraram as restrições ajustadas. “Não existe insatisfação. Não se sabia o que estava a acontecer, ninguém se sentia seguro, e quando a pandemia atingiu determinado ponto a vontade de todos era fechar, até porque sem clientes” não há negócio.

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Joaquim Serras, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação de Vila de Rei. Créditos. mediotejo.net

Reivindicação de medidas na área das rendas comerciais

O principal setor em que a ACE tem mais associados é do comércio e retalho, seguindo-se a restauração e bebidas, depois o comércio a retalho de produtos alimentares, a seguir a construção e por último as atividades de apoio social com alojamento.

“Tivemos 37 entradas em 2019 e em 2020 entraram 24 novas empresas associadas. Já conseguimos, em média, mais do que no ano passado”, indica Joaquim Serras. Falando em números, durante o período de Estado de Emergência, a ACE enviou aos associados 45 comunicados. “Todos os dias saía legislação, por vezes contrariava a que tinha sido publicada inicialmente, depois novas normas… não tem sido nada fácil”, observa.

A Associação Comercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei, um dos membros fundadores da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, apresenta por isso “uma revindicação”, uma proposta para um regime excepcional para o pagamento de rendas devidas no âmbito dos contratos de arrendamento urbano não habitacional no contexto da pandemia.

A Confederação – tal como a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal e a Associação das Marcas de Retalho e Restauração – considera de “elementar justiça que os custos do arrendamento não habitacional, tal como já aconteceu com outros custos, possam ser repartidos entre empresas, senhorios e também pelo Estado”.

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A ACE vem por isso afirmar “a necessidade urgente de se adotarem medidas na área das rendas comerciais, uma vez que não é possível para a generalidade das empresas manter, nesta fase, os mesmos custos fixos que existiam no período pré covid-19”.

Defendem que as lojas de rua “tenham uma redução de 40% do montante das rendas entre 1 de abril e 31 de dezembro de 2020, e que exista para os senhorios a suspensão, no mesmo período, da taxa liberatória de 28% a que estão sujeitos em termos de IRS”. Significa isto que “uma parte seria comparticipada pelo Estado (28%) e os senhorios suportariam 12%. Seria uma forma de reduzir os custos às empresas”.

Procura de alojamento local com piscina aumenta 400%

Para reduzir os impactos da pandemia, Joaquim Serras apela à confiança dos consumidores garantindo que as medidas de segurança são aplicadas. Que “ganhem confiança, comprem no comércio local, frequentem restaurantes e não se esqueçam de quem lá estava quando precisaram”.

Lembra que durante o Estado de Emergência, no período do confinamento, “os minimercados todos aumentaram a faturação. É bom que as pessoas continuem a manter essa procura das lojas de bairro, que comprem mais no comércio tradicional, e que possamos mudar um pouco os nossos hábitos de consumo também no sentido de ajudar os comerciantes a ultrapassar esta fase. Com as devidas medidas podemos retomar um certa normalidade”.

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Por outro lado, “empresas online aumentaram as vendas” durante o confinamento. “Outras passaram a entregar os produtos em casa, surgiram empresas novas de entrega ao domicilio com vendas na internet de produtos locais. Algumas passaram a vender produtos de proteção uma vez que se podem enquadrar naquilo que são os objetos sociais das empresas. As pessoas tiveram de se adaptar”, notou.

Sendo que alguns setores nunca pararam como “da construção civil, das madeiras, todos aqueles que trabalham com empresas. O setor do Turismo foi prejudicado, mas no interior a procura de alojamento local com piscina subiu a procura e os preços. Só a pesquisa numa plataforma aumentou 400%”, deu conta aquele responsável.

Seis empresas associadas encerraram portas

No entanto, a pandemia de covid-19 levou a que seis empresas associadas da ACE encerrassem definitivamente as portas. Segundo Joaquim Serras a pandemia “antecipou aquilo que iria acontecer. Os empresários já pensavam em encerrar, mais mês menos mês, preparavam-se para fechar. As empresas sólidas, que estavam a funcionar e que tinham a intenção de prosperar mantiveram-se no ativo, embora os resultados não sejam os melhores”, reconhece.

Para além dos diversos serviços disponibilizados aos seus associados – como participação em feiras, livro de reclamações, protocolos de medicina no trabalho, apoio na abertura de estabelecimentos e respetivos requisitos, mapa de férias, mapa de horário de trabalho, certificados energéticos, apoios ao empreendedorismo, aconselhamento e apoio técnico às empresas, ou formação profissional – atualmente a ACE encontra-se a dinamizar um conjunto de Programas de Apoio Empresarial, destinados às Micros, Pequenas e Médias Empresas da Região.

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Designadamente: Os Programas “Dinamizar” e “Melhor Turismo2020” possibilitarão a 35 empresas associadas receberem, sem custos, apoio especializado de Consultores e Formadores em áreas tão diversas como de economia digital, gestão da inovação, capitalização e optimização de recursos financeiros e gestão de empresas; com um total de investimento aprovado de cerca de 380 mil euros. Estes Programas enquadram-se no Quadro Comunitário de apoio Portugal2020, sendo cofinanciados pelo Estado português e o Fundo Social Europeu (FSE). Os Programas de Formação Modular Certificada permitirão aos recursos humanos das empresas associadas melhorarem as suas qualificações através de formação profissional.

Nos anos de 2017 e 2018 “tivemos no programa Dinamizar 25 empresas e um valor global de investimento de 355 mil e 400 euros. Totalmente executado. Tivemos em 2018 e 2019, 25 empresas com valor global de 261 mil e 600 euros que ainda está em execução. Ligado ao Turismo entre 2017 e 2018 interviemos em 16 empresas com 152 mil euros de investimento, em 2018, 2019 e até 2021 temos mais 10 empresas com 18 mil euros. E demos formação a 660 formandos em 2019 e formação a 237 formandos em 2020”. Ou seja, em programas de formação e consultoria a Associação investiu 1.378.637,40 euros, indica Joaquim Serras.

Objetivos que promovem o desenvolvimento empresarial

São objetivos da ACE, definidos em sede de Estatutos: Representar, defender e promover os interesses comuns dos associados, seu prestígio e dignificação; Participar na definição da política geral do comércio, das normas de acesso à atividade, dos esquemas de integração dos comerciantes no regime de segurança social; Integrar-se em uniões, federações e confederações ou afins de interesse para a associação; Organizar serviços, propor e implementar iniciativas, quer ao nível da promoção do desenvolvimento empresarial quer em termos dinamização e reforço do movimento associativo.

E ainda promover um espírito de solidariedade e apoio entre os seus associados com vista à manutenção de um clima de progresso do País e de uma justa Paz Social; Colaborar com os organismos e outras entidades, para a solução dos problemas jurídicos, económicos, sociais e fiscais dos sectores que representa; Participar e representar os associados nas Contratações Coletivas de Trabalho; recolher e divulgar informações e elementos estatísticos de interesse dos sectores que representa, bem como organizar e manter atualizado o cadastro dos seus associados; Promover a formação profissional dos associados, através da realização de cursos, que podem abranger outras entidades ou instituições, publicas ou privadas.

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Comemorações do centenário da ACE

Até ao Centenário, a celebrar a 16 de julho de 2021, a ACE tem previstas uma série de atividades cuja realização dependerá do evoluir da pandemia, nomeadamente: Dinamização da Comunicação com os diversos públicos da Associação; Organização de Jantares de Networking Empresarial; Organização de Ciclo de Seminários: Desafios Empresariais no Interior do País (Turismo, Retalho, Serviços); Disponibilização de novos serviços aos Associados; Implementação de um Concurso de Ideias – destinado à área comercial; Organização de Evento Motivacional (financiado pelo FinAbrantes); Publicação de uma Revista Temática dedicada ao Comércio e Empresas da Região; Distinção aos Associados mais antigos; Realização de uma Feira Empresarial; e Realização de uma Gala do Centenário.

Depois de ter adoptado várias designações, em setembro de 1995, os novos estatutos da Associação foram revistos e aprovados em Assembleia Geral, passando assim a ter mais um concelho (Mação) na sua área de abrangência bem como mais uma área de atividade – a dos Serviços – e passa a denominar-se Associação Comercial e Serviços dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, com instalações próprias, assumindo-se como um importante parceiro socioeconómico da sua região de intervenção.

Após vários anos com sede na Rua da Barca, em 1992 foram inauguradas as novas
instalações no lote 1 da Rua de Angola, em Abrantes.

Em 2011, o concelho de Vila de Rei passou a integrar a área de abrangência desta Associação, alterando assim a sua denominação para Associação Comercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei.

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