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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Abrantes | Assembleia Municipal une-se pelo CRIA e aprova moção de apelo ao ministro da Segurança Social

A Assembleia Municipal de Abrantes (AMA), unida em benefício do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA), aprovou uma moção que solicita ao ministro da Solidariedade e Segurança Social as medidas necessárias na resolução dos atuais problemas financeiros. A instituição abrantina foi tema central da reunião ordinária dos deputados municipais, numa sessão que durou praticamente 7 horas e onde compareceram elementos da Comissão de Trabalhadores da instituição.

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A moção ‘CRIA – Assegurar a missão de serviço à comunidade’ da AMA, reunida em unanimidade, foi aprovada, esta sexta-feira 30 de novembro, para solicitar ao ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, bem como ao Instituto da Segurança Social IP, que “no âmbito das suas atribuições, competências e responsabilidades, e em concertação com a direção do CRIA, tomem as medidas que julguem necessárias para a estabilidade da organização”.

A proposta pretende ainda “a continuidade das restruturações/reorganizações adequadas, em vista a resolver os problemas identificados e a solidificar a estrutura económica e financeira da instituição, de modo a que o CRIA esteja plenamente apto ao cumprimento da sua missão no serviço à comunidade”, pode ler-se no documento.

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A moção, inicialmente apresentada pelo Partido Socialista, acabou por espelhar uma posição concertada de todas as bancadas com assento parlamentar, trocando-se até o logotipo do PS pelo do Município, após várias horas de discussão entre os deputados municipais e algumas explicações, quer da parte da vereadora Celeste Simão com o pelouro da Ação Social na Câmara Municipal de Abrantes, quer também do coordenador da Comissão de Trabalhadores do CRIA, José Silva.

O documento lembra que o CRIA “é uma Instituição Particular de Solidariedade Social com mais de 40 anos. Tem como objetivos promover o acolhimento, a qualificação, a adaptação e a integração das pessoas portadoras de deficiência na vida familiar e na sociedade, através da educação, da formação profissional, das atividades ocupacionais e da permanência em lar residencial”. E tem por missão “educar, formar, ocupar e integrar pessoas com deficiência. Apoiar a integração familiar e social de crianças, jovens e adultos garantindo a satisfação das necessidades apresentadas pela comunidade, a qualidade e a equidade, numa perspetiva de eficiência e melhoria contínua”.

Os deputados municipais reconheceram no CRIA “uma trajetória de dificuldades orçamentais e de tesouraria, identificada pelo menos desde 2010 quer nos pareceres do Conselho Fiscal quer em relatório de ROC de 2013”, admitindo “que estas dificuldades financeiras colocam em risco o bom funcionamento da Instituição, nomeadamente no garante e na qualidade dos serviços prestados aos utentes, bem como, as obrigações salariais auferidas pelos colaboradores e funcionários do CRIA”.

A Assembleia Municipal de Abrantes teve vários trabalhadores do CRIA presentes na sala. Foto: mediotejo.net

Os eleitos pelos vários partidos certificaram ainda que “a direção do CRIA tem vindo a identificar os problemas e as soluções a implementar” e que tem dado “conhecimento à tutela (Ministério da Segurança Social e, em particular, ao Instituto da Segurança Social) dos problemas e das perspetivas de solução e a concertar as modalidades de intervenção daqueles organismos, no âmbito das suas competências”.

Por seu lado, Celeste Simão deu conta de acompanhar a situação financeira da Instituição não só enquanto vereadora responsável pela Ação Social mas também na qualidade de presidente da Rede Social, garantindo que nas reuniões realizadas com o Instituto da Segurança Social e com a direção do CRIA procedeu-se a “uma análise detalhada da situação e foi apresentada uma proposta para deliberação no sentido de pedir a intervenção da Segurança Social, ou seja, a entidade que tutela o financiamento que entra do CRIA” explicou.

Disse que o presidente da direção aceitou a proposta “de imediato” e em articulação com o diretor distrital da Segurança Social, Renato Bento, desenvolveram as necessárias diligências. A proposta foi, entretanto, encaminhada para a Segurança Social. “A partir deste momento é a Segurança Social que desencadeia todo o processo até à criação de uma suposta comissão. Não temos a certeza que comissão será esta porque quem a determina será o Instituto da Segurança Social, em parceria com o Ministério Público. Não sabemos quantas pessoas terá a comissão nem quem serão as pessoas”, esclareceu.

Celeste Simão assegurou que a Câmara Municipal “estará sempre disponível tendo em conta os utentes, os trabalhadores, o trabalho que a instituição desenvolve e a sua importância” na região.

Tal como o mediotejo.net noticiou anteriormente, citando o presidente da direção Nelson de Carvalho, a pedido da direção do CRIA a Segurança Social deverá assumir até ao Natal os destinos da Instituição através de uma comissão administrativa mista. O responsável entende a intervenção da tutela como “a melhor solução”.

José Silva, coordenador da Comissão de Trabalhadores do CRIA, falou na Assembleia Municipal de Abrantes. Foto: mediotejo.net

No mesmo sentido vai o entendimento do coordenador da Comissão de Trabalhadores, José Silva, que disse ontem aos deputados municipais entender ser “a melhor” solução e “a única possível neste momento” para viabilizar o CRIA. Considerando que a Instituição atravessa uma situação “crítica” preferiu “não discutir os conteúdos” e perante a posição da AMA, os representantes dos trabalhadores da instituição presentes na sessão optaram por não ler o manifesto preparado para a ocasião.

Na passada quarta-feira (28 de novembro), Nelson de Carvalho garantiu, relativamente ao pagamento das prestações em atraso aos trabalhadores, que “em novembro a direção pagará o vencimento por inteiro, provavelmente pagará a totalidade do subsídio de férias… ainda estamos a fazer contas mas pagaremos pelo menos uma parte substancial”.

Dá conta ainda de terem sido “recuperados os pagamentos aos fornecedores”. Com o fim do projeto CLDS 3G em agosto último, “o saldo final foi pedido e se chegar, entretanto, pagaremos o subsídio de natal”, concluiu.

Nesta sessão da AMA, o Partido Social Democrata também tentou incluir na ordem de trabalhos uma moção pelo CRIA onde pedia algumas explicações sobre a eventual comissão administrativa de gestão, mas acabou por retirar a intenção, para ser apresentada na próxima sessão da Assembleia Municipal.

O CRIA tem cerca de 200 associados, uma centena de funcionários e perto de 1,5 milhão de euros de orçamento anual, prestando serviço a centenas de pessoas com deficiência nos vários concelhos da região do Médio Tejo e concelhos limítrofes.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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