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Domingo, Novembro 28, 2021

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Abrantes assegura 45 ME de Fundo de Transição Justa por fecho da Central do Pego (C/VIDEO)

O governo assegurou um pacote financeiro de 45 milhões de euros para Abrantes e para o Médio Tejo do Fundo de Transição Justa no âmbito do encerramento da central a carvão do Pego, avançou o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, numa informação confirmada ainda este sábado pelo ministro do Ambiente e da Ação Climática. Matos Fernandes disse que as medidas financeiras de apoio estão direcionadas para a proteção social e formação dos trabalhadores, para apoio a novas empresas que se possam vir a instalar, e ainda para projetos na área das novas energias e na transição digital.

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Em declarações aos jornalistas nesta tarde de sábado, o presidente da Câmara de Abrantes, presente na manifestação dos trabalhadores da central preocupados com o seu futuro, vincou a importância de “acompanhar a sua formação, reformulação profissional e estabilidade social”, dos cerca de 150 trabalhadores (diretos e indiretos) uma vez que, notou, “o encerramento da central a carvão não está em causa”, sendo a questão da descarbonização um “elemento central das políticas que o mundo tem de agarrar”.

Afirmando-se “triste e desconfortável” com um processo que “gostaria que tivesse sido feito de forma diferente e com algumas questões antecipadas”, sentimento que disse ter transmitido ao ministro da tutela, Manuel Jorge Valamatos disse ter a garantia de apoios na ordem dos 45 ME no âmbito do Fundo de Transição Justa, para minorar uma “ferida que se abre, em termos económicos, de forma significativa” com o encerramento da central.

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“Ontem conseguimos consolidar 45 ME para o nosso concelho e para a nossa região, a partir do Fundo de Transição Justa, com um caderno de encargos que visa apoiar a instalação de empresas e a valorização de outras que estão aqui, com novos projetos”, disse o autarca, dando conta do resultado de uma reunião de trabalho que reuniu várias entidades, entre elas o ministro do Ambiente, a ministra da Coesão Territorial, e a presidente da CIM Médio Tejo, Anabela Freitas.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes. Foto: mediotejo.net

“É isso que nós queremos, por um lado mais dinamismo económico para a nossa região, mitigando os efeitos da perda da central a carvão, e simultaneamente tomar conta das 150 pessoas e criar-lhes novas oportunidade de trabalho e de formação”, sublinhou Manuel Jorge Valamatos, dando ainda conta da expectativa de Abrantes “vir a ter um bom projeto para o futuro da central do Pego”, no concurso público de reconversão em curso.

Esta noite, em entrevista à RTP 3, João Matos Fernandes confirmou o fecho da central a carvão a 30 de novembro e disse que até ao final do mês o governo vai apresentar medidas num “pacote com três fatias”, envolvendo um montante entre 40 a 45 milhões de euros para o concelho de Abrantes, pelo fecho da central, montante que beneficiará igualmente os municípios do Médio Tejo, também afetados economicamente pelo encerramento da central, indo ao encontro das declarações de Manuel Jorge Valamatos.

O ministro disse que vai “festejar o facto de Portugal ser um dos primeiros países do mundo a deixar de produzir eletricidade a partir do carvão” e afirmou a preocupação pelo futuro dos 85 trabalhadores da Central do Pego, a par dos indiretos.

Nesse sentido, Matos Fernandes disse que as medidas financeiras de apoio estão direcionadas para a proteção social e a formação dos trabalhadores, para apoio a Abrantes e ao território envolvente relativamente a novas empresas que se possam vir a instalar, e ainda para projetos na área das novas energias e na transição digital.

Abrantes assegura 45 ME de Fundo de Transição Justa por fecho da Central do Pego. Foto: David Belém Pereira/mediotejo.net

O ministro do Ambiente disse ainda que o pacote é financiado por fundos comunitários no âmbito do Fundo de Transição Justa, num processo de economia descarbonizada alavancado por entidades privadas, e apontou a um “novo território fundado numa economia de energias renováveis e de gases renováveis, como o hidrogénio verde”.

COP26 | Expectativas razoavelmente cumpridas, diz ministro do Ambiente

O ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, considerou hoje que as expectativas da cimeira do clima em Glasgow (COP26) foram “razoavelmente cumpridas” e que, ainda que se pudesse ter ido mais longe, há um acordo.

“Foram razoavelmente cumpridas as expectativas da COP, que era anunciada como a COP mais importante depois de Paris. Estamos a falar de um exercício multilateral, e, ainda que haja algumas partes deste acordo em que manifestamente devíamos ter ido mais longe, eu começo por dizer uma coisa: há acordo, coisa que não tivemos em Madrid, não tivemos em Katovice [as duas anteriores reuniões da ONU], disse o ministro.

Em declarações à Agência Lusa, João Pedro Matos Fernandes apontou como bons resultados o facto de se ter resolvido “de uma vez por todas” o livro de regras, “com boas soluções para a transparência, claras, iguais para todos”, com boas soluções também para as contribuições de cada país para reduzir os gases com efeito de estufa (as chamadas NDC), a cada cinco anos e projetadas a 10.

ÁUDIO | JOÃO MATOS FERNANDES, MINISTRO DO AMBIENTE:

E depois também um artigo sobre os mecanismos de mercado, “que de alguma forma limitam aquilo que era a quantidade de créditos atribuídos em anos passados”.

“Além disto há claramente a meta de 1,5ºC (graus celsius), com compromisso de reduzir até 2030 em 45% as emissões comparadas com 2010, isto fica escrito e é da maior importância”, disse o governante, acrescentando: “Manifestamente trabalhou-se bem nestes 15 dias”.

Sobre o fim do carvão e dos combustíveis fósseis o ministro disse que Portugal preferia, “obviamente”, a primeira versão, que falava do desaparecimento do carvão, em vez da aprovada, que fala da redução. “Mas seja como for isso nunca tinha sido escrito. E há um acordo de todos os países para tal”, observou.

Quanto ao financiamento, João Pedro Matos Fernandes considerou que se está no caminho dos apoios de 100 mil milhões prometidos, e disse que esse vai ser o grande tema da próxima cimeira, no Egito, porque se os países ricos não conseguirem este valor os países em vias de desenvolvimento vão ter boas razões para se queixar.

“E uma coisa que eu considero muito importante e que nos batemos desde o primeiro dia, é que o dinheiro para a adaptação duplica”, já com verbas para perdas e danos do passado, disse ainda o ministro do Ambiente, concluído que “as partes estiveram à altura do compromisso”.

E acrescentou: “Não saímos daqui certamente com 1,5ºC assegurados (…)  mas com um caminho para o 1,5ºC muito bem desenhado, e a fortíssima expectativa é que cinco anos depois de Glasgow, ou 10 anos depois de Paris, o somatório das NDC então já correspondam a 1,5ºC”.

O ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes. Créditos: Portugal.gov.pt

A 26.ª conferência do clima das Nações Unidas (COP26) decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de covid-19, segundo a ONU, que estima que ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

A noticia foi avançada no dia em que os trabalhadores da Central Termoelétrica do Pego, em Abrantes, a única ainda a funcionar a carvão em Portugal, exigiram ao Governo que “reverta a decisão de encerramento” daquela unidade, previsto para 30 de novembro, recusando cair no desemprego.

Notícia relacionada:

Abrantes | Trabalhadores pedem adiamento do fecho da central a carvão do Pego

c/Lusa

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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