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Domingo, Julho 25, 2021

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Abrantes | Arrancou a Mostra de Teatro com sabor a iguaria local (c/ vídeo)

O pano da Mostra de Teatro de Abrantes subiu no cineteatro S. Pedro no pretérito sábado com a peça “A Partilha”. Uma das quatro que fazem parte do cartaz da iniciativa organizada há 11 anos pelo Grupo de Teatro Palha de Abrantes, do qual a encenadora Helena Bandos e o ator Luís Antunes fazem parte desde o primeiro minuto. Foi no palco da sede do grupo com nome de iguaria local que conversámos sobre os últimos 19 anos e a mostra que leva o teatro à cidade e às freguesias do concelho. 

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Este sábado, dia 27, as partilhas serão feitas entre os grupos de teatro visitantes e a população local. O Grupo de Teatro Alguidar de Lapa Furada (Leiria) leva a peça infantil “Aquilo” ao Centro Cívico de Alferrarede Velha, pelas 17h00. A Casa do Povo de S. Miguel do Rio Torto e a Sociedade Recreativa do Souto recebem os espetáculos “Flor Alma Espanca” do Grupo de Teatro Renascer (Esmoriz) e “Vanessa vai à Luta” do Grupo de Teatro Ensaiarte (Pinhal Novo), às 21h30, respetivamente.

 O Grupo de Teatro Palha de Abrantes celebra duas décadas de existência em 2018 e os primeiros passos tiveram bênção divina. São Domingos abençoou os ensaios no antigo convento onde hoje se situa a Biblioteca Municipal António Botto, a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes a estreia nas estreias e São Pedro as subidas ao palco no cineteatro depois do espaço ser renovado em 2001.

Do lado terreno esteve Helena Bandos, professora apostada em estimular nos alunos da Escola Dr. Solano de Abreu o gosto pela matéria e pelo teatro desde o ano letivo 1988/89. Os incentivos dos lhe eram mais próximos foram fortalecidos pelos do encenador João Alvim e o convite da associação Palha de Abrantes para criar um grupo de teatro abrantino. O desafio chegou na hora certa, quando decidia como ocupar o tempo extra da reforma e dar continuidade ao trabalho desenvolvido com os jovens atores da escola.

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Juntou o útil ao agradável e em 1998 nasceu o Grupo de Teatro Palha de Abrantes. Os anúncios foram espalhados e apareceram 30 pessoas de todas as idades das quais ficaria o “núcleo” constituído por 10. Entre elas estava Luís Antunes, antigo aluno da Escola Manuel Fernandes, que se juntou aos estudantes da Escola Dr. Solano de Abreu e outros amantes de teatro na sessão de apresentação com Helena e Rosa Garcia.

A Partilha. Foto: José Bandos

Na pouca bagagem que levou para o Convento de São Domingos estavam nomes de peso, como Bertolt Brecht, a que juntou Cervantes ao protagonizar o “Velho Ciumento” na sua estreia com o grupo. A peça “Restos”, a partir do texto de Bernardo Santareno, ocupou-os no ano seguinte com a preparação e esteve em cena mais de dois anos. A pesquisa intensa e a recolha de testemunhos resultaram num espetáculo que marcou o público abrantino e ainda dava mote para conversas de viagem de comboio anos depois.

Uma das caraterísticas distintivas do Grupo Palha de Abrantes são as peças que levam ao palco, de todos os tipos e épocas, ora abanando consciências, ora embalando através da beleza através de personagens muito diferentes. Alguns exemplos são a secretária feia de “A Menina Feia” (Frederico Pressler), a bela “Sapateira Prodigiosa” (Garcia Lorca), o velho avarento da “Comédia da Marmita” (Plauto), os “Dois Irmãos” Lev e Boris de Fausto Paravidino, a empregada do interior e a patroa moderna de “Fulaninha e Dona Coisa” (Noemi Marinho) ou o cego de “A Caixa” (Prista Monteiro).

“Antero de Quental” também ganhou vida pelo grupo de teatro com nome de iguaria local na peça criada a partir do texto do abrantino José Heleno, cujo livro foi editado pelo grupo em 2006 e levou à colocação da estrutura que tapa o antigo fosso de orquestra e ali se mantém até aos dias de hoje. José-Alberto Marques, o autor torrejano que residente em Abrantes também inspirou subidas ao palco no espetáculo de homenagem aos seus 40 anos de carreira literária que envolveu outros grupos culturais do concelho.

A Partilha. Foto: José Bandos

A formação desempenha um papel de relevo e todos os anos é alocada uma verba para esta área que já se traduziu na realização de diversos workshops na sede atual. Antes do antigo espaço da Cruz Vermelha na Rua de S. Pedro – com obras previstas que deixam no ar a incerteza quanto ao futuro – o grupo passou pelo Convento de São Domingos, pela Rua da Sardinha e até pela casa de Helena Bandos, que acabou por criar os filhos “no teatro” e transmitir o gosto ao neto Miguel que já sabe o que quer ser “quando for grande”: ator.

Neste “grupo de teatro de amadores feito de forma profissional” os cargos profissionais e os títulos não existem, existem as pessoas. Até à data as entradas e saídas em palco foram sendo acompanhadas pelas entradas e saídas de elementos, não só no grupo de adultos que neste momento tem entre 15 a 25 pessoas, mas também no grupo infantojuvenil, com crianças com mais de 10 anos, que deverá voltar a funcionar a partir do próximo mês de outubro.

Outra marca distintiva é a itinerância e a aplicação do modelo nacional de descentralização cultural à escala local, levando o teatro a sair da sala de espetáculos por excelência da cidade e a percorrer as freguesias do concelho com paragem em espaços associativos. Um conceito materializado a partir da segunda Mostra de Teatro de Abrantes que organizam desde 2005. As visitas multiplicaram-se desde então e este ano privilegiam a zona norte do concelho.

A Partilha. Foto: José Bandos

A décima primeira edição da mostra teve início no sábado, dia 20, com a peça “A Partilha”, escrita por Miguel Falabella e adaptada por Helena Bandos e Rita Nazaré. A luz e o som oram entregues a Mauro Moura, dinamizador do projeto Bi-Dom Academia Criativa, e o design a José Luiz Moreira. Pelo palco passaram as atrizes Conceição Fonseca, Conceição Pereira, Marta Carmo e Sónia Lourenço para interpretar o reencontro de Selma, Maria Lúcia, Regina e Laura no funeral da mãe.

O luto das irmãs da Chainça transformou-se em gargalhadas do público com as peripécias destas mulheres que acabam por partilhar mais do que os bens da herança. A lista não é vasta, mas destaca-se a loiça em que se bebeu Todi como se não existisse dia seguinte, assim como o apartamento com vista para o rio e direito a torcicolo. Entre discussões e devaneios as quatro descobrem que o “objeto” mais valioso que partilham é o amor entre si.

Este sábado, dia 27, as partilhas serão feitas entre os grupos de teatro visitantes e a população local. O Grupo de Teatro Alguidar de Lapa Furada (Leiria) leva a peça infantil “Aquilo” ao Centro Cívico de Alferrarede Velha, pelas 17h00. A Casa do Povo de S. Miguel do Rio Torto e a Sociedade Recreativa do Souto recebem os espetáculos “Flor Alma Espanca” do Grupo de Teatro Renascer (Esmoriz) e “Vanessa vai à Luta” do Grupo de Teatro Ensaiarte (Pinhal Novo), às 21h30, respetivamente.

A Partilha. Foto: José Bandos

A XI Mostra de Teatro de Abrantes despede-se nessa data, mas o Grupo de Teatro Palha de Abrantes depressa estará de volta aos palcos pois o espetáculo não pode parar e 2018 é ano redondo com a comemoração do seu 20º aniversário. A efeméride promete trazer momentos simbólicos, entre eles a edição de um livro comemorativo para o qual o grupo procura apoios.Os interessados apenas têm de responder afirmativamente à pergunta com que Helena Bandos diz lançar desafios: “Topas?”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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