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Quinta-feira, Maio 13, 2021

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Abrantes | Aprovado projeto de 2 milhões de euros para obras no Cineteatro São Pedro

Conheça os pormenores do projeto de reabilitação do edifício histórico da cidade, apresentados em reunião de câmara

O projeto da empreitada de “Restauro, Reabilitação, Remodelação e Ampliação do Edifício do Cineteatro São Pedro em Abrantes” foi aprovado, tal como a abertura do procedimento, na terça-feira, 27 de abril, em reunião de executivo. Segundo o presidente da autarquia a obra, que custará 1.8 milhões de euros, deve arrancar dentro de seis meses.

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O projeto para reabilitação do Cineteatro São Pedro já havia sido aprovado, num investimento de 1.799.580,00 euros. As mudanças passam pela ampliação em terreno contíguo, de modo a garantir uma melhor acessibilidade ao edifício, nomeadamente, para cargas e descargas, para garantir mais uma saída de emergência e ainda uma zona verde para eventos ao ar livre. Por outro lado, o palco vai ser aumentado, a régie é transferida para o balcão conhecido como ‘piolho’, que deixa de existir com lugares sentados, e o sistema de aquecimento da sala passará a estar debaixo das cadeiras.

O executivo municipal aprovou então o projeto de empreitada, uma obra com previsão de arrancar dentro de seis meses “se tudo correr dentro da normalidade”, sendo uma obra para 540 dias, disse o presidente Manuel Valamatos após uma pergunta do vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira. Mas o prazo encurta-se no que toca ao encerramento do procedimento que segundo o edil terá de fechar “até dia 30 de abril”, ficando também com condições reunidas para candidatar a obra a comparticipação financeira por fundos comunitários, no âmbito da CCDR Centro.

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“A partir daí lançaremos a empreitada para reabilitar o nosso Cineteatro São Pedro, dos abrantinos […]. A forma como está estruturado é um grande auditório, uma grande sala que os abrantinos merecem e seguramente será um polo central da cultura na nossa região”, disse.

Projeto Cineteatro São Pedro, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O edifício carece de uma profunda intervenção, resultado da degradação em que se encontra atualmente o espaço, referiu também. Manuel Valamatos deu conta do Município ter adquirido uma parcela de terreno da paróquia para permitir outras ações. “Vamos ficar com um espaço muito maior para eventos no exterior e também cargas e descargas”, explicou.

Garantiu ainda que será mantido “todo o rosto” do edifício: “Não vamos descaracterizar, vamos manter toda aquela estrutura, renovada mas com as mesmas linguagens, as fachadas pintadas, requalificadas.”

Para o presidente a requalificação irá trazer “uma nova capacidade ao Cineteatro São Pedro e devolvê-lo aos abrantinos, como todos merecem”.

O novo Cineteatro contará com um auditório com 386 lugares, sendo 246 na plateia, prevendo “lugares para pessoas com mobilidade condicionada na primeira e na última fila”, explica, por sua vez, o vice-presidente João Gomes.

Projeto Cineteatro São Pedro, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O palco “será aumentado em toda a sua dimensão”, reduzindo duas filas de cadeiras, e “vai descer, perdendo a ligeira inclinação para ficar nivelado”. Um nível abaixo do palco “nasce uma porta, onde teremos a monta-cargas que irá permitir a sublevação dos equipamentos para os espetáculos”, avançou.

No piso 1, com primeiro balcão e sala polivalente, haverá 140 lugares. E ainda “uma copa de apoio e elevador que permite zona de circulação”, acrescenta o vice-presidente, falando ainda do piso 2, onde ficará a régie.

Do lado do Partido Social Democrata, o vereador Rui Santos afirmou ser este “o projeto que neste mandato, em três anos e meio, me dá mais gosto aprovar. Espero depois poder estar, enquanto abrantino, na sua inauguração”.

Em jeito de conclusão, o presidente manifestou-se satisfeito com o trabalho apresentado. “”stá de acordo com as nossas expectativas. Julgo que é um investimento equilibrado para voltar a dar a este edifício uma dignidade maior, do ponto de vista cultural.”

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ABRANTES

 

Historicamente, e segundo a Direção-Geral do Património Cultural, o Cineteatro São Pedro “foi encomenda de um grupo de cidadãos de Abrantes”, que depois se constituiu em sociedade comercial – Iniciativas de Abrantes, Lda.

Foi levantado no local onde outrora esteve edificada a igreja de São Pedro (1708), destruída para a construção do Cineteatro, e abriu as portas a 19 de fevereiro de 1949. O projeto do arquiteto Ruy Jervis d’Athouguia, datado de 1947, foi de alguma forma condicionado quer pela implantação do edifício no terreno, quer pelas fundações já existentes de um primeiro projeto, datado de 1946, da autoria do arquiteto Amílcar Pinto.

Implantado no Centro Histórico de Abrantes, tem a fachada principal virada a Norte, para o Largo de S. Pedro, nas imediações do Adro da Igreja de S. Vicente. Apresenta planta retangular, desenvolvida segundo o eixo Norte-Sul, com corpo de camarins e salão de festas adossado à caixa de palco e parte da plateia. A volumetria é horizontal, com aproveitamento de desnível do terreno, e as coberturas são mistas, em terraço e telhado, escondidas pelo remate murário.

Projeto Cineteatro São Pedro, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

A um rigoroso funcionalismo do espaço interno, transparecendo no tratamento das fachadas, associa-se um elaborado projeto de decoração de interiores, ainda visível nos revestimentos do pavimento do átrio e do foyer do 1.º balcão e nos revestimentos das fachadas com placas cerâmicas negras conjugadas com as janelas de vários lumes generosamente rasgadas.

A distribuição dos espaços funcionais internos encontra-se organizada da seguinte forma: no corpo principal sucedem-se os espaços de estar e de apoio, o espaço cénico (o auditório e o espaço técnico e de cena – a caixa de palco; o corpo adossado à fachada lateral Oeste ficou reservado para os espaços de apoio à cena (camarins) além de incluir o salão de festas (1.º piso) e um foyer ao nível da plateia. Ultrapassada a entrada principal, abre-se o foyer térreo, acedendo-se à plateia por vão rasgado na parede fronteira ao 1.º balcão pela escada situada junto ao paramento esquerdo.

Os foyer do 1 e 2.º balcões sobrepõem-se ao térreo e beneficiam da iluminação natural garantida pelo envidraçado do pano central saliente da fachada principal”.

Projeto Cineteatro São Pedro, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Entre 2000 e 2001 foram realizadas obras de remodelação arquitetónica no imóvel, que se traduziam na recuperação dos interiores e dos exteriores, financiada no âmbito do Programa Operacional da Cultura. As obras finalizaram em 2001, reinaugurando-se o Cineteatro a 5 de julho desse mesmo ano com a presença do então Presidente da República, Jorge Sampaio.

O edifico está encerrado desde 30 de janeiro de 2018 e, dois anos depois de impasse negocial, em dezembro de 2019 foram encontradas as condições necessárias para a compra do Cineteatro São Pedro por parte do Município.

Dois dias antes do encerramento terminara o contrato de comodato de cedência do imóvel que a CMA mantinha através de um protocolo com a sociedade comercial, proprietária da sala de espetáculos. O contrato havia sido celebrado por um período de 19 anos, com gestão municipal do edifício, visando a reabilitação do teatro.

Projeto Cineteatro São Pedro, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O Cineteatro São Pedro passou definitivamente para o património do Município, em contrato formalizado no dia 21 de julho de 2020. O presidente da Câmara Municipal de Abrantes e os representantes da sociedade Iniciativas de Abrantes Lda. assinaram naquele dia a escritura de compra e venda do imóvel.

O valor da aquisição foi de 470 mil euros, cujo pagamento será formalizado com 71 mil euros a pagar depois do necessário visto do Tribunal de Contas. O restante valor será pago em seis prestações de 66.500 euros cada, até 2026.

A proposta foi aprovada por unanimidade em reunião de Câmara.

Projeto Cineteatro São Pedro, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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