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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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Abrantes | Antigo Mercado Diário já tem projeto vencedor para a sua reconversão

A dupla de arquitetos José Maria Cumbre e Nuno Sousa Caetano venceu o concurso público internacional de conceção para a elaboração do projeto de reconversão em Multiusos do antigo edifício do Mercado Municipal de Abrantes, foi hoje anunciado na reunião do executivo municipal que homologou o relatório final do júri.

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A proposta vencedora mantém e preserva as duas fachadas principais do edifício, em linha com o compromisso assumido pelo atual executivo e de acordo com o que estava expresso no programa preliminar do concurso. Acresce que o Plano de Urbanização de Abrantes (PUA) encontra-se em fase de alterações pontuais, onde se inclui a área de intervenção do projeto a concurso, sendo que a proposta vencedora servirá de suporte à fundamentação das alterações previstas.

A proposta vencedora, aprovada por maioria, propõe um espaço aberto para a realização de eventos, uma praça exterior, zonas pedonais e acesso facilitado ao edifício e à entrada no Centro Histórico da cidade, dotando-a de uma identidade urbana.

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Para o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, “a reconversão do antigo Mercado Municipal em Edifício Multiusos e a requalificação da área envolvente, constituem uma oportunidade ímpar de devolver à cidade um espaço de encontro e de memória coletiva, contribuindo ainda para a qualificação do acesso ao Centro Histórico de Abrantes”. Foto: CMA

O projeto foi aprovado com os votos favoráveis dos vereadores do PS e do PSD e teve o voto contra do eleito do BE, que teceu duras críticas ao processo, rebatidas pelo presidente da autarquia, o socialista Manuel Jorge Valamatos. 

“Como sabem há três coisas das quais não abrimos mão: manter a linguagem e a identidade do espaço; mecanismos facilitadores de acesso ao Vale da Fontinha; e o princípio de ter um espaço capaz de receber grandes eventos, concertos e festas de juventude”, começou por dizer o presidente da Câmara de Abrantes dando exemplos de eventos de grande dimensão.

Segundo Manuel Jorge Valamatos (PS) o executivo quer “ter este espaço renovado e vamos fazê-lo de acordo com o que me comprometi. Esta é a ideia e agora vamos avançar para a elaboração do projeto e quando o tivermos concluído vamos levar a Assembleia Municipal”.

Projeto de “Reconversão do Antigo Mercado Municipal de Abrantes em Multiusos”. Créditos: mediotejo.net

“A ideia é ter no primeiro andar um espaço open space, grande, amplo que permita qualquer evento, no segundo andar pode ser um cinema ou auditório ou um espaço open space também, em função do desenvolvimento do próprio projeto. E na parte de baixo, como forma de aproveitamento, vamos ter garagens para alguns serviços públicos e para arrendar, para rentabilizar e otimizar do ponto de vista dos custos este tipo de instalações”, explicou o autarca que espera ter ao longo da elaboração do projeto “bons contributos para valorizar esta ideia”.

Manuel Jorge Valamatos disse ainda que os membros do júri “entendem ser um projeto fantástico, que tem uma linguagem, uma relação com a parte exterior, com o Vale da Fontinha enorme”. A área do lado do Chafariz “vai ter zonas pedonais muito mais acessíveis e elevadores. É um edifício que vai ter uma nova dinâmica, importantíssimo para a cidade e para o concelho”, vincou.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES

O autarca socialista voltou a defender que o mercado de frescos se mantém no edifício do atual mercado diário, recusando a hipótese do um regresso ao espaço antigo como defendem algumas vozes abrantinas, designadamente o Bloco de Esquerda, que discorda com qualquer projeto que não inclua o regresso do mercado diário ao edifício do antigo mercado.

O vereador do BE reconheceu “o trabalho de imensa gente para que hoje fosse presente este relatório” contudo, notou, “em relação a este processo é conhecida a posição do Bloco de Esquerda. Votámos contra os pré-requisitos porque não incluía o regresso do mercado diário a este edifício”, considerado como “fundamental” pelo vereador Armindo Silveira.

O eleito disse ainda que o PS, com a aprovação do relatório, “dá mais um passo na destruição do primeiro mercado diário coberto de Abrantes, e da sua história. Foram 87 anos de história”, disse, lembrando o edifício “ter sofrido uma requalificação estrutural em 1948 pelo arquiteto António Varela, um dos percursores do modernismo, e pelo engenheiro civil Jorge de Sena, sim, o poeta”.

Projeto de “Reconversão do Antigo Mercado Municipal de Abrantes em Multiusos”. Créditos: mediotejo.net

Armindo Silveira afirma que “o PS abrantino nunca pensou recuperar o edifício e a sua função original” e fala em “vergonha coletiva” aquando da decisão da ASAE encerrar o antigo mercado diário. “Não satisfeito o PS abrantino votou pela destruição do edifício em 2016”, acrescentou, lembrando que o PS “não é proprietário dos imóveis do município, é apenas o gestor político, temporário, e que se diga, um péssimo gestor”.

O vereador do BE deu conta do seu voto contra o relatório e propõe “revisão do PUA para que seja expurgado da norma que estimula a demolição do edifício” e voltou a propor “a classificação de imóvel de interesse municipal e o regresso do antigo mercado”.

ÁUDIO | ARMINDO SILVEIRA, VEREADOR DO BE

Do lado do Partido Social Democrata, o vereador Rui Santos considerou que o projeto vencedor é aquele “entre todos os projetos que tive oportunidade de ver, sem dúvida nenhuma este projeto é aquele que nos enche os olhos. Mantém toda a traça do antigo mercado e a ligação que faz com o Vale da Fontinha é espetacular e o necessário para aquele local”, opinou.

Não concluiu sem antes lembrar que “o PSD de Abrantes sempre foi contra a construção do novo mercado. O que pretendíamos era a requalificação deste edifício para se manter como mercado. Mas sabemos aceitar a vontade das maiorias e foi isso que aconteceu nesta Câmara por vontade do Partido Socialista. Aceitamos!”.

Por isso defende “uma vida nova” para o edifício “senão qualquer dia o telhado pode começar a cair. Desde a primeira hora fui favorável ao multiusos. É uma das coisas que a cidade precisa, temos concelhos vizinhos que já o têm e Abrantes não pode ficar para trás”.

ÁUDIO | RUI SANTOS, VEREADOR DO PSD

Assim o executivo aprovou hoje atribuir os seguintes prémios de consagração: – 1.º Prémio, no valor de dez mil euros, ao trabalho n.º 5 do concorrente José Maria Cumbre e Nuno Sousa Caetano – Arquitectos, Lda., classificado em 1.º lugar; – 2.º Prémio, no valor de cinco mil euros, ao trabalho n.º 52 do concorrente Pablo Pita Arquitectos (Pablo Rebelo & Pedro Pereira, Lda.), classificado em 2.º lugar; – 3.º Prémio, no valor de três mil euros, ao trabalho n.º 39 do concorrente Pinhal Arquitectura, Lda. + Francisco Crisóstomo, classificado em 3.º lugar.

E ainda atribuir Menções Honrosas, de valor não pecuniário, ao trabalho n.º 15 do concorrente Silva Cravo Arquitectos, Lda., classificado em 4.º lugar, e ao trabalho n.º 53 do concorrente Pedro Matos Gameiro Arquitecto, Lda. + Bugio II Arquitectura Unipessoal, Lda., classificado em 5.º lugar.

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Foram 53 os projetos apresentados ao Município de Abrantes no âmbito do concurso internacional para a reconversão do antigo mercado diário em pavilhão multiusos.

O trabalho de conceção classificado em 1º lugar, será agora desenvolvido para a concretização do projeto de execução, propondo a reconversão parcial e ampliação do edifício para funcionar como multiusos. Prevê para o 1º andar, um espaço aberto (open space) vocacionado para a realização de eventos destinados a iniciativas dirigidas para o público jovem, mas também para eventos expositivos, colmatando a ausência em Abrantes de um espaço com essas condições. Esse espaço poderá acolher eventos como a Feira Nacional de Doçaria, feiras de artesanato e outras iniciativas para promoção das tradições da região ou eventos de cariz económico.

Uma praça exterior, confinante com a subida/descida da Avenida 25 de Abril, zonas pedonais acessíveis em redor do edifício, linguagem arquitetónica consentânea com o parque do Vale da Fontinha, facilitando a mobilidade no acesso ao edifício (elevadores) e a entrada no Centro Histórico da cidade, dotando-a de uma identidade urbana, são outras propostas do projeto vencedor.

Reconversão em Multiusos do antigo edifício do Mercado Municipal: Arquitetos José Maria Cumbre e Nuno Sousa Caetano vencem concurso público internacional para conceção de projeto. Foto: CMA

O júri, composto pelo presidente da Câmara Municipal, pelo arquiteto convidado pela Câmara Municipal, Victor Mestre, e pelo arquiteto Luís Pedro Pinto, indicado pela secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitetos, entidade tecnicamente parceira da Câmara neste processo, congratulou a qualidade e diversidade das soluções apresentadas.

A Câmara de Abrantes lançou em dezembro de 2020 um concurso internacional para a reconversão do antigo mercado diário em pavilhão multiusos. Os interessados em participar tiveram 75 dias para concorrer à conceção do projeto para a obra, cuja construção fica a cargo da autarquia. O valor base é de dois milhões e 700 mil euros.

O antigo mercado de Abrantes foi inaugurado a 1 de janeiro de 1933 e vai ser transformado em espaço multiusos. Foto: Paulo Seabra

Localizado na Avenida 25 de Abril, o Município de Abrantes pretende proceder à reconversão do antigo Mercado Municipal em Edifício Multiusos, na perspetiva da sua reutilização como equipamento de resposta a uma nova realidade. Pretende-se preservar as fachadas principais e requalificar a área envolvente a este mercado, nomeadamente a entrada no Centro Histórico da cidade.

A reconversão do edifício e a requalificação da área envolvente, convergem assim “na oportunidade de consolidação de uma estratégia que tem vindo a ser implementada pelo Município de Abrantes nos últimos anos, centrada na Regeneração Urbana e na Reabilitação Urbanística, Social e Económica do Centro Histórico de Abrantes”, pode ler-se em nota de imprensa enviada à comunicação social.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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