Abrantes | Ano 2021 arranca com ‘Cultura para Todos’ e ‘Caminhos literários’ em ‘Territórios pertinentes’

São três candidaturas de âmbito cultural que Abrantes tem a aguardar aprovação, num projeto de parceria com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Avaliadas em 300 mil euros cada, no âmbito do programa cultural de intervenção no território ‘Cultura para Todos’ do fundo extraordinário ‘Programação Cultural em Rede’, dinamizado pela CCDR Centro, a programação é para 18 meses, com 30 ações no âmbito das três candidaturas, devendo a mesma iniciar em janeiro de 2021.

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Os protocolos de parceria subjacentes às candidaturas ‘Caminhos literários – Botto, Camões e Gil Vicente e outros que por cá passaram’ e ‘Territórios pertinentes’ foram aprovados em reunião de Câmara Municipal de Abrantes na terça-feira, sendo que a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) trabalha o projeto ‘Caminhos das Pessoas’ consequente ao projeto ‘Caminhos’, explicou ao mediotejo.net o vereador Luís Dias, do qual o Município é parceiro e tem “um conjunto de ações concretas em Abrantes” que espera ver aprovadas a curto prazo.

O ‘Caminhos’ “tem sido dinamizado nos nossos territórios ao longo dos últimos anos e que contempla um conjunto de múltiplas ações por todos os 13 municípios”, lembrou, falando “de programação nos territórios, descentralização, de formação, de capacitação de públicos, de envolvimento das comunidades. Projetos com e para as comunidades, numa lógica da democratização das práticas culturais e da promoção turística”, notou.

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A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro lançou um concurso para apoiar projetos culturais em rede entre municípios, entidades intermunicipais, organismos da administração pública e associações culturais, apoios anunciados na primavera pelo primeiro-ministro no âmbito do Programa de Estabilização Económica e Social.

Luís Dias, vereador da Câmara Municipal de Abrantes. Foto: mediotejo.net

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Entretanto lançada a candidatura, Luís Dias referiu também a  ‘Territórios pertinentes’ da Artemrede, um projeto de cooperação cultural, para os sete municípios seus associados na região de intervenção da CCDR Centro. “Uma candidatura muito ousada, muito ligada ao espírito nómada de outrora, muito alicerçada nas feiras que eram realizadas, como os saltimbancos, como as feiras francas e como as nossas feiras de hoje”, refere, acrescentando que também este projeto possui “uma dinâmica de formação e de envolvimento das comunidades no nosso território. Um projeto também para 300 mil euros”.

No total são 30 milhões de euros destinados à medida a nível nacional que permite às associações culturais, em parceria com os municípios, apresentarem projetos associados ao património, à cultura e a bens culturais, assim como à divulgação e integração territorial.

Nestas três candidaturas que envolvem Abrantes, “todos os projetos são candidaturas até 300 mil euros financiadas a 100% no primeiro ano e a 95% nos seis meses subsequentes sendo que a da CIMT é uma candidatura a um ano”, indica o vereador.

A candidatura da Artemrede, para 2021 e 2022, tem uma componente de sete ações concretas em Abrantes “e que vão desde a Bemposta e São Facundo até à Albufeira de Castelo de Bode. Um conjunto de iniciativas sendo que a Feira acontecerá junto ao rio num momento a designar”, embora as ações estejam todas previstas com orçamentos definidos e aprovados pelos sete municípios, tendo sido lançada a candidatura que aguarda aprovação.

A terceira candidatura intitula-se ‘Caminhos literários – Botto, Camões, Gil Vicente e outros que por cá passaram’ na senda “da estratégia da CIMT para a promoção cultural no território”, referiu ainda o vereador.

Luís Dias explica que Abrantes lidera o consórcio juntamente com o Município de Sardoal e o Município de Constância. Um projeto que pretende “potenciar um território literário, daí a designação do Botto como cicerone literário dos outros dois e de outros que cá passaram”.

A ideia passa por “pegar nas paisagens literárias de valorização de todo o território e valorizar um conjunto de ações. Estamos a falar concretamente em Abrantes de 15 ações”.

No âmbito das três candidaturas, Luís Dias adianta serem cerca de 30 ações que permitem uma programação desde as artes performativas, passando pelas artes plásticas, às intervenções urbanas até a projetos de intervenção social.

“Projetos de larga escala e o ‘Caminhos das pessoas’ é um projeto que já namorávamos há muito tempo até no seio da própria TAGUS, de dinamização territorial, de poder capitalizar espaços tão icónicos como a Oliveira do Mouchão, ou a Concavada onde nasceu António Botto, onde o lugar onde Camões terá estado em Constância ou potenciar as referências literárias que o Gil Vicente legou no nosso território onde Abrantes também se inscreve, mas com foco maior em Sardoal”, diz.

Aliado a tudo isto, “com escritores de nomeada, temos um conjunto de ações ao longo de 18 meses que permitirão capitalizar o nosso território com o literário. E daí também valorizar, não só a forma como observamos as paisagens e a maneira como por exemplo figuras como José Luís Peixoto viverão connosco algum tempo, permitirão construir aqui quase uns peddypapers literários, ir criando histórias e narrativas a reboque destes mesmos autores”.

Três projetos que Abrantes “acarinha”. Se forem aprovados “tornarão estes próximos 18 meses – com as devidas restrições derivadas da situação epidemiológica-, em momentos de grande efervescência cultural que, de alguma maneira, preenchem a agenda cultural quase na sua plenitude. Projetos muitos entusiasmantes” a arrancar em janeiro de 2021 sendo que “todas as ações de rua dinamizar-se-ão a partir de março/abril”, concluiu.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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