Abrantes | Ana Lúcia, a jovem fadista que conquistou o Ribatejo (entrevista)

A fadista Ana Lúcia Pires impressionou na Casa do Campino, em Santarém, e conquistou o primeiro lugar no Concurso de Fado Amador do Ribatejo, integrado no reconhecido Festival Celestino Graça. Natural da aldeia de Casais de Revelhos, onde reside e descobriu o fado há menos de uma década, a jovem chegou a recusar convites por receio do público, mas enfrentou-o, conquistou-o e aos 25 anos está decidida a mostrar o que o fado representa para si no álbum que começa a gravar em outubro.

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Casais de Revelhos passou a ter mais um artista há um quarto de século. Muitos já se encontravam na aldeia abrantina da União das Freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede e um dos pontos era a Sociedade Recreativa Pro Casais de Revelhos. Foi nesta associação, que celebra 76 anos de existência no próximo mês de novembro, onde Ana Lúcia Pires descobriu o fado quando, aos 16, decidiu trocar a dança pelo canto no Rancho Folclórico e Etnográfico local.

Ao seu lado estavam os avós, que acompanharam os primeiros passos da revelação confirmada quando interpretou o tema “Rosa Branca”, de Mariza, num karaoke e reforçada com o prémio de Melhor Fadista Amador do Ribatejo de 2018, durante o Concurso de Fado Amador do Ribatejo, no Festival Celestino Graça. O “pódio” foi disputado no passado dia seis de setembro na Casa do Campino, em Santarém, com Elvira Roldão, também de Abrantes, e Leonardo Pereira, de Santarém, e marcou a primeira conquista a este nível para a jovem fadista.

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Ana Lucia Pires ganhou o Concurso de Fado Amador do Ribatejo. Foto: Ana Lúcia Pires

Na voz levou a confiança que foi adquirindo com o passar do tempo, depois de se ter estreado ao lado de Dora Maria numa noite de fados, em 2009, e de passar um ano a recusar convites por “receio do público”. Ana Lúcia decidiu ultrapassá-lo e regressou ao palco no concurso de fado integrado na FIARTIL – Feira Internacional de Artesanato do Estoril, em Cascais, que partilhou com fadistas conceituados em três eliminatórias.

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Seguiram-se outros eventos, como o FestFado Alentejo (2016) e o FestFado Ribatejo (2017), e foi em 2018 que surgiu o primeiro lugar numa competição, que Ana Lúcia diz ter encarado como uma prova de “que eu não devo desistir de cantar fado”. A persistência levou-a a “amealhar” os euros necessários para patrocinar o seu álbum de estreia, que começa a ser gravado no próximo mês de outubro, e ganha maior expressão se considerarmos que Ana Lúcia se encontra atualmente desempregada.

A formação adquirida durante a licenciatura em Serviço Social aguarda uma oportunidade para ser colocada em prática e conjugada com a carreira de fadista numa proporção de “50/50”, diz a jovem movida pelo “sonho de marcar o fado” a nível nacional e internacional. O fado é considerado, neste momento, como a única ocupação que a “preenche por completo”, acrescentando que não procura “grandes palcos, nem grandes famas”.

A jovem fadista durante uma atuação. Foto: Ana Lúcia Pires

O nome do primeiro trabalho discográfico está pensado, mas a fadista não o revela para já pois prefere falar primeiro com os músicos com quem se passará a encontrar regularmente no estúdio de gravação. A guitarra portuguesa de João Vaz, de Abrantes, e a viola de Miguel Silva, de Lisboa, vão acompanhá-la nos vários temas, entre os quais se encontram dois originais escritos por ela, um deles totalmente inédito pois tem música do jovem guitarrista abrantino.

A data de lançamento é uma incógnita. Até lá, no futuro mais próximo, tem agendada a participação em duas noites de fados na região. Ana Lúcia volta a dar voz ao fado a cinco de outubro na Sociedade Recreativa Pro Casais de Revelhos e a três de novembro na aldeia de São José das Matas, em Mação. Seja no palco ou no seu primeiro álbum, a jovem promete “uma grande entrega” e deseja que “as pessoas compreendam a minha mensagem através do meu canto”.

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Sónia Leitão
Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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