Quarta-feira, Março 3, 2021
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Abrantes | Alunos falaram com Sérgio Godinho sem medos e nós também (c/ vídeo)

Foi com um brilhozinho nos olhos que alguns alunos do concelho receberam Sérgio Godinho na passada quinta-feira, dia 22. Não foram à Biblioteca Municipal António Botto para o ouvir cantar clássicos como “O primeiro dia” ou “A vida é feita de pequenos nadas”, nem os temas do novo álbum “Nação Valente”. Apareceram para falar sobre “O Pequeno Livro dos Medos”, livro infantil escrito e ilustrado pelo músico, e quiseram conhecer “o Sérgio”. Nós ouvimos a conversa e no final também perdemos o medo de fazer perguntas.

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Os alunos da Escola n.º 2 de Abrantes trocaram as cadeiras das salas de aulas onde aprendem as matérias do primeiro e segundo ano do ensino básico e foram à Biblioteca Municipal António Botto para conversar com Sérgio Godinho sobre o “O Pequeno Livro dos Medos”, obra literária infantil lançada com a chancela da editora Assírio e Alvim e que este ano atinge a maioridade. Chegaram com a lição preparada e o medo passou a ser o tema principal, ainda que sempre controlado.

Durante a troca de palavras sobre as outras palavras que fazem parte da obra recomendada pelo Plano Nacional de Leitura, revelaram medos que iam das cobras aos leões, de serem atropelados na rua aos assaltos em casa, da pequena dor da picada de um inseto à grande dor de perder a família. Não lhes foi dado o segredo de como controlar “o cagaço”, como um deles preferiu chamar ao receio. Aprenderam que, afinal, o medo é normal e não apenas coisa de gente pequena.

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O autor falou com os alunos sobre o livro e o medo. Foto: mediotejo.net

Mãos e pés irrequietos como é típico da idade, uma chamada de atenção aqui e ali – como também faz parte da vida com os adultos, sempre tão sérios, mas com a vontade secreta de brincar tanto quanto eles – lá foram mantendo o dedo no ar de forma insistente até conquistarem a vez de falar. A música a que associamos Sérgio Godinho foi apenas um pormenor da conversa, gerando espanto com a revelação da carreira incluir mais de 350 canções: “Xxxiiiii, tantas??!!”.

O medo de fazer perguntas ficou em casa e quem os alunos quiseram conhecer foi simplesmente o “Sérgio”. Quais os desportos favoritos (futebol e atletismo) ou o animal de eleição (o elefante)… De dedo no ar em dedo no ar, também ficaram a saber que o músico de 72 anos já estudou psicologia e não gosta de pessoas más. O medo de cães também foi revelado e esse é real desde os 12 anos, ao contrário das personagens como o dono do circo que aparece na capa do livro ou do cavalo que galopava desenfreadamente.

As perguntas dos alunos multiplicaram-se durante a conversa. Foto: mediotejo.net

Nós quisemos saber sobre a obra infantil com os enredos que Sérgio Godinho criou, bem como o novo romance “Coração mais que perfeito”, apresentado poucas horas depois aos adultos na biblioteca. A conversa foi pequenina, à semelhança da mesa e cadeiras em que nos sentámos. Mesmo assim, valeu a pena e saímos convictos de que o medo pode ser mais forte do que nós, mas podemos falar com ele tal como fez o João na história com que o livro se despede dos leitores:

“tu fazes parte de mim, como os meus ossos e os meus pulmões. Tu és o meu medo, porque é que não havias de fazer parte de mim?A coragem não também parte de mim? E o riso e as lágrimas não fazem? De maneira que, olha, fica cá dentro e encontra um canto para te sentares. Mas cuidado: de cada vez que começares a abusar, vai haver guerra. Vou saltar, correr, espernear, lutar, falar, responder, perguntar, ou, muito simplesmente, pensar”.

in “O Pequeno Livro dos Medos”, de Sérgio Godinho

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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