Abrantes | Alunos da ESTA conheceram tendências de consumo da Geração Y

A Agrocluster, Cluster Agroindustrial da Nersant, apresentou um estudo sobre tendências de consumo da Geração Y esta segunda-feira, 16 de abril, na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA). O estudo, apresentado por Cláudia Rodrigues, revelou uma geração que não compra por impulso, mais exigente com a qualidade dos produtos, que confia em empresas que mostrem responsabilidade social, que prefere alimentos saudáveis e que compra online. Consumidores que obrigam à reinvenção dos setores tradicionais.

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Em 2017, 25% das pessoas do mundo pertenciam à geração Millennials. Em Portugal, dos dez milhões de habitantes, dois são da Geração Y também conhecida por Millennials. Pessoas nascidas entre 1980 e 2000, atualmente na fase de ‘consumidores’, são portanto o público alvo das empresas e do estudo apresentado, esta segunda-feira, na ESTA, em Abrantes, explicou Cláudia Rodrigues, em substituição do presidente da direção da Agrocluster, Carlos Lopes Sousa, que ao contrário do anunciado não pôde estar presente.

Para começar, a Geração Y cresceu com a Internet. Os Millennials são a primeira geração global nascida durante uma das épocas com maiores e mais significativos avanços tecnológicos e que apresenta comportamentos bastante distintos, com tendências de consumo muito específicas.

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São também a primeira geração digital, sempre ligada à Internet seja através do telemóvel, do tablet ou do computador. São a geração das redes sociais onde envolvem amigos e parceiros profissionais, nelas encontram notícias, entretenimento e empresas para comparar preços e comprar online, seja a loja física na sua rua ou do outro lado do mundo.

O foco deste estudo é nas tendências de consumo de cada um dos territórios e no impacto que as mesmas terão no consumo alimentar futuro.

E são dez as tendências reveladas: tendência natura viva, privilegiando os produtos biológicos; equilíbrio zen, preferência por produtos com menos quantidade de açúcar; luxo experiência, produtos simples ou naturais com apresentação sofisticada; conveniência sem fronteiras, registou um aumento de 300% nos últimos anos onde se inclui a oferta de refeições rápidas, pré-preparadas, quentes, frescas e saudáveis; segurança plena é outra das preocupação da Geração Y; afeto efémero, valorização das atitudes de partilha e auxílio por parte de marcas e produtos; mundo em casa, que vai ao encontro de serviços relacionados com viagens; saúde pela boca, alimentos mais saudáveis; virtual mundo novo, deve ser o mais apelativo possível; e frugalidade App, todas as aplicações desenvolvidas têm de revelar um objetivo concreto.

Através do estudo realizado pela Agrocluster percebe-se que os setores mais tradicionais da economia “têm de se adaptar, caso contrário não chegam lá”, ou seja, ao consumidor conforme explicou Cláudia Rodrigues a uma sala praticamente cheia de alunos de diversas áreas da ESTA, desde marketing a comunicação social.

Mostrou também que as problemáticas que os Millennials colocam às empresas vão além da mudança, total ou parcial, dos negócios para o digital.

“Possuir sítio na web já não chega, é preciso promover o negócio nas redes sociais”, garantiu. A Geração Y pratica um “consumo mais ponderado, procuram promoções, falam com os amigos, comparam os preços, fazem pesquisa”, referiu a engenheira.

Além disso, Cláudia deu conta de outro padrão dos Millennials: a preocupação ambiental.

Cláudia Rodrigues da Agrocluster apresenta estudo na ESTA

E embora as realidades alterem um pouco em cada país, certo é que revelam tendências. Por exemplo, se em Portugal 52,3% não se preocupa se as empresas têm responsabilidade social, nomeadamente se o produto é respeitador do ambiente, em França 84% tem esse fator em atenção.

Isto porque, o estudo apresenta os resultados de um inquérito realizado a cinco mil Millennials em cinco países: Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Estados Unidos da América.

Colocou-se então várias questões aos inquiridos, entre elas a importância das redes sociais no processo de decisão de compra. Em Portugal confirmou-se 58% enquanto nos Estados Unidos ultrapassa os 70%. Outra questão tentou perceber a percentagem de pessoas que, nos últimos três meses, realizou compras online. Em Portugal, 78,5% respondeu afirmativamente.

Revelou ainda a importância dos amigos como influência na decisão de compra, que em Portugal 86% dos inquiridos não compra por impulso, enquanto 58% prefere a qualidade ao preço. No universos português, a sondagem mostra também que 85,5% procura promoções e 77% não compra produtos de luxo ou alta costura.

No final da sessão, sendo a primeira ação que a Agrocluster leva a cabo na ESTA, Cláudia Rodrigues propôs aos alunos um concurso de ideias promovido pela Nersant, um projeto envolvendo “boas ideias para o ambiente e responsabilidade social”, desafiou, “seja a valorização de subprodutos, seja a valorização de recursos biológicos e renováveis, soluções inovadoras, bioquímica, bioenergia” que possa contribuir para um mundo mais sustentável.

Serão premiadas as três melhores ideias. O primeiro lugar é premiado com uma bolsa monetária no valor de mil euros, o segundo com uma bolsa no valor de 500 euros e para o terceiro arrecada 250 euros de prémio. As candidaturas devem ser apresentadas até ao dia 11 de maio.

O Cluster Agroindustrial do Ribatejo (AgroCluster) surge em 2009 com a aprovação da candidatura promovida pela NERSANT ao programa Operacional Fatores de Competitividade, enquadrado na Estratégia de Eficiência Coletiva (EEC) para projectos de constituição, dinamização e concretização de Pólos de Competitividade e Tecnologia e de Outros Clusters.

Com a aprovação da candidatura surge o reconhecimento formal do Cluster Agroindustrial do Ribatejo. Hoje conta com 126 associados.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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