- Publicidade -

Abrantes | Alunos brilham com encenação de “Yerma” na festa da Arte do Espetáculo

À noite, pelas ruas de Abrantes, muitas eram as pessoas que seguiam o mesmo destino: o Cine-Teatro de Abrantes. Por lá havia uma peça de teatro, “Yerma”, encenada e protagonizada pela turma do 11º ano de Artes do Espetáculo da Escola Dr. Manuel Fernandes. Quem seguiu aquele destino assistiu a um espetáculo que juntou o canto e a dança ao teatro, a partir de um texto dramático de Federico García Lorca escrito há cerca de 70 anos.

- Publicidade -

Ainda não tinha começado a peça e já se ouviam murmúrios curiosos e palpites com entusiasmo. Muitas das pessoas que na noite desta quarta-feira, 22 de fevereiro, rumaram ao Cine-Teatro tinham motivos fortes para ver este espetáculo. Eram familiares, amigos, professores ou conhecidos dos alunos e das professoras que levaram ao palco mais nobre da cidade o resultado do seu trabalho. Os bilhetes para a plateia esgotaram. Foi preciso abrir o balcão.

Já se começava a formar uma fila enorme. Não tardou muito até que todos se instalassem e usufruíssem daquele momento algo misterioso. À hora marcada, as luzes apagaram-se e os olhos dos mais curiosos ficaram mais arregalados, para poder captar todos os pormenores. Seguiam-se vários momentos surpreendentes.

- Publicidade -

O espetáculo começou com o coro do 5º ano do Curso Integrado de Música da Escola Dr. Manuel Fernandes. Cantavam em uníssono, como se fossem passarinhos no seu habitat natural. Encantaram o ambiente com a sua melodia. As luzes voltaram a ausentar-se. De repente, apareceu uma jovem a representar Yerma, a personagem que dá nome à peça.

O espetáculo tinha começado. Apesar de ser uma peça dramática, o público riu em determinados momentos. Surpreendeu-se com o que surgia num palco repleto de magia. Magia esta que fluía nos corpos das jovens do 11º ano, que contaram com a colaboração em palco da turma do 12º ano e até mesmo de namorados. E, num dos momentos mais intensos da noite, alunas da Universidade da Terceira Idade de Abrantes (UTIA) deram corpo a uma procissão que entrou em palco, vinda pelo meio das fileiras de cadeiras.

A história transmitia a injustiça de uma mulher, que sofria por não ter filhos. A história passa-se em Espanha, há mais de 70 anos, num mundo rural. Teresa Baguinho, uma das responsáveis pela peça, juntamente com Carla Dias, justificava a escolha, lembrando que “Abrantes também não é propriamente uma metrópole e, por isso, a peça acaba por se encaixar na cidade”. Por outro lado, “a ideia da obsessão que é retratada na peça foi uma das razões a fazê-la, pois acaba por retratar o mundo atual”.

Duas alunas dividiram o papel de Yerma. A primeira a entrar em palco foi Maria Silvestre, de 18 anos. Sempre foi “muito teatral”, mas este papel lançou-lhe um desafio especial: encarnar uma personagem com um drama que nunca sentiu. “Eu nunca tive aquela coisa de querer ser mãe e ter filhos. Então, ter de fazer um papel destes foi muito complicado para mim. Ao início não sabia o que fazer e como me tinha de sentir.” Nos ensaios, as professoras foram dizendo no que devia pensar para ‘entrar’ na personagem.

Na segunda parte da peça, o papel principal foi assumido por Sara Costa, uma jovem que sempre sonhou em ser atriz. Para além de concretizar a sua paixão pelo teatro, a aluna mostra como esta arte a enriquece: “Estas personagens fazem-me ver mais a realidade. Nós pensamos sempre que é tudo perfeito e aqui vemos que não é. Temos de interpretar certas cenas com muita tristeza, angústia, e o mal das pessoas. Isso faz-nos ver o mundo como ele é.”

Muitos destes alunos têm de fazer horas extra para concretizar estes projetos. Para além das aulas específicas relacionadas com as artes do espetáculo, têm disciplinas como Português e História. “Temos ensaios quase todos os dias, é muito cansativo, mas é por gosto.” Apesar de nem todos pensarem em seguir uma carreira no teatro, estão completamente envolvidos. “Às vezes, nas férias de Natal, por exemplo, vamos à escola mais do que os outros, para conseguirmos termos a peça pronta a tempo.” Um esforço que os faz crescer. Um esforço que é compensado com o olhar orgulhoso dos familiares, de amigos e professores. Um esforço que é reconhecido com palmas do público.

A peça tinha terminado e todos os participantes voltaram ao palco, para saudarem o público. Em troca foram recebidos com a maior parte das pessoas em pé, com sorrisos rasgados pela emoção e pelo orgulho. O entusiamo era geral, as palmas eram merecidas.

Isilda Jana, coordenadora do curso, estava visivelmente satisfeita e emocionada com o que acabara de ver. Alcino Hermínio, diretor do Agrupamento de Escolas nº 2, no qual se insere a Escola Dr. Manuel Fernandes, reconhecia que estes momentos mostram que o investimento em cursos nesta área foi acertado: “Vejo os alunos felizes, as famílias felizes, e fico feliz por ver estes alunos a crescer. A comunidade apoia e a casa estava cheia.”

As pessoas tinham voltado para a rua, o destino agora era outro e distinto entre os demais. Cada um seguia o seu rumo, mas agora com a satisfação estampada no rosto.

*Trabalho de Maria Azevedo, aluna de Comunicação Social da ESTA

**Foto: Joana Jerónimo

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
O seu nome

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- Publicidade -