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Quinta-feira, Setembro 23, 2021

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Abrantes | Afastamento de cónego José da Graça “é irreversível” – Autarca

A decisão da Diocese de Portalegre-Castelo Branco de dispensar o cónego José da Graça de funções é “irreversível”. O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, no sentido de “ir ao encontro da vontade da comunidade abrantina”, tentou interceder junto do bispo da Diocese, D. Antonino Dias, mas foi esta a resposta que encontrou sem notar qualquer abertura que pudesse reverter tal tomada de posição.

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O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Valamatos (PS), conversou telefonicamente com o bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco ao sentir “inquietação e tristeza por parte da população” quanto ao afastamento do cónego José da Graça, disse hoje o autarca ao mediotejo.net.

D. Antonino Dias “apresentou as justificações da hierarquia religiosa católica e manifestou a irreversibilidade da situação”, disse, lembrando que “o Estado é laico” e que, portanto, a Câmara Municipal “terá de se afastar relativamente destas questões” e “respeitar as decisões das instituições”.

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Lamentando “toda esta situação”, Manuel Valamatos deu conta da sua amizade para com o cónego e do reconhecimento do seu trabalho “nas diferentes obras que desenvolveu” na cidade, reconhecimento esse que surge também da comunidade abrantina.

Mas enquanto presidente da Câmara manifestou “a posição ao sr. Bispo dizendo que a comunidade tinha ficado triste com a situação. O sr. Bispo invocou um conjunto de razões e transmitiu a ideia que essa tomada de posição era irreversível”, reiterou, referindo a necessidade de “aceitar as tomadas de posição e as decisões das diferentes entidades na sua autonomia e especificidade”.

O presidente, respeitando “todos os movimentos civis” que se geram em torno do afastamento do padre, considera que a população “tem legitimidade, num Estado democrático, de se manifestar, mostrar o seu descontentamento ou apoiar qualquer iniciativa”. Além disso, D. Antonino “nunca colocou em causa todo o trabalho do cónego José da Graça, antes pelo contrário; enalteceu!”, afirmou.

A comunidade católica de Abrantes desenvolve ações de apoio ao padre José da Graça depois de o cónego, condenado em tribunal, ter sido dispensado na semana passada de funções nas paróquias da sede do concelho pela Diocese de Portalegre-Castelo Branco.

O sacerdote, de 76 anos, foi condenado em 12 de junho a cinco anos de prisão, com pena suspensa por igual período, pelos crimes de burla qualificada, burla tributária e falsificação de documentos, num esquema que terá lesado o Estado em cerca de 200 mil euros através do Centro Social Interparoquial de Abrantes, instituição da qual era presidente. O padre recorreu da decisão do Tribunal Judicial de Santarém.

Contactado pela Lusa, o bispo de Portalegre-Castelo não respondeu se a decisão da dispensa do padre José da Graça naquelas paróquias estava diretamente relacionada com o processo em tribunal, tendo remetido para um comunicado da Diocese intitulado “razões da decisão”.

No documento, publicado no ‘site’ da Diocese, o bispo refere que a decisão foi tomada “em consciência e não de ânimo leve”, que “ouviu todos os interessados” e que “as decisões tomadas nem sempre agradam a todos, tendo optado pela que lhe “pareceu melhor para a missão da Igreja”.

Por seu lado, o padre José da Graça afirmou à Lusa que foi “apanhado de surpresa” com o seu afastamento das paróquias da cidade de Abrantes – São Vicente e São João -, onde esteve 34 anos, considerando que a decisão “está ligada ao processo” que teve em tribunal.

“Limito-me a aceitar a decisão, mas fui apanhado de surpresa e fiquei surpreendido até porque houve uma sentença, mas há também um recurso a decorrer”, declarou o cónego, que alega inocência.

C/Lusa

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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