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Terça-feira, Janeiro 25, 2022
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Abrantes | Ação de arte terapêutica do CHMT resulta em ‘IntegrArte’ em Abrantes (C/fotos)

Está patente ao público, até dia 3 de novembro, no Espaço Jovem da Câmara Municipal de Abrantes a exposição ‘IntegrArte’. Um projeto cujo tema foi inspirado no estigma e preconceito para com as pessoas com perturbação mental. A ideia nasceu da observação da vertente artística existente em alguns utentes do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), surgindo a vontade de partilhar a sua arte com a comunidade em geral. A mostra, inaugurada esta terça-feira 10 de outubro, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Saúde Mental, integra trabalhos de pintura, escultura e poesia representativas da Arte Bruta e Terapia pela Arte.

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“Aquilo a que muitos chamam doença, é falta de saúde; o que muitos chamam um tratamento ou uma passagem por um ambulatório, é o regresso ao nosso melhor. Graças a batas vindas do céu”. As palavras são de José Nogueira um dos utentes do Serviço de Psiquiatria do CHMT e um dos artistas que tem agora em exposição a sua arte no Espaço Jovem da CM de Abrantes, local que recebeu no Dia Mundial da Saúde Mental a ‘IntegrarArte’.

O tema inspirou-se no estigma e preconceito das pessoas com perturbação mental. A mostra tem como objetivo contribuir para a aceitação social plena, sendo que a ideia do projeto nasceu pela observação da vertente artística existente nos utentes de Ambulatório de Psiquiatria e com ela a vontade de partilhar a arte com toda a comunidade.

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Os utentes do CHMT “praticamente sem formação na área das artes, dedicam-se a pinturas que nos deslumbram” disse ao mediotejo.net Cesaltino Fonte, enfermeiro responsável pelo Serviço de Psiquiatria.

E foi numa “ordem de mudança e de inclusão” dos doentes mentais, que o CHMT decidiu celebrar o Dia Mundial da Saúde Mental na cidade de Abrantes “uma vez que estamos sediados num Centro Hospitalar que engloba três hospitais e começamos a descentralizar essas celebrações do Hospital de Tomar para Torres Novas e este ano para a bela cidade de Abrantes”, sustentou Cesaltino Fontes.

Inauguração da exposição ‘IntegrArte’ no Espaço Jovem da CM de Abrantes.
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A finalidade é “mostrar às pessoas o quanto se trabalha no serviço e o quanto os nossos artistas produzem. Gostamos que nos conheçam para evitar a ideia de estigma” que a sociedade tem sobre o doente mental.

As obras de arte agora expostas “fazem parte de uma terapia que leva à integração e à inclusão do doente” não só na sociedade mas também na sua família, acrescenta.

Além disso, pretende que os utentes “sintam as suas capacidades aproveitadas”. A pintura tem ainda o potencial de libertação, fazendo com que o doente “mostre nela as suas angústias e frustrações”, funcionando muitas vezes como “ponto de partida” para os profissionais que trabalham em equipa, como médicos, enfermeiros e outros terapeutas. “Dá-se um tema e discute-se o resultado, cada um expõe a sua opinião após uma pequena análise”. Tentam que a medicação não seja a única cura mas que os utentes “se sintam úteis e sejam valorizados nos seus trabalhos”.

Cesaltino Fonte, enfermeiro responsável pelo Serviço de Psiquiatria do CHMT

Cesaltino Fonte recorda grandes pintores que padeciam de doenças mentais como Vincent van Gogh ou Salvador Dali. Todavia esclarece que, além dos fins terapêuticos, alguns destes artistas pintam “por carolice e para passar o tempo”. O incentivo chega da equipa do Serviço de Psiquiatria quando observa “alguma aptidão”.

Os doentes, na valência de Hospital Dia, são cerca de 30, contudo muitos outros utentes, seguidos em contexto de consulta, participaram na atividade. É por isso, que nem todas as obras de arte foram realizadas no hospital, mas “desenvolvidas posteriormente em casa e gentilmente cedidas” para exposição no Espaço Jovem, agora transformado numa galeria de arte.

Assim, o visitante pode encontrar duas dimensões artísticas: a Arte Ousider e a Terapia da Arte. A primeira inclui “obras executadas por pessoas intocadas pela cultura artística nas quais o mimetismo desempenha pouco ou nenhum papel, de modo que os seus autores obtêm tudo do seu sentir profundo e não das convenções da arte clássica ou da arte em moda. Assistimos a uma operação artística inteiramente pura, crua, reinventada no conjunto de todas as suas fases pelo seu autor, somente a partir dos seus próprios impulsos”, como descreveu Jean Dubuffet.

A segunda é uma forma de psicoterapia que utiliza os meios da arte como o seu principal modo de comunicação. O objetivo global dos seus praticantes é permitir que uma mudança na pessoa e crescimento pessoal através do uso de materiais de arte num ambiente seguro e facilitado.

Alguns dos artistas e a equipa técnica durante a inauguração da exposição ‘IntegrArte’ no Dia Mundial da Saúde Mental

Para abrir a exposição ‘IntegrArte’ esteve presente o vereador com o pelouro da Juventude e da Cultura, Luís Dias, que considerou “um privilégio enquanto autarquia” esta associação com o Serviço de Psiquiatria do CHMT, sublinhando “a oportunidade dada a Abrantes de descentralizar” este tipo de iniciativas. Lembrou que sinalizar o Dia Mundial da Saúde Mental por cá “já se faz há cerca de vinte anos e é algo que importa não só pela terapia pela arte mas sobretudo percebermos que a questão da saúde mental é tão importante quanto são as questões da saúde física”. No século XXI a Arte Bruta ocupa “um espaço tremendo no panorama artístico mundial”, considerou.

Por seu lado, Luísa Delgado, diretora do Serviço de Psiquiatria do CHMT, disse deverem a sua existência a “Abrantes e a todos os locais” da área de abrangência. E em nome do Conselho de Administração do CHMT, Edgar Pereira sublinhou a importância do hospital vir à rua. “Somos nós que vamos ao hospital quando precisamos mas o hospital não se mostra”. Ora esta exposição existe “também para dar a conhecer o que se faz dentro de portas, aquilo que é possível fazer com as pessoas e não só com os doentes”.

Edgar Pereira tem a esperança que “este trabalho seja para continuar mesmo sem doentes” deixando em aberto a possibilidade das famílias também participarem nas atividades do CHMT. “Esta dinâmica de interação entre o hospital e a comunidade é para trabalharmos todos, é preciso confiança de ambas as partes” referindo-se à necessidade “de encontrar soluções” para os problemas que vão surgindo.

No CHMT as patologias mais frequentes são, segundo Cesaltino Fonte, “as comuns depressões, depois a esquizofrenia, as doenças bipolares que às vezes surgem numa fase maníaca outras numa fase depressiva, algumas perturbações da personalidade e algumas doenças compulsivas”.

A artista Vera Marques junto a um dos seus quadros

Os dados oficiais divulgados pela Ordem dos Psicólogos, grande parte referentes a 2016, mostram que há uma “elevada prevalência anual de perturbações mentais” entre os portugueses, na ordem dos 22%, com maior predomínio para as perturbações de ansiedade e do humor.

Na data que assinala o Dia Mundial da Saúde Mental importa ainda referir que, no ano passado, os portugueses compraram cerca de 20 milhões de embalagens de psicofármacos, o que corresponde a um gasto de 216 milhões de euros.

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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