Abrantes | Abertura de praias fluviais e piscinas municipais ainda sem decisão

Foto: mediotejo.net

No contexto da pandemia de covid-19 e entre as regras para a retoma do turismo europeu, há dois dias a Comissão Europeia recomendou uma distância mínima de 1,5 metros e normas de higiene apertadas em praias e piscinas, e o estabelecimento de um número máximo de clientes em restaurantes. Com o tema na atualidade, o vereador eleito pelo Partido Social Democrata (PSD), Rui Santos, questionou o executivo da Câmara Municipal de Abrantes sobre a legislação para o concelho. O presidente não adiantou decisões, mas acredita que a abertura das praias fluviais possa ser uma realidade “com muitos condicionalismos”.

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Numa altura em que a pandemia de covid-19 está a estabilizar em Portugal e na Europa os países pensam em levantar algumas medidas restritivas. Em Portugal, o Conselho de Governo Regional da Madeira já autorizou a reabertura das praias, complexos balneares e acessos ao mar da Região Autónoma a partir desta sexta-feira, mediante o cumprimento de algumas regras de segurança devido à covid-19.

Na última reunião de Câmara Municipal de Abrantes, na terça-feira, 12 de maio, Rui Santos, do PSD, reconhecendo “a falta de legislação” naquele momento, questionou o executivo (de maioria Socialista) sobre as piscinas e praias fluviais do concelho revelando reservas quanto à abertura das piscinas municipais no verão de 2020. “Pela concentração de pessoas, apesar de controladas nas suas entradas, mas a utilização dos balneários será muito complicada”, considerou. Mas o presidente Manuel Jorge Valamatos não avançou ainda com decisões e manifestou-se preocupado.

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“É natural que a abertura de um conjunto de atividades suscite preocupações. É preferível não ir dar um mergulho a Castelo de Bode este ano e depois ir o resto da vida, do que arriscar tudo agora. Porque não havendo uma vacina estamos muito condicionados”, disse o autarca.

Manuel Jorge Valamatos lembrou que a situação pandémica “apanhou a todos de surpresa e ninguém estava preparado para um situação com esta dimensão. Temos vindo a movimentar-nos de acordo com um conjunto de medidas assertivas, e os portugueses têm cumprido”, referiu o presidente, que fez notar que “o processo de desconfinamento pode levar a uma crise maior do que por aquilo que felizmente não passámos […] Uma segunda vaga pode originar um processo com resultados desconhecidos”.

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Relativamente à possibilidade de abrir as piscinas e praias fluviais do concelho, o presidente revelou ser necessário ouvir ainda diversas entidades. “Abrir uma piscina pode comprometer toda uma comunidade. No caso da piscina coberta temos milhares de utilizações. São situações muito criticas que temos de ir analisando pouco a pouco. A piscina desportiva não vai abrir tão cedo. As praias fluviais é uma incógnita. Acredito que possam abrir com muitos condicionalismos. Veremos que medidas teremos de tomar para proteger as pessoas”, concluiu.

A principal recomendação de Bruxelas é que, nesta retoma dos serviços turísticos a pensar no verão, seja assegurado o distanciamento físico e reforçada a desinfeção.

No que toca a restaurantes, cafés e bares, a Comissão Europeia entende que “os estabelecimentos devem pôr em prática medidas específicas para assegurar o afastamento físico em áreas comuns onde os clientes se possam reunir durante longos períodos de tempo – ou seja, mais de 15 minutos –, como a definição de um número máximo permitido em cada instalação comum”.

Outra sugestão é que seja “considerada a atribuição de horários ou a disponibilização de reservas para refeições ou para deslocações a piscinas ou ginásios”.

E “quando o afastamento físico não puder ser plenamente observado, devem ser consideradas medidas alternativas para proteger os hóspedes e os trabalhadores, tais como a utilização de painéis de vidro ou de plástico, o uso de máscaras, etc.”, vinca a Comissão Europeia.

Uma distância de 1,5 a dois metros é, então, recomendada pela instituição “em todas as áreas comuns” dos estabelecimento e, quando isso não for possível, deve ser reforçada a utilização de equipamentos de proteção, tanto por parte dos clientes, como por parte de trabalhadores.

O mesmo se aplica a locais exteriores como praias e piscinas, nas quais “devem ser tomadas disposições especiais para permitir o afastamento físico e aplicadas medidas especiais de higiene”, argumenta o executivo comunitário nas recomendações hoje feitas aos países da União Europeia (UE), a quem cabe decidir sobre a retoma dos seus serviços turísticos.

A pensar na decisão dos países em reabrir o turismo após a estagnação devido à pandemia de covid-19 devem estar critérios como a necessidade de a taxa de contágio ser abaixo de um, de o país ter capacidade assegurada no seu sistema de saúde e de testes e de conseguir monitorizar os casos positivos, realça a Comissão Europeia nestas orientações.

Falando em conferência de imprensa em Bruxelas, a vice-presidente do executivo comunitário com a pasta de “Uma Europa Preparada para a Era Digital”, Margrethe Vestager, notou que estas recomendações se aplicam “ao verão e a depois”.

“Não vai ser um verão normal, mas se trabalharmos juntos e fizermos a nossa parte […], não teremos de passar o verão em casa”, adiantou a responsável.Nestas recomendações, a Comissão Europeia aponta ainda ser “provável que, devido à recente crise epidémica, o turismo interno e intracomunitário venha a prevalecer a curto prazo”.

Por isso, Bruxelas insiste na promoção do turismo de proximidade, sugerindo medidas como a criação de um sistema de vales, “através dos quais os consumidores possam apoiar as suas empresas turísticas locais favoritas”, de forma a dar-lhes liquidez.

O objetivo é que estes vales possam ser “adquiridos pelos consumidores a pequenos fornecedores do setor do turismo fechados”, como restaurantes, alojamentos ou pequenos hotéis, para serem “posteriormente trocados por serviços quando as empresas reabrirem”.

C/Lusa

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