Abrantes: A sexualidade e envelhecimento na deficiência debatidos no CRIA

Natália Dias, psicóloga clínica e técnica do CRIA, abordou o tema da sexualidade na deficiência (Foto: mediotejo.net)

No âmbito da Semana do Centro de Atividades Ocupacionais, inserida nas atividades do 39º aniversário do CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, esta instituição está a promover colóquios que pretendem abordar junto dos seus utentes os temas da sexualidade e envelhecimento na deficiência.

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“Desmistificar a sexualidade na deficiência – porque todos somos diferentes e iguais na forma em que amamos” foi o tema da primeira intervenção do colóquio, promovido pelo Centro de Atividades Ocupacionais do CRIA, que decorreu na tarde desta terça-feira, dia 22, para um auditório repleto de utentes do CRIA e do CERE – Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento.

Natália Dias, psicóloga clínica e técnica do CRIA e do CLDS3G de Abrantes, foi a oradora deste primeiro tema e reforçou que “há a ideia de que as pessoas portadoras de deficiência são seres angelicais que não têm sexualidade, mas isso é errado e temos de mostrar à sociedade que os deficientes também acedem à sexualidade”.

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A psicóloga clínica salientou ainda que “quando a sexualidade é inibida, podem surgir outros comportamentos, como a agressão, nas pessoas portadoras de deficiência e que, por isso, deve sempre de se agir com naturalidade perante as situações”.

“Não podemos ser negligentes com a diferença”, foi uma frase usada por Natália Dias para chamar à atenção de que “há que saber lidar com as pessoas com deficiência, fazendo passar as mensagens relacionadas com a sexualidade”.

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Por sua vez, Ana Teresa Ruivo, enfermeira nas urgências do Hospital de Abrantes, fez uma intervenção sobre as doenças sexualmente transmissíveis (DST), explicando o que são, como se transmitem e quais são as principais, salientando que, no caso da Hepatite B, o vírus demora cerca de seis meses a incubar no corpo até que se manifestem sintomas da doença.

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Ana Teresa Ruivo, enfermeira nas urgências do Hospital de Abrantes, fez uma intervenção sobre as doenças sexualmente transmissíveis (Foto: mediotejo.net)

A enfermeira Ana Teresa falou ainda das principais vias de transmissão das DST (escova de dentes, partilha de lâminas, relações sexuais sem preservativo e da gravidez – de mãe para filho), aproveitando ainda para desmistificar algumas ideias erradas que normalmente se têm como por exemplo, que as DST não se transmitem através do banho, da partilha de WC, de brincar, de partilhar roupa, de partilhar talheres ou de cumprimentar.

“O método mais eficaz para evitar as doenças sexualmente transmissíveis é a utilização de preservativos”, reforçou a enfermeira Ana Teresa, salientando ainda que os preservativos são gratuitos nos centros de saúde e hospitais.

“Mais vale prevenir do que remediar, muitas destas doenças levam à morte e as doenças não escolhem caras, nem pessoas, pode acontecer a qualquer um”, terminou Ana Teresa.

A terminar a tarde, Jorge Freitas, presidente da Comissão de Clientes do Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento (CERE), utente desta instituição há 14 anos, falou sobre o amor e o namoro, fazendo referência à sua relação de sete anos com Rosa, que também é utente do CERE.

“O amor não tem idade para amar”

Na sua intervenção, Jorge Freitas referiu que “podemos namorar na instituição, desde que respeitemos os outros”, “o casamento é uma coisa séria e não sabemos se queremos ou podemos, a decisão é dos dois” e que “o futuro pode ser ter filhos ou não, temos é que nos estimar um ao outro até que a morte nos separe”.

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Jorge Freitas, utente do CERE, falou sobre o amor e o namoro (Foto: mediotejo.net)

A sessão terminou com a entrega de um cartaz ao CRIA feito pelos utentes do CERE com a inscrição “Amor com amor se paga” e com a distribuição de corações pelos utentes do CERE aos presentes no colóquio. Teresa Heitor, presidente da Comissão de Clientes do CRIA, também quis deixar a sua frase: “O amor não tem idade para amar”.

Para Nelson de Carvalho, presidente da Direção do CRIA, este primeiro dia de colóquios “foi uma oportunidade interessante de reflexão e de permitir que os nossos utentes encarem com naturalidade estes assuntos. A expressão da afetividade é uma coisa normal, que faz parte do ser humano, é natural, embora do ponto de vista social e familiar muitas vezes haja perceção errada da questão e por vezes dificuldades. Eles são homens e mulheres e têm o mesmo direito de todos nós da expressão da sua afetividade”.

Esta quinta-feira, dia 24, a partir das 14h, no Edifício Pirâmide, em Abrantes, realiza-se o segundo colóquio do CAO, desta feita dedicado ao “Envelhecimento e qualidade de vida na deficiência”, aberto a toda a população, mediante inscrição.

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No Cineteatro São Pedro, em Abrantes, está a decorrer até esta quarta-feira, dia 23, uma exposição e venda com trabalhos realizados pelos clientes do CAO do CRIA (Foto: mediotejo.net)

E no Cineteatro São Pedro, em Abrantes, onde estão a decorrer os espetáculos do Festival Nacional de Teatro Especial, está patente uma exposição e venda de diversos trabalhos realizados pelos clientes do CAO.

O Centro de Atividades Ocupacionais do CRIA é, segundo refere Nelson de Carvalho, “uma unidade fundamental do CRIA que tem um conjunto de atividades diversificadas”.

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