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Terça-feira, Novembro 30, 2021

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Abrantes | A resiliência de um sportinguista que construiu um “santuário” por amor ao clube

José Duarte juntou em Abrantes, nos últimos 40 anos, mais de três mil peças com o emblema do Sporting Clube de Portugal. Uma coleção que guardou numa garagem, numa espécie de ‘museu’ em homenagem ao clube do seu coração. Como a idade não perdoa, há um mês vendeu a garagem e desfez-se da coleção, doando quase todas as peças. Mas a paixão pelo Sporting não esmorece. “Se Deus quiser é hoje!”. Se não for hoje, por certo, é daqui a uns dias. O mediotejo.net foi conhecer a sua história.

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José Duarte, aos 79 anos, pode celebrar hoje o título de campeão. O corolário de uma prova de resiliência que durou 19 anos, apesar de advertir que a vitória do “seu” Sporting é muito mais do que ganhar o campeonato nacional de futebol até porque “o clube tem vitórias noutras modalidades. Estamos com 38 provas europeias, a última foi há um mês, campeões europeus de futsal”, vinca.

A alegria contagiante com que fala do clube de Alvalade prova a esperança e a “diferença”  de ser sportinguista. “Nunca se desiste de acreditar. Está cá dentro! Como o Sporting é impossível haver! Se outros clubes, como o Benfica ou o Porto, estivessem 19 anos sem ganhar, metade dos sócios desistia”, afirma, convicto, simplesmente porque, apesar do jejum de campeonatos nacionais, ao que o futebol diz respeito, o Sporting “cada vez tem mais adeptos e mais sócios. Os sportinguistas são mesmo diferentes!”, reafirma orgulhoso.

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José Duarte no ‘museu’ dedicado ao Sporting que tinha na sua garagem em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

E foi com essa força interior, de fé aliada à paixão, que, há cerca de 40 anos, comprou uma bandeira grande e verde, embora o leão já rugisse no seu coração desde tenra idade, teria uns 8 anos. A primeira peça de uma imensa coleção pessoal de recordações sportinguistas que guardou numa garagem, em Abrantes. “Um santuário” ao Sporting Clube de Portugal para utilizar a expressão de um dos presidentes do clube, José Eduardo Bettencourt, que visitou o local e “ficou impressionado”.

Ao longo de quatro décadas juntou mais de três mil peças com o emblema do SCP: bandeiras, cachecóis, fotos, galhardetes, postais, relógios, troféus, leões de peluche, leões de loiça, bonecas e bonecos, copos, canecas, pratos, cassetes com as músicas do Sporting incluindo o hino de Maria José Valério, isqueiros, canetas e muitas outras peças verdes. Colecionismo que se transformou num espaço emocional feito ao jeito do tal santuário que por uma unha negra não verá, novamente, o Sporting ser campeão.

José Duarte vendeu a garagem há cerca de um mês devido à incapacidade que afirma ter de “andar para baixo e para cima”. Sem espaço para as peças, decidiu doá-las aos núcleos sportinguistas e à família, que segundo assegura: – “são todos leões!”.

José Duarte no ‘museu’ dedicado ao Sporting que tinha na sua garagem em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

José Duarte tem 79 anos, é natural de Batalha mas vive em Abrantes há 47, cidade à qual chegou por razões profissionais tendo comprado, nessa época, uma “grande” garagem na Encosta da Barata com o objetivo de guardar o carro.

Adepto ferrenho viu na grande bandeira verde exposta naquele espaço um pequeno elemento e “enquanto não pus aquilo tudo sem se ver as paredes, não descansei”, diz, contando sobre a decisão de adquirir outras peças.

“Forrei as paredes da garagem com o papel que me davam na Loja Verde em Alvalade. Era adepto regular nos jogos do Sporting. Um vez fui a Lisboa ver um Sporting – Benfica e nas caravanas comprei 18 bandeiras por metade do preço. Foi assim que comecei” a coleção com a ajuda da esposa, levando cerca de cinco anos a conseguir o objetivo de não ver tinta original mas tudo em verde.

O ‘museu’ foi crescendo em número de peças e de visitantes. Por lá passaram presidentes do clube como Sousa Sintra ou José Eduardo Bettencourt e também outros sportinguistas como Eduardo Barroso e vários jogadores, entre eles, “Sá Pinto, Fernando Peres, o Carvalho guarda-redes da seleção de 1966, Aurélio Pereira que levou Cristiano Ronaldo para a Academia do Sporting, Hugo Porfírio, Iordanov, Balakov”.

Várias excursões “vindas de diferentes zonas do País, de núcleos do Sporting. Era um aparato, uma coisa impressionante”, recorda José, sem se esquecer dos “miúdos das escolas do Sporting que vinham jogar a Abrantes”.

José Duarte no ‘museu’ dedicado ao Sporting que tinha na sua garagem em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Ora José Duarte, que ainda conheceu o Travassos dos Cinco Violinos por causa do negócio dos eletrodomésticos, ramo de atividade onde toda a vida trabalhou como vendedor,  viajava por todo o País e ia adquirindo peças nos diferentes lugares, como Caldas da Rainha, de onde provêm os leões de cerâmica que ainda guardam a porta de sua casa.

“Comprava nos núcleos e fui juntando. Nunca comprava só uma coisa, comprava várias”, conta.

Também Bernardes Dinis, promotor do Museu Sporting em Leiria, esteve no ‘museu’ dedicado ao Sporting em Abrantes tendo afirmado “isto é paixão, isto é amor. E é! Não há outro nome”, garante José.

Um amor que começou no seio familiar, “a minha avó teve 12 filhos e só um adepto do Benfica”, refere. “Quando trabalhava em Leiria, numa loja de ferragens, na hora de almoço íamos jogar à bola no átrio exterior do Mosteiro do Batalha. Nunca tive jeito nenhum para a bola, mas gostava de relatar e gritava eufórico: – Vadinho!”. Alcunha com a qual ficou.

José Duarte, atualmente com 79 anos, anseia por voltar a celebrar mais um titulo do Sporting. Créditos: mediotejo.net

A equipa de Alvalade pode sagrar-se campeã nacional de futebol, esta terça-feira, 11 de maio, caso vença o Boavista, conquistando o 19º título de campeão português de futebol, 19 anos depois do último.

No entanto, o Sporting reclama ser o 23º titulo. A Federação Portuguesa de Futebol não reconhece os quatro títulos conquistados nas décadas de 1920 e 1930, quando existia o Campeonato de Portugal. Nesse campeonato o SCP conquistou o título por quatro vezes (1922/23; 1933/34; 1935/36; 1937/38).

Os leões não festejam um título de campeão nacional na I Liga desde 2001/02.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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