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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Abrantes | 50 anos de Liceu assinalados com programa comemorativo e encontros de gerações

O Liceu de Abrantes prepara-se para assinalar uma data redonda: a inauguração, fez agora 50 anos (no dia 17 de outubro) daquele equipamento educativo. A este propósito, surge oportunidade de realizar um conjunto de iniciativas que vão decorrer ao longo do ano letivo, no âmbito das comemorações do cinquentenário do Liceu Nacional de Abrantes, que evoluiu para Escola nº 2 de Abrantes, e posteriormente Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes e, chegando à atual situação, enquanto escola-sede do Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes. Segundo Alcino Hermínio, diretor do agrupamento, esta é uma “data especial e tinha que ser assinalada de alguma maneira muito especial”.

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O diretor, em conferência de imprensa, referiu que “simbolicamente para muitas gerações este é um acontecimento muito importante, gerações de professores e alunos que passaram por aqui, mais alunos que professores, como é natural”.

“Desta escola saíram muitos talentos, em diversas áreas e domínios, que acabaram por se destacar dentro de Abrantes e fora de Abrantes, mesmo no estrangeiro”, notou.

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“Gostaríamos que este ano fosse de reencontro de gerações, entre alunos e professores, numa escola que vais estar ainda mais de portas abertas para a comunidade e para todos aqueles que aqui passaram”, frisou Alcino Hermínio, apresentando um grupo de professores responsável por supervisionar as atividades comemorativas.

Foi constituída uma Comissão que será responsável por guiar este ciclo de eventos comemorativos dos 50 aos do Liceu de Abrantes, a qual é presidida pelo professor e filósofo Mário Pissarra, caraterizado por Alcino Hermínio, atual diretor do Agrupamento de Escolas, como “uma referência enquanto professor”.

Mário Pissarra explicou que esta Comissão é constituída por mais 3 professores, sendo que as atividades irão acontecer “ao longo do ano”.

Alcino Hermínio, diretor do Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes, e o docente e filósofo Mário Pissarra. Foto: mediotejo.net

As atividades serão diversificadas, garantiu Mário Pissarra, em função dos alunos que foram passando pelo Liceu. “O primeiro ato público” constituirá uma sessão solene, e inclui uma exposição de obras de antigos alunos, relativos aos 50 anos da escola, um pequeno sarau musical e um jantar, e terá lugar no dia 21 de outubro.

Segundo o presidente da Comissão organizadora, também serão evocados ex-alunos que se “destacaram seja em que área for da vida social e cultural”, “não tanto para elogiar personalidades, mas fundamentalmente para mostrar exemplos de que por esta escola passaram alunos que conseguiram afirmar-se na sociedade e na sua atividade”, servindo de “estímulo” para os atuais alunos da escola.

A grande função da escola, para Mário Pissarra, deve passar por “responder às exigências sociais, e responda com qualidade e preste aos seus alunos o melhor serviço para explorar todas as suas potencialidades”.

O liceu, ao longo dos seus 50 anos de existência, “recebeu material humano diversificado e com aspirações diferentes ao longo do tempo”, divergindo da escola que “se assumia como elitista, e que os próprios alunos assumiam como um percurso de ensino superior da fase inicial, não é a mesma escola que temos hoje, nem podia ser”, frisou, acrescentando que são os 50 anos “enquanto percurso” que se pretende celebrar e para “dizer à sociedade abrantina, do concelho, que esta escola prestou um serviço à sociedade ao longo deste tempo e que está disponível para fazer o melhor e continuar a fazer esse serviço”, concluiu.

A Comissão irá acompanhar as várias atividades, que irão ser divulgadas a seu tempo, conforme indicação dos docentes.

Alcino Hermínio, diretor do Agrupamento de Escolas, deixou ainda um conjunto de iniciativas relevantes que resultaram deste percurso de 50 anos e de “oportunidades que souberam agarrar”.

O Agrupamento nº 2 de Abrantes integra a experiência nacional do projeto de autonomia e flexibilidade, estando “empenhados no 1º ano e 5º ano”, e que simboliza uma “motivação extra”.

Já entre os dias 4 a 7 de outubro, 24 alunos do Secundário estiveram em Estrasburgo, no âmbito do concurso organizado pelo Parlamento Europeu e que teve duas vencedoras nesta escola.

Também o Encontro do Parlamento Europeu Jovem vai trazer, de 26 a 29 de outubro, cerca de 100 jovens, “metade dos quais portugueses, e a outra metade de vários países que vêm debater a Europa”, sendo uma das 3 sessões a decorrer no país no próximo ano letivo.

Alcino Hermínio destacou ainda a gravação de uma série sobre Educação, da RTP2, que irá para o ar já em 2018, e um dos episódios vai ser gravado na Escola Dr. Manuel Fernandes, com alunos de 9º ano.

Integrado nas comemorações será realizada uma Conferência do Liceu, projeto sobejamente conhecido pela sociedade abrantina, que trará desta vez, ainda no primeiro período letivo, um dos premiados no World Press Photo, que inclui exposição de fotografias do mesmo convidado e cujo nome será revelado posteriormente.

As novidades surgem com as apostas na área das artes performativas. Caso do Curso Básico de Música, que conta com “cerca de 130 alunos a estudar cerca de 10 a 11 instrumentos” e que chega ao 8º ano, bem como ao 4º ano com a experiência de iniciação ao Curso Básico de Música, com estudo de violino.

No âmbito dos cursos profissionais, e recordando o diretor que este tipo de ensino “nunca teve grande força aqui”, mas começou a ser “uma aposta que se tem mantido sempre com dois cursos”.

Continuará neste ano a apostar-se no Curso Profissional de Artes do Espetáculo na vertente da interpretação, e surgirá, um novo curso de Técnico de Soldadura, sendo a Escola a “única do Médio Tejo que vai oferecer este curso, que teve grande procura e que também nos orgulha de termos sido capazes de apostar e ter sucesso nesta área, que tem importância em Abrantes, basta pensar nas muitas empresas onde estes técnicos podem vir a trabalhar”, afirmou.

O diretor focou estas atividades para o ano letivo de 2017/2018, ano de cinquentenário, umas enquanto “coincidências felizes”, outras como “oportunidades que quisemos agarrar para tornar este ano um ano muito especial e que se vão juntar às iniciativas preparadas especialmente para as comemorações”.

Uma síntese da história do Liceu, segundo Mário Pissarra

“Já existia Escola Industrial na altura, e o ensino liceal, que dava acesso à universidade, existia já ao nível particular no Colégio de Fátima e aqui no Colégio La Salle, mas o liceu foi o primeiro acesso à maioria das pessoas, porque o ensino particular à época era sempre muito elitista e era preciso pagar”, entendendo Mário Pissarra que este é “o maior significado para a cidade e região”.

Começou por ser uma secção de Santarém e “não era autónomo”. Mas durante os 50 anos “as políticas educativas alteraram-se muito e esta escola, mesmo com nomes diferentes, não deixou de seguir o reflexo das políticas educativas dos vários governos”, referiu.

Outra “peculiaridade” levantada pelo docente foi o facto de não ter sido uma escola “feita de raiz”, sendo uma secção do distrito, o que fez com que não tivesse um edifício feito para escola, “começou no centro da cidade, no Edifício Carneiro, e só depois do 25 de abril é que veio para o antigo La Salle”.

Coexistiram na altura o ensino público com o privado, 8 turmas do liceu com alunos do Colégio La Salle, referiu Mário Pissarra, especificando que eram os alunos de 8º ano.

“O Liceu não veio ocupar o La Salle. Na altura, os frades tinham medo que o colégio fosse ocupado pelos retornados, e foi nesse sentido que pediu para nós virmos, e é isso que explica que, durante um ano, tenhamos coexistido com o colégio”, contou.

Vista aérea do antigo La Salle. Foto: http://lasalleabrantes.blogspot.pt/

A transição fez-se de forma positiva, notou o professor, integrante do Conselho Executivo naquela altura, “sem qualquer violência ou desagrado de parte a parte, a integração foi fácil e até, inclusivamente, o próprio colégio facilitou toda a transição, ainda que as negociações com o Ministério, na altura, eram duplas. Por um lado, os frades tinham todo o equipamento pedagógico que era fundamentalmente vindo de Espanha (…) e era com a sociedade proprietária, que era a Sociedade de Melhoramentos de Abrantes”.

“Aqui tínhamos um conjunto de professores, que dava as aulas, onde estava também o antigo reitor. Os frades arranjaram uma sala de professores e até as refeições facilitavam, e claro que os alunos do liceu se sentiam um pouco menosprezados. Quando cá vinha ouvia sempre muitas queixas deles, porque achavam que o liceu era lá em cima, eles estavam um pouco desterrados, embora tivessem melhores condições do ponto de vista exclusivamente material”, recordou. Lá em cima, no centro da cidade, “havia pavilhões pré-fabricados”.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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