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“Abraços de hoje”, por Vasco Damas

A minha crónica de hoje não foi escrita por mim. É um texto que reflete uma nova realidade a que nos habituámos a definir como “novo normal”, e que partilho pelos motivos justificados no final.

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“Pensei várias vezes se deveria ou não passar para palavras a angústia que tenho vivido nos últimos meses. Cheguei à conclusão que sim, mais que não seja para mostrar que passamos todos pelo mesmo.

Os tempos que estamos a viver não são fáceis, não são normais, não eram esperados e chegaram sem avisar. Todos mudámos a nossa forma de viver há mais ou menos um ano. As expectativas, até essa altura, eram cheias de esperança, cheias de certezas que se transformaram em incertezas e que nos têm assombrado nos últimos meses.

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A verdade é que há um ano acreditávamos que seriam só duas semanas, no máximo um mês e já lá vai quase um ano.

Neste ano aprendemos a viver em “cativeiro” (ou pelo menos tentámos), foi-nos incutido mais do que nunca a responsabilidade de viver em sociedade e de proteger os nossos estando longe deles. Também aprendemos a viver com saudade e a viver longe de quem nos faz feliz. Começámos a dar mais importância aos convívios com amigos, aos almoços/jantares de família, aos abraços apertados, aos beijinhos e a todas as demonstrações de carinho que nos foram retiradas.

Há um ano que somos alertados para o terror que se vive nos hospitais, o sofrimento constante dos profissionais de saúde e a falta de meios para salvar vidas.

Infelizmente neste último ano muitas famílias e amigos tiveram de ver partir alguém de quem não se conseguiram despedir. Pessoas que foram vítimas deste vírus e que partiram enquanto estavam sozinhos numa cama de hospital.

É duro pensar no que estamos a viver, preferia mil vezes ignorar tudo, fechar os olhos e viver na ilusão, mas, se o fizermos nunca o vamos ultrapassar.

Ficámos sem tudo o que pensávamos ser garantido. Liberdade, carinho e pessoas.Estamos todos esgotados do que estamos a ser obrigados a viver, queremos voltar aos bons velhos tempos que parecem ser tão distantes e tão difíceis de recuperar.

Neste momento o máximo que podemos fazer é respeitar todas as medidas de segurança, protegermo-nos de maneira a também proteger os outros. Só assim venceremos.

Por favor sejam responsáveis para que não fiquem mais abraços e beijinhos por entregar.”

Este texto foi escrito pela Carolina. Ela nasceu em 2005 e não teve oportunidade de conhecer o seu avô paterno que tinha “partido” em 2002. No inicio deste ano, viu “partir” o seu avô materno por causa deste maldito vírus e no final dessa semana ficou a saber que também ela estava infetada. Viver estes dias de incerteza, não é fácil para qualquer um de nós. Viver a incerteza dentro da incerteza com um turbilhão de sentimentos misturados, é particularmente duro para uma jovem que tem ainda a vida pela frente.

O seu testemunho demonstra uma sensibilidade que me emociona. É com orgulho que afirmo que a Carolina é a minha filha mais velha. Ela tem 15 anos, mas é “dona” de um coração que dá lições a muitos de nós. Não nos abraçamos desde o dia 23 de dezembro, mas este texto envolve-me com a força do abraço mais apertado. Daquele que certamente daremos, no momento em que voltarmos a estar juntos.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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