Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Quinta-feira, Setembro 23, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Abacaxi”, por Armando Fernandes

Pergunte o leitor qual é a diferença entre abacaxi e ananás. Segundo dizem as enciclopédias a diferença na origem é nula. As duas palavras significam o mesmo, a causa do baptizado ser diferente estará no facto de o fruto que Cristóvão Colombo trouxe pela primeira vez para a Europa inicialmente ter sido cultivado em diferentes regiões da América Latina: abacaxi no sul, ananás no Norte. Os «descobridores» verificaram que a planta já era cultivada pelos habitantes daquelas terras tropicais.

- Publicidade -

Os portugueses, os espanhóis e os holandeses disseminaram-no por toda a Europa. Os portugueses conseguiram elevá-lo à condição de emblema da Ilha de S. Miguel, denominando-o ananás o qual se aclimatou muito bem e se diferencia dos vindos de outras partes do Mundo pela sua doçura e menor acidez. O leitor faça o favor de fazer a comparação (são odiosas) deguste frutos da mesma idade, uns das Filipinas ou do Brasil., uns da «língua espanhola, outros em língua de Jorge Amado e João Guimarães Rosa, e os nados na ilha onde nasceu a bela e talentosa Natália Correia.

O facto de ter optado pelo termo Abacaxi a encimar a crónica prende-se com o facto de no cenário da política mundial ter surgido na América Central, mais concretamente no Panamá, uma curiosa e nefasta personagem cuja alcunha era a do General Abacaxi porque tinha o rosto recheado de picadas de bexiga (leiam Camilo) nome popular de una maleita – a varíola – que marcava rosto bonitos na essência e atenuava faces encardidas deixando-as parecidas com os abacaxis. Em Portugal as bexigas fizeram inúmeras vítimas ainda bem dentro do século XX, sendo as pústulas em gestação imagens difíceis de ver, especialmente nos rostos formosos.

- Publicidade -

Feita a explicação importa salientar que o abacaxi ou ananás é abundantemente utilizado culinariamente nos países produtores e mesmo nos restantes também porque, ao contrário de no passado, a produção é grande e a mobilidade embarateceram-no. Os nutricionistas elogiam-lhe as virtudes nas curas de emagrecimento e prevenção de diversas doenças.

É empregue na culinária seja a acompanhar assados de carne, enchidos (morcelas), recheios de aves e peixes brancos, ainda no naipe da confeitaria e pastelaria, além dos gelados e sorvetes. O seu sumo entra em várias composições de cocktails e vários licores. A época estival é propícia ao consumo de ananases e abacaxis. As leitoras façam o favor de darem azo à imaginação e não se esqueçam dos bolos recheados.

Capote Velho, Premium

O vinho é da região de Lisboa, consequência do esmagamento de uvas das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah e Alicante Bouchet, resultando num tinto denso, dele se desprendendo aromas intensos a fruta madura, polpuda e também silvestre. No palato revelou boa estrutura, harmonia e carácter com final feliz, prolongado.

Julgo ser adequado como coadjutor de comidas opulentas sejam de carnes, sejam de peixes gordos e ainda charcutaria, queijos de boa estirpe amanteigado e secos durante todo o ano, às refeições e fora delas.

É distribuído por Sotavinhos, Maiorga, Albergaria-a-Velha. Ano de colheita: 2017. Graduação; 13,3º.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome