Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sábado, Julho 24, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“A violação não é ficção”, por Helena Pinto

Voltou a polémica sobre o filme “O Último Tango em Paris”. Novas revelações do seu realizador Bernardo Bertolucci (proferidas em 2013, mas agora divulgadas) reacendem o debate sobre a famosa cena erótica que acabou por ser “a marca” do filme – a violação da jovem rapariga.

- Publicidade -

Maria Schneider já tinha dito em 2007, que se “tinha sentido violada”, mas as suas declarações não tiveram grande impacto… Perante as declarações do realizador a polémica assume maiores proporções e desencadeia reações. Podem um realizador e um ator decidir os contornos de uma cena e não dar conhecimento à outra parte envolvida? Aceita-se a justificação/confissão sobre o motivo: “queria a reação dela como rapariga e não como atriz?”

Mesmo passados 45 anos sobre a estreia do filme, estas declarações colocam o problema da relação que existe entre o realizador, por um lado, e o ator ou atriz por outro, evidenciando que não são tratados nem respeitados da mesma forma. Mesmo no mundo da ficção, no mundo de Hollywood , são muitos os exemplos desta desigualdade de género – do salário à dignidade.

- Publicidade -

Mas esta polémica não nos deve ser indiferente, nem ser “guardada na gaveta” dos artistas, do glamour, do mundo da ficção…

Na famosa cena, agora relembrada na comunicação social e nas redes sociais estão lá as palavras da jovem rapariga “não e não”. E sabemos, agora, que não se tratou de seguir o guião, ela não sabia o que lhe ia acontecer.

Não e Não, são as palavras a respeitar. A violação de mulheres e meninas é um problema mundial, mas existe ao nosso lado. É o poder dos homens na subjugação das mulheres, de todas as mulheres – atrizes, refugiadas, empregadas, estudantes, jovens e menos jovens, todas.

Como diz Joaquim Leitão, realizador, “nenhum filme merece que um ator sofra”, neste caso uma atriz… Eu diria, todos e todas temos um papel para acabar com o sofrimento de muitas mulheres… e, mesmo tardiamente é bom não esquecer Maria Schneider.

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here