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“A vergonha”, por Vasco Damas

Por vezes comentar “em cima” dos assuntos quando eles ainda estão demasiado quentes, leva-nos a cometer erros de interpretação que podem provocar análises e avaliações erradas e em última instância, juízos de valor injustos. Por causa disso, na semana passada resisti à tentação de escrever sobre o que nos foi dado conhecer em relação ao que se está a passar em Pedrogão.

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Uma semana depois, e numa altura em que o ruído é muito menor, sinto a tranquilidade necessária para partilhar o meu estado de alma.

Confesso que a minha revolta é hoje maior do que era há uma semana. Revolta provocada pelos factos que tivemos conhecimento mas também motivada pelo silêncio de quem tem responsabilidades neste país.

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Revolta igualmente provocada pela impotência de quem vê o vazio no olhar de quem tudo perdeu e como resultado de uma injustiça ainda maior do aquela que lhes levou tudo, perceber que já há segundas, terceiras e quartas habitações construídas em locais que anteriormente nem eram habitados e que a primeira habitação de quem realmente precisa, ainda esteja por construir.

Revolta ainda maior quando percebemos que a pulhice desta vergonha chega ao ponto de haver quem recebeu dinheiro sem nada ter para construir.

Mas no topo da minha revolta está a expressão facial de quem está por trás desta vergonha. Um misto de gozo e de prepotência de quem acha que está acima da lei porque a ocupação de determinados cargos permite tudo e esse sentimento de impunidade legitima que se faça tudo menos dar satisfações daquilo que se fez.

Corrijo o início do parágrafo anterior. No topo da minha revolta está perceber que neste país continua a não haver justiça, porque se ela existisse e funcionasse, não continuaríamos a ser agredidos com estas notícias que envergonham quem tem um mínimo de decência.

É tudo demasiado sórdido e esta sordidez ganha maior dimensão porque tudo isto é tão natural que começamos a conviver pacificamente com esta realidade. E não nos podemos contentar com a detenção de um funcionário da câmara que está por trás desta história porque este peão será certamente o menos culpado em toda esta vergonha. Não podemos exigir menos que saber toda a verdade e recuperar o rasto do dinheiro desaparecido. Por uma questão de reposição de justiça para com aqueles que perderam tudo e em honra de todos quantos perderam a vida nesta tragédia. E por último, não podemos permitir que haja complacência e temos que exigir que, neste caso, todos aqueles que estão “enterrados” até ao pescoço, sejam exemplarmente condenados. Por uma questão de honra e de resgate do país.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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