“A verdade da mentira”, por Vasco Damas

Foto: Lusa

Começo por dizer que não acredito nos números que são divulgados diariamente pela Direção Geral de Saúde. Não pretendo alimentar teorias da conspiração nem dar a entender que se está a camuflar a verdade de forma premeditada e, até acrescento que, se isso está a acontecer, o objetivo pode eventualmente estar relacionado com uma tentativa de contenção ou controlo de eventuais alarmes sociais, porque, quem estudou psicologia das massas, sabe que elas tendem a ser irracionais em cenários de incerteza como aquele que vivemos por estes dias.

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No entanto não me parece que seja isso que está a acontecer. Acredito mais no conjunto de outras razões para a falta de rigor nos números anunciados. O reduzido número de testes realizados numa fase inicial, as características assintomáticas de um largo número de portadores deste vírus ou algumas falhas no registo e comunicação de dados entre os vários atores neste processo.

Mesmo em relação ao número de mortes, partilho as minhas dúvidas, porque, apesar de oficialmente apenas no início de março ter sido registado o primeiro caso de Covid-19 em Portugal, é quase certo que houve portugueses que perderam a vida por este motivo no decorrer do mês de fevereiro. Sei também que os números oficiais nos “dizem” que morreram, números redondos, mais mil portugueses que a média de óbitos dos meses de março dos últimos anos o que nos pode fazer supor que, direta ou indiretamente, há responsabilidade do vírus em mortes que estão a ser registadas noutros motivos, provavelmente associados a morbilidades ou patologias que já existiam nestas pessoas que, infelizmente, acabaram por perder a vida.

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Mas uma coisa tenho de reconhecer. Ao contrário de outros países, o nosso Sistema Nacional de Saúde não colapsou, e esta é, na minha opinião, a variável que tem feito a diferença e que nos permite olhar para o futuro com o semblante menos carregado.

Desenganemo-nos no entanto se pensarmos que o pior já passou. O regresso à normalidade não tem ainda data anunciada e qualquer passo em falso pode atrasar ainda mais esse regresso.

O que vou observando em relação ao comportamento de muitos portugueses, deixa-me ainda com mais dúvidas em relação a esse regresso e reforça as minhas certezas em relação à falta de rigor dos números anunciados pela Direção Geral de Saúde, mas, seja como for, estamos hoje, felizmente, com um cenário muito mais favorável que as minhas previsões iniciais.

Partilho um “estado d’alma” como nota final em relação a este tema. Não entendo o ódio que se vai destilando nas redes sociais quando as opiniões são divergentes. Entendo ainda menos os aproveitamentos políticos que se tentam fazer num caso que devia estar acima de qualquer interesse que não seja a defesa intransigente da vida de cada um.

Há momentos em que há coisas mais importantes que ter razão. Principalmente quando se quer ter razão “à força”. E este é, definitivamente, um desses momentos.

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1 COMENTÁRIO

  1. Banalidades que não são fundadas em estatísticas oficiais mas na crença de os números estarem errados…e o SNS não ter colapsado é sinal para o ilustre escriba de uma variável que faz toda a diferença…título pomposo para chamar a atenção…enfim, é preciso ter lata porque do resto, o essencial, nem vê lo! Sejamos sérios, também é necessário, não será Vasco Damas e mediotejo!?

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