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Domingo, Julho 25, 2021

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“A tolerância de ponto que nos divide”, por Hália Santos

Funcionários públicos unidos, vamos lá fazer ponte no 13 de Maio!

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Desculpa, o que estás para aí a dizer?

Então, é um apelo à gazeta ao trabalho. É o chamado ‘oportunismo público’.

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De que falas? O que é isso?

Acabei de inventar a expressão. É o aproveitar de uma oportunidade que nos dão para beneficiarmos de uma coisa a que não temos direito: ‘oportunismo público’. Público porque é de muita gente.

Tens que reconhecer que o argumento do primeiro-ministro para dar tolerância de ponto no dia 12 de maio, véspera da vinda do Papa, faz sentido. Existe tradição de tolerância de ponto em situações idênticas e boa parte da população portuguesa é católica. António Costa nem sequer está a defender a sua própria crença, porque nem é crente.

Certo, mas tu achas que os funcionários públicos vão aproveitar a tolerância de ponto para ir a Fátima ou para fazer fim de semana prolongado?

Podem fazer o que bem entenderem! Não sendo crente, parece-me bem que os funcionários públicos católicos possam ir a Fátima usufruindo da tolerância de ponto.

Isto é como a história dos feriados. Pensa lá comigo… Faz sentido que os funcionários públicos que não são católicos, que têm outra religião ou que não têm religião alguma beneficiem desta tolerância de ponto quando até já beneficiam de feriados católicos?

Colocadas as coisas dessa forma, de facto não parece muito correto.

Pois… por outro lado, os católicos do setor privado, se quiserem ir, têm que usar um dia de férias. O primeiro-ministro, ao querer respeitar os crentes, acaba por criar uma situação de injustiça.

Há uma coisa que eu não percebo bem… tolerância significa que estão dispensados de trabalhar, independentemente do motivo da tolerância?

Parece que sim. Fui procurar informação e no sítio da Direção Geral da Administração da Justiça diz-se que “a tolerância de ponto traduz-se na isenção de comparência ao serviço concedida aos funcionários e agentes que, em determinado dia útil, estão vinculados ao dever de assiduidade”. E diz também que a tolerância não suspende as férias, depreendendo-se que quem pediu um dia de férias para 12 de maio vai perder esse dia.

A sério?!

Não sei. Sei lá! Sei é que só deveria usufruir da tolerância quem efetivamente vai a Fátima.

O problema é que não me parece que os funcionários públicos tenham a obrigatoriedade de avisar se vão usar desta “isenção de comparência”.

Por isso é que muitas escolas já estão a dizer que vão fechar. Imagina que, no próprio dia, percebem que não têm professores nem funcionários suficientes para os alunos que recebem! É o caos. Mais vale prevenir.

Só que, no caso das escolas, há vários problemas. Por um lado, os funcionários públicos que preferem ir trabalhar e que não poderão, por eventual encerramento do seu local de trabalho. Depois, trata-se de retirar um dia de aulas a um período que já é curtíssimo e que antecede exames nacionais. Finalmente, os pais dos alunos que não são funcionários públicos e que não têm onde os deixar têm um problema para resolver.

Os dois primeiros problemas são difíceis de resolver. Já o terceiro é fácil: os pais dos alunos metem um dia de férias! E dão tolerância de ponto a si próprios… Aproveitam e fazem a ponte do 13 de Maio. Assim, fica tudo resolvido.

Esperemos que esteja bom tempo!

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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1 COMENTÁRIO

  1. Que graça que isto tem. Por causa de uma tolerância de ponto que e dada não aos funcionários públicos, mas a pessoas com funções públicas e que não e bem tudo o mesmo mas e tudo enfiado no mesmo saco. Mais no carnaval ha muitos sectores privados que estão fechados ai ninguém reclama, mas para q se saiba as pessoas com funções públicas trabalham e se quiserem gozar o dia tem que por um dia de férias…. E muito fácil apontar o dedo…

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