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Sábado, Julho 24, 2021

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Trincanela

“A teoria da escada”, por Nelson de Carvalho

  1. As coisas hoje “são como são”. Aprofundar “como são” não interessa, importa estabelecer que “são como são” e tens de te conformar . Ponto.

O realismo, o pragmatismo, o utilitarismo, a concorrência, a competitividade, a eficiência e a eficácia, a produtividade, parecem impor-se como únicos horizontes na vida atual.

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Tudo parece instrumental: organizar meios para atingir fins. Ética, moral, valores comuns, pertença, partilha… são coisas mais ou menos fora de moda. De fato, o comum, o partilhado, a comunidade, as finalidades humanas parecem sucumbir diante do individualismo, o egoísmo e o egocentrismo, e realização pessoal e tudo parece ser instrumento para “subir na vida” – sobretudo “os outros”.

E parece valer tudo.

  1. Uma escada é um instrumento por onde se sobe. É feita de degraus e serve para ir de um lugar mais baixo para um lugar mais alto. Metáfora perfeita para o “subir na vida”.
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E como podes subir na vida? Constróis escadas e trepas.

O outro, os outros? São materiais de construção. Pões criteriosamente cada um no lugar dos degrau  e sobes por eles acima, pé de pescoço em pescoço, de ombro em ombro. Chegar mais acima, eventualmente ao topo e conseguiste.

É assim que genericamente a coisa funciona: Tu sobes, os outros são empurrados para baixo. Tu enriqueces os outros empobrecem. Tu ganhas milhões os outros é preciso baixar-lhes  os salários. Tu vives numa economia de luxo os outros na miséria de economia nenhuma.  Tu tens tudo os outros nada. Imoral? Inhumano? Não! É a vida! É o mérito!

E claro: não há moral nem vida nem mérito para lá disso: fazer dos outros a escada do teu “sucesso”.

Ter poder é usar os outros para subires …

  1. Parece, todavia, que uma outra teoria da escada é possível e começa a mostrar-se como estratégia de mudança. E a dar resultados. E a abrir caminhos.

Tu és a escada. Tu inspiras os outros. Tu organizas os outros para aprenderem a trepar por ti acima e contigo. Tu estás em baixo, és a pedra que funda. Suportas o peso, dás o impulso, inspiras a confiança necessária. Os outros sobem. Alguns caem mas ajudas a retomar a escada. Há marcas das quedas e nos teus ombros, mas aprendemos todos a subir. E tu sobes com as conquistas dos outros. E se os outros brilham o reflexo apanha-te e tu brilhas com o brilho dos outros. E se os outros brilham mais tu brilhas mais e todos brilham mais.

Chama-se a isto partilha. E partilha-se onde e com quem se pertence. Partilhar o saber, o conhecimento, a aprendizagem, os objetivos – e os resultados.

E emergem hoje, na gestão e – pasme-se – no interior da economia  práticas de partilha que se começam a impor. Gestão e economia de partilha. Bens de partilha.

Não? Exemplos? Olhe o Linux ou a Wikipédia? Quem fez? Uma comunidade de partilha na rede. Quanto paga para usar? Nada: esta disponível e partilhamos.

Na rede, sim. Em rede. Aprendemos a fazer escadas partilhadas e a fazer o caminho juntos …

Ter poder é agregar. Mobilizar, inspirar os outros … e partilhar o caminho.

Ex-presidente da Câmara Municipal de Abrantes e ex-presidente da Assembleia Municipal de Abrantes, é o atual presidente da direção do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA).
Escreve no mediotejo.net às sextas-feiras

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