“A segurança das crianças no uso da Internet”, por Vânia Grácio

Nos dias de hoje, quem não tem uma conta nas redes sociais e não partilha o que faz no dia-a-dia, é infoexcluído. Isto acontece com os adultos, que postam tudo e mais alguma coisa, mas acontece também com as crianças. Atualmente as crianças têm demasiados écrans na sua vida. Refiro-me a telemóveis, a tablets, computadores, consolas e afins.

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As crianças estão em contacto com estes aparelhos eletrónicos grande parte do seu dia e usam-nos para tudo. Quem não ouviu já um amigo comentar que o filho de dois anos mexe mais facilmente no seu telemóvel do que ele? Esta cultura de acesso aos meios audiovisuais e informáticos está a enraizar-se na nossa sociedade e cada vez mais as pessoas estão dependentes deles. Quem não conhece alguém que num jantar de amigos passa metade do tempo no facebook? É uma necessidade extrema das pessoas em fazer uso das novas tecnologias, em partilhar online aspetos da sua vida privada e em que expõem a sua privacidade e identidade para todo o mundo.

Dizem que as crianças replicam aquilo que veem os adultos fazer e é isso que está a acontecer. Que mal estamos a fazer às nossas crianças!? Os perigos da Internet são imensos e não bastam os filtros que se podem colocar nos computadores e a restrição a determinados sites ou conteúdos. Os miúdos de hoje são muito espertos e conseguem facilmente contornar estes acessos ou arranjar outra forma de aceder ao que pretende sem que os pais saibam. Fazê-lo às escondidas aumenta consideravelmente o risco no acesso à Internet. A tecnologia está hoje à “distância de um click” e coloca o mundo na palma da mão das crianças e jovens. Estas ferramentas são importantes no acesso a recursos no estudo, a fontes de informação mas também estão também cheias de perigos e ameaças, que, estando debaixo do nosso nariz, muitas vezes não os percebemos. Por esse motivo as novas tecnologias podem causar mais prejuízos do que benefícios.

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Então, nos dias de hoje, como é que os pais conseguem controlar um filho ou uma filha adolescente no acesso às redes sociais? A questão é complexa e proibir não resolve a questão. Convença-se que o melhor “software de proteção” é a supervisão que faz ao uso da Internet pelos seus filhos e o tipo de relação que estabelece com eles em relação a este assunto.

Converse com eles e explique os riscos. Conforme lhes ensinou desde cedo a não falar com estranhos, explique-lhe que online também não saberão quem está do outro lado e um adulto com más intenções pode fazer-se passar por um adolescente. Explique-lhe que não deve enviar fotos nem informações sobre a sua localização, as suas rotinas, a escola que frequenta ou sobre o local onde mora.

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Se um estranho lhe pede para enviar fotos nu(a) ou seminu(a), explique-lhe que não será uma situação normal. Diga-lhe que as fotos de perfil podem ser falsas, que a identificação também e que em caso de dúvida, ou se algum estranho meter conversa com ele(a), deve chamar um adulto (o pai ou a mãe por exemplo). Mantenha-se por perto e atento ao que os seus filhos veem e fazem na Internet e se assim entender peça ajuda a alguém ou comunique alguma situação que lhe pareça estranha às autoridades.

Existe ainda a possibilidade de cyberbullying, que consiste na utilização do espaço virtual para se gozar, intimidar ou hostilizar uma pessoa (colega de escola por exemplo), difamando e insultando o(a) outro(a). Tenha em atenção que uma vez na internet, para sempre na internet e a “pegada digital” que deixamos é mesmo para sempre. Por isso quando colocar hoje fotos dos seus filhos bebés/ crianças/ adolescentes nas redes sociais, esteja consciente que estas podem ser acedidas mais tarde pelos (as) colegas de escola e que poderão usá-las para os gozarem.

O papel dos pais é portanto fundamental para conseguirem ensinar e orientar os filhos sobre o equilíbrio entre o investimento na vida online e o investimento na vida social. Faça coisas giras com os seus filhos, saia com eles no fim-de-semana para um passeio ao jardim da localidade onde moram, façam uma caminhada, joguem à bola, andem de bicicleta, fiquem simplesmente sentados num banco de jardim a conversar, mas estejam juntos.

Ah, e não precisa de partilhar esses momentos no facebook. São momentos só vossos, por isso são especiais.

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Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos. Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos. Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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