Quinta-feira, Março 4, 2021
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“A pesca na Barquinha no século XIX e os ciganos do rio”, por Fernando Freire

“Ainda ecoa rio abaixo, a vozearia de velhos pescadores, a que o povo da Barquinha entendeu chamar cagaréus apesar de serem oriundos de Vieira de Leiria.” (1). Crónica dedicada a todos os pescadores, mormente a Rui Ferreira, morador na Rua dos Pescadores, Praia do Ribatejo, que perpetua a memória desta atividade ancestral.

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Um número elevado de pessoas da região da Barquinha, desde tempos de antanho, dedicava-se à pesca e à navegação. O tema de hoje é sobre a arte da pesca e incide, essencialmente, no período temporal do século XIX.

O rio era rico em vida, capturando-se sável, muge, barbo, lampreia, saboga, boga e enguias. Era deste negócio que muita da nossa gente vivia.

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Foto de José Alfredo Lopes e de Pérsio Basso para o cartaz do 26º festival do Mês do Sável e da Lampreia na Barquinha. Iniciativa que promove a cozinha típica e tradicional do concelho e que tem no peixe do rio a sua principal fonte de sabores.

As espécies predominantes na nossa região eram: 2

O Sável, que é um peixe migratório oriundo do mar. Era cotado por bom preço em todos os mercados. O sável tem tamanho regular e pode atingir 60 centímetros de comprimento, no máximo. Vem Tejo arriba e não só sobe como passa aos afluentes, caminhando até ás primeiras azenhas de antanho. Aqui transpunha o leito quando as águas alteiam a ponto de cobrir os açudes. Desova nos bancos de areia, e as fêmeas, depois da desova, morrem em grande número e ficam imobilizadas na margem. Nas primeiras águas do inverno os pequenos sáveis (savelhinhas) descem os cursos de água a fim de saírem para o mar, onde vão continuar o seu crescimento. O sável pesca-se com aparelhos de rede. É um peixe muito saboroso.

A Lampreia. Vem também do mar. Sobe o Tejo no início do ano para desovar. Tem o corpo roliço alongado, terminando em rabo com barbatana carnuda; duas barbatanas dorsais, começando a primeira no terço do lado do rabo; cabeça oblonga com sete buracos de cada lado, semelhantes aos orifícios de uma flauta. Também se verifica a morte das fêmeas depois da desova. A lampreia sustenta-se de vermes, moluscos e do sangue dos peixes que ela suga. Esta variedade pode atingir um metro de comprimento. Transpunha os açudes e outros obstáculos, dando saltos fora da água, ou passando por pequenas fendas, indo até grandes distâncias da foz. Desova nos leitos arenosos dos rios em fevereiro e março e a criação fica enterrada na areia e nos seixos, mas foge para o mar logo que as águas começam a aquecer. É muito apreciado por uns e odiado por outros.

A enguia é semelhante a uma cobra que vive em rios e mares apresentando uma cor esverdeada. A enguia tem a posição dos ouvidos por debaixo das barbatanas peitorais; as barbatanas dorsal e anal ligam com a da cauda, que termina em ponta. Este animal é muito voraz, sustenta-se de vermes, moluscos e da desova dos outros peixes, preferindo as águas salgadas às águas doces, tanto correntes como estagnadas. Enterram-se no lodo, até uma profundidade de 2 palmos, do princípio de novembro em diante, aí nascem os pequeninos seres, e em março e abril saem as criações. São muito fecundas, abrindo-se os ovos ainda dentro do ventre. Para esta pesca emprega-se uma grande variedade de aparelhos.

O Barbo. Este peixe é residente no rio. De corpo alongado e coberto de escamas, tem a cabeça comprimida e a boca sem dentes, mas munida de quatro filetes ou barbilhões, dois de cada lado. Chega a medir 35 centímetros de comprimento e a sua cor é amarela dourada. Desova em abril e maio. A sua alimentação principal compõe-se de limos, vermes e peixes pequenos. A época em que este peixe é mais saboroso é de outubro a maio. Pesca-se com as redes de estacada e de arrastar ou cerco, e raras vezes cai nos aparelhos de anzol.

A Boga. É um peixe pequeno residente no rio. É muito aproveitado na alimentação dos povos ribeirinhos, pela facilidade em ser apanhada. O seu corpo oblongo é coberto de escamas grandes elípticas e estriadas, e oferece uma cor azulada escura no dorso e clara para a barriga. A cabeça é pequena e adelgaçada, tendo o lábio superior mais avançado que o inferior, e os olhos são pequenos. As barbatanas são amareladas. Sustenta-se de insetos, vermes, etc. O máximo comprimento que a boga atinge é de 20 centímetros. Desova em maio e junho entre as ervas do fundo, e é muito fecunda. Pesca-se ao anzol e com aparelhos de rede.

A Saboga ou savelha. Tem corpo alargado e comprido. Apresenta uma coloração acinzentada no dorso e prateada no ventre. A mandíbula chega até ao bordo posterior do olho, que possui uma membrana adiposa. A barbatana dorsal é curta. O peso comum dos exemplares capturados é aproximadamente 1 Kg, variando o comprimento entre 35 cm e 45 cm, podendo atingir um peso máximo de 1,5 Kg e um comprimento de 60 cm.

A Tainha ou Fataça ou Mugem. Tem um corpo um pouco alongado e elegante, cor cinzenta no dorso, prateados nos lados e barriga, e com listas longitudinais mais ou menos escuras; a cabeça é coberta de escamas, os olhos são pequenos. Habitam as proximidades da terra, alimentando-se de plantas e matérias gordurosas que algumas vezes lhes dão um gosto pronunciado a lodo, desagradável ao paladar. Estes peixes saltam fora da água com extrema facilidade sendo até conhecidos pelo nome de peixes saltões. Raras vezes pegam no anzol.

No início do Século XVIII (Costa, 1706) refere que no “sítio que chamam de Praia (do Ribatejo), que fica entre a Igreja e a Vila, se faz todos os anos inumerável pescaria de sáveis com redes, que se chamam chinchas e assim é a terra abundante de peixe e de caça de coelhos e perdizes, e de todos os mais frutos pobre e estéril”. 3

Desenho e da litografia, de I. Salcedo e o editor A. Ronchi 1870 (?) – A caça e a pesca em almourol

Ora, havendo um rio abundante em peixe, as populações ribeirinhas viram-se para esta atividade como ato de comércio. É o sítio onde podem extrair alguma riqueza para o seu sustento e da sua família.

“Quase todos já de antiquíssimos tempos se tem empregado no serviço da pesca do que tiram muito maiores vantagens, do que na cultura de terras …”4 uma vez que os terrenos circundantes ao rio, pelo relevo e declive acentuado das propriedades rústicas eram “bastantemente áridas e estéreis, e em que somente muitos braços, muitos gados, e muitos estrumes poderão concorrer para que elas deem algum interesse ao lavrador” 4.

Ou seja, a caça e a pesca eram muito mais rentáveis que a agricultura pelo que a opção piscatória não será de surpreender devido à rentabilidade económica da faina em comparação com os produtos retirados da terra que no verbo do autor é pobre e infecunda.

Pescador – Foto de Maria Clara + Mapa de 1823

Em 1823, há uma grande quantidade de gente do mar e pescadores, a maioria da população, da Praia, Tancos, Barquinha e Moita do Norte, à data concelho da Atalaia.  Há, também, alguma gente a laborar no campo (singeleiros – lavradores).

A classe mais numerosa é, sem qualquer dúvida, a empregada na navegação para a capital, sendo o comércio a sua principal atividade. Os marítimos e os arrais tinham receitas generosas da vila fluvial, resultado dos atos de comércio de água abaixo e água acima. O mapa acima, é bem demostrativo das profissões e atividades presentes no nosso território.

Todo o negócio marítimo, certo que, de elevado risco, criava fortuna sem carecimento de mais investimento. Pululavam os negociantes estabelecidos com casa própria na vila da Barquinha, com casas confortáveis e fartas.

A atividade marítima era rigorosamente legislada, através de leis, portarias e regulamentos municipais. Em Vila Nova da Barquinha, a Postura Municipal de 1837, determinava: 5

Para os arrais ou mestres de embarcações marítimas:

“Todo o arrais de embarcação ou companheiro que a governe nos portos deste concelho da Barquinha, e que tiver prometido fazer viagem em tempo certo, e que tiver ajustado com os donos das fazendas, ou passageiros, e faltar sem motivo legítimo, os donos das fazendas as poderão tirar, e os passageiros mudarem de embarcação, pagando, além dos prejuízos que causar, uma multa de dois mil reis … as mesmas multas pagarão os donos das fazendas, e passageiros que faltarem aos arrais…;

Todo o arrais, ou companheiro de embarcação, que desencaminhar cargas, ou passageiros, justos a fazerem viajem com outros arrais em diversa embarcação, e motivar desordens por estes fins, pagará de multa … dois mil reis…;

Todo o companheiro de embarcação, que faltar no arrais com quem tiver justo alguma viagem, sem legítima causa de impedimento de doença, ou embaraço judicial, ou outro motivo atendível, pagará de multa, … dois mil reis, e o prejuízo que causar ao arrais; igual multa pagará o arrais, que no ajuste com o companheiro.

Para os pescadores:

Todos os pescadores deste concelho da Barquinha, ou fora dele, que pescarem nos rios deste concelho em rede que não seja de malha dezassete para cima para que não morra a criação; encontrando-se com rede mais estreita, pagará por cada vez de multa, … dois mil reis, e a rede será queimada.

Criação de obstáculos à navegação:

Toda a pessoa, que nas praias deste concelho junto ás povoações, ou portos, meter estacaria, ou marachas, ou barcos alagados cheios de pedra, que privem a livre navegação ou corrente das águas, que dirigem o Tejo para conservação dos mesmos portos, sendo justificado causar tais danos, pagará de multa … seis mil reis, além de serem destruídos tais tapumes à custa de quem causar tais embaraços.

Condução sem título bastante:

Toda a pessoa deste Concelho da Barquinha, ou fora dele, que pegar em embarcações maiores, ou menores, e as conduzir para outra parte fora do seu lugar, sem licença de seus donos, pagará de multa, … mil reis, além do prejuízo que causar.

Regras para atracagem, embarque e tempo de passagem:

Os barqueiros das barcas deste concelho da Barquinha, na passagem do Tejo, e Rio Zêzere, não farão embarque, nem desembarque algum, que hão seja pelo cais de pau das mesmas barcas, preso com as correntes de ferro, para evitar as desgraças que podem acontecer; aquele que praticar o contrário, pagará de multa, …dois mil reis, além do prejuízo que causar.

Os arrais, ou companheiros, que governam as barcas dos portos deste concelho da Barquinha, que forem arrematadas, serão obrigados a estar prontos para a passagem dos passageiros, e haveres, e nunca os poderão demorar contra a vontade dos mesmos passageiros, mais de um quarto de hora, quem praticar o contrario, pagará de muita, para…, por cada vez, mil reis.

1852 – Gravura, de Júlio Guerra. Barco de água-acima com carga em direção a Tancos, duas pequenas canoas, uma na arte da pesca outra presa à margem. Cinco homens a puxar uma corda. Ao fundo, o casario da Barquinha.

Os trabalhadores do campo dedicavam-se à agricultura (milho e arroz), à pastorícia, ovelhas, cabras, porcos, bois e perus, cultivo da oliveira e da vinha. A floresta era formada por castanheiros e pinhais. Era favorável ao pasto e oferecia a madeira e a lenha. Existiam, ainda, árvores de boas frutas.

Os locais de pesca dos nossos antepassados eram no rio Zêzere, e principalmente no Tejo.

Importa recordar que as massas de água eram significativas antes de existirem as barreiras de cimento criadas pelo homem. A barragem de Castelo de Bode foi inaugurada em 1951 e a barragem de Belver/Ortiga, inaugurada em 1952.

Outrossim, o avanço dos portos fluviais do Tejo progrediu durante o período filipino, durante o qual se estudou seriamente a possibilidade de tornar o Tejo navegável até Alcântara e até Toledo, (Espanha) recorrendo à construção de sirgadouros (caminhos paralelos ao rio para tração com vara e sirga ou corda), nos pontos críticos. Atualmente, ainda é visível no Tejo muitos sirgadouros, como por exemplo no concelho de Nisa, sirgadouro Fratel a Barca da Amieira, com uma extensão de 3 quilómetros.

Bateira no cachão (sítio onde a água corre com violência) do Cabril, com o auxílio de 3 homens que fazem a tração com vara e sirga (corda), a partir de sirgadouro. Fonte: Revista Tiro e Sport, n.º 427, 1909.

Toda a liberdade do rio permitia que as espécies migratórias (sável, lampreia, savelha) subissem a montante até centenas de quilómetros da foz.

“Há em todo ele muitas pescarias de sável de janeiro até ao S. João, fataça e mugem em todo o tempo, de cuja pescaria vive a maior parte dos moradores. Dentro deste termo se acham doze lagares de azeite, dois de seco, e dois de água, e sete moinhos de pão, em duas ribeiras que só quando chove muito são arrebatadas, e de Verão muitas vezes lhe falta a água, e tão bem quatro moinhos de vento.” numa referência à Praia do Ribatejo, pelo Prior Bernardo Marques de Carvalho, 1758.

Da Barquinha os pescadores deslocavam-se para jusante do rio onde chegava a maré, isto é, até perto da Valada do Ribatejo, sendo o local da pesca destes homens geralmente entre Vila Franca de Xira e Salvaterra de Magos, em busca de maior abundância de pescado.

Estas deslocações, no início da vinda dos pescadores migrantes, geraram frequentemente conflitos de interesses entre os pescadores residentes (nascidos na região) e os sazonais, bem visíveis em editais, como é exemplo o de 25 de janeiro de 1819 “… pedem, que sejam punidos os excessos, e violências praticadas pelos pescadores de Aveiro, e Ovar, a que vulgarmente chamam varinos, os quais indo pescar ao Tejo, usam de redes de arrastar com infração da Lei, que as proíbe.”

A pesca era feita em diferentes períodos conforme as espécies “pescam sáveis desde o Natal até ao Santo António”, ou seja, entre dezembro e junho, e mugens (fataça ou tainha) desde este tempo até ao S. Martinho, entre junho e novembro.

“A imensa quantidade de varinas, e de chinchas (pequenas redes de arrastar), e de outras redes desta ordem que desde o Alqueidão até a Barquinha se empregam na pesca dos sáveis no seu tempo competente, produz muitas vezes a escassez deste peixe no pego de Tancos (Almourol) e é esta uma das causas da emigração destes homens.” 4

Família aviera – Foto de Joaquim Garrido

Se os pescadores da Barquinha emigravam mais para jusante “… outros há, que se empregam na pescaria dos sáveis no lugar da Praia (do Ribatejo), com as tais chinchas, e como por tal emigração não terão suficientes braços, costumam anualmente vir de Ovar, e de suas imediações de 80 a 100 homens, que somente aqui permanecem aquele tempo necessário, e mesmo porque esta gente é mais apta, e está mais acostumada a tal serviço”. 4 Abalando das suas terras de origem, de Ovar, da Praia da Vieira –  onde o inverno é rigoroso e o mar agitado o que, seguramente, os inibia de exercer a sua atividade em pleno – procuraram no Tejo, rio com menor risco e pouco agitado, o seu sustento e sobrevivência. Vinham na época do inverno no tejo, entre a arte xávega da sardinha e a arte varina do sável, distribuindo os dias do ano entre o mar e o rio.

Iam e vinham, a pé ou de carroça. As estradas para a Barquinha, em meados do Séc. XIX, não seriam das melhores, mas já faziam parte da rede régia, Já havia estrada da Barquinha a Coimbra. Sobre este assunto, vide crónica em:  https://www.mediotejo.net/a-historia-da-barquinha-e-tambem-a-historia-das-estradas-reais-e-das-suas-pontes-com-o-passado-se-constroi-e-se-projeta-o-futuro-por-fernando-freire/

Casa palafita, em Praia do Ribatejo

Terminado o Inverno, regressavam às suas terras para se dedicarem à pesca no mar e à faina da sardinha. Vemos que há, assim, uma migração sazonal de pescadores. No ano de 1823 eram, do dizer do escritor, de 80 a 100 homens pescadores. Muitos destes não regressam à sua terra natal, ficam a habitar na borda de água vindo a ser designados avieiros, varinos ou a quem Alves Redol chamou os “ciganos do Tejo”. Numa primeira fase vivem nos próprios barcos, a bateira varada na margem ou em terra, e numa segunda fase residiam numa barraca frágil ou provisória, toldo de encerado, armado com varas de cana como uma tenda e aberto à frente. Mais tarde erguem as suas casas, criando as designadas aldeias piscatórias, todas elas assentadas sobre estacas ou palafitas, que se diz serem ímpares na Europa. Este movimento de vaivém sendo ao início apenas sazonal levou gradualmente à sua fixação ao longo das margens do Tejo, Praia do Ribatejo, Chamusca, Azinhaga, Porto da Courela, Tapada, Almeirim, Caneiras, Escaroupim, Patacão, Valada, Vila Franca, Alhandra, Póvoa de Santa Iria, etc.

No século XX passaram a ser residentes, os seus descendentes. Por outro lado, começam a dedicar-se a outras atividades. Por cá constituíam família e aqui aguardam pelo último dia.

Quadro a óleo – Torquato Pinheiro

Quis a coincidência da vida que o pintor Torquato Pinheiro (1850-1910) 6, general, falecido na Barquinha, tenha registado na tela no séc. XIX, num dos seus magníficos quadros, uma fração do quotidiano de uma família de pescadores varinos ou avieiros. Torquato Pinheiro foi um paisagista distinto, mas não é menos como retratista. Os seus quadros são tocados sempre de uma certa simplicidade, que nos enfeitiça.

O quadro é o único registo ou documento que existe dessa época tão recuada e que mostra, visualmente, a vida destes pescadores. Nele podemos vislumbrar a elevada sensibilidade do artista – os pormenores que até hoje só nos chegavam através de relatos orais – a épica família de pescadores que afinal sintetiza a vida de todas as famílias varinas ou avieiras: o barco atracado ao fundo; as redes a secar na praia; um covo (ou viveiro de peixe capturado) em construção e colocado em cima de um sombreiro de folhas secas; duas tendas na praia; um casal sentado na areia, trajados com as suas vestes tradicionais; a mulher e o homem concentrados a trabalhar, ela com um afazer doméstico e ele a reparar as redes.

Que retrato magnífico carregado de elevado valor humano e significativo valor cultural!

O grande escritor Raul Brandão, que tanto admirou e escreveu sobre os pescadores da costa ocidental, designou-os como “os mais pobres dos pobres”, dando assim a verdadeira dimensão humana do grandioso e heroico trabalho daqueles que diariamente enfrentavam o mar e que, quando este lhe era hostil, rumavam para o nosso Tejo.

Senhor do Navegantes (Igreja de St.º António na Barquinha) e Cédula de marítimo

Fainas laboriosas e de muita ambição, luta e comunhão com o rio, muitas vezes hostil com as recorrentes cheias, fazem parte do quotidiano da história da nossa Barquinha.

Não podemos olvidar a relação de fé dos marítimos com o Senhor dos Navegantes, escultura do séc. XVIII que estaria originalmente ao culto no Convento de Nossa Senhora do Loreto, localizado junto ao Castelo de Almourol, e que em 1874, veio para a Igreja de Santo António, e a quem, hodiernamente, pediam proteção.

Temos recordações de gente marítima, cagaréus, varinos ou avieiros, com as cestas cheias de peixe a palmilhar as ruas de pó ou as calçadas de pedra de Paio de Pele, Tancos e Barquinha.

À distância, e olhando com visão crítica e desapaixonada para a épica vida dos pescadores migrantes, depois agricultores, posteriormente trabalhadores de outros ofícios presentes na região da borda de água, numa Vila Nova da Barquinha debruçada e enamorada do rio Tejo, podemos afinal perceber que todos estes pescadores foram “os mais nobres entre os nobres”.

Fernando Freire é Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha e investigador da História Local

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