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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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“A palavra e a imagem”, por Aurélio Lopes

Longe vai o tempo em que as campanhas eleitorais inundavam o país de cartazes, pinturas murais e panfletos, propagadores das cores dos partidos, exibindo em grande plano os símbolos partidários e ostentando “palavras de ordem” que, se esperava, fossem mobilizadoras de vontades e opções eleitorais.

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Gradualmente as organizações partidárias foram cedendo à imagem: na qual as fotos dos candidatos ou líderes irão ganhando espaço e se tornarão indispensáveis.

Os partidos de esquerda (ciosos dos seus princípios doutrinários e de uma ideologia do coletivo) foram os últimos a ceder a esta ditadura da imagem.

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Entre nós, o PC tem personificado a resistência padrão.

Não só mantendo usualmente cartazes ou outros materiais de “agitação e propaganda” (como ousava dizer-se) não pictóricos, como escolhendo candidatos às diversas eleições, sem atender aos pressupostos mediáticos em presença.

Nas imagens que encarnam, nos discursos que utilizam, na natureza das mensagens, em opções estratégicas pouco populistas.

Sofrendo, com certeza, naturais consequências.

Nomeadamente em eleições presidenciais em que o elemento humano se superioriza claramente às valências programa ou ideologia.

Em que o resultado é, em grande parte, expressão da eficácia empática que o eleitorado estabelece com os candidatos.

Empatia maioritariamente feita de emoções e impressões: irracional, afinal.

Como se viu, claramente, nas últimas eleições.

Em que a imagem professoral e amigável de Marcelo Rebelo de Sousa resistiu a todas e mais algumas lógicas políticas, ideológicas e até partidárias.

Em que o caráter crispado (a fazer lembrar Cavaco) e o mais impressionante suicídio político de que me lembro, garantiram, a Maria de Belém, um resultado residual.

Em que apesar do défice populista, assente numa figura discreta e pouco mobilizadora, Sampaio da Nóvoa atingiu resultados significativos, mas que não conseguiram bicar o eleitorado marcelista.

Em que Marisa Matias na simbiose da mensagem e de um sorriso fácil e convicto, conseguiu o prodígio de fazer o pleno do eleitorado bloquista.

E finalmente, Edgar Silva, constituiu, mais uma vez, a escolha típica do PC. Em que as candidaturas constituem mais uma oportunidade para aproveitar o respetivo tempo de antena.

E, os candidatos, são uma espécie de porta-vozes, cíclicos e conjunturais, do partido.

O que, invariavelmente, lhes reserva resultados pouco significativos.

É uma opção…

Que pela não procura das coisas fáceis, não deixa (reconheço) de me ser simpática.

Mas cujos resultados dificilmente, alguma vez, serão significativamente diferentes.

Principalmente em eleições tão marcadas, como estas, pela mediatização da imagem.

E o simplismo da mensagem!

 

Investigador universitário na área da cultura tradicional, especialmente no que respeita à Antropologia do Simbólico e à problemática do Sagrado e suas representações festivas, tem-se debruçado especialmente sobre práticas tradicionais comunitárias culturais e cultuais, nomeadamente no que concerne à religiosidade popular e suas relações sincréticas com raízes ancestrais e influências mutacionais modernas. É Licenciado em Antropologia Social, Mestre em Sociologia da Educação e Doutorado em Antropologia Cultural pelo ISCSP da Universidade Técnica de Lisboa.

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