“A nossa humanidade”, por Vasco Damas

Nos momentos de crise e nas grandes catástrofes é possível observar o melhor da humanidade mas infelizmente também conseguimos vislumbrar o pior.

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Não precisamos fazer um grande esforço de memória para recordar a tragédia que se abateu em 2017 sobre Pedrogão. A generosidade que uniu a força e a vontade dos portugueses por uma causa que pretendia diminuir a tristeza de todos aqueles que ficaram sem a sua primeira habitação foi rapidamente apagada pelo oportunismo selvagem daqueles que se aproveitaram de forma criminosa da generosidade e do sofrimento alheios.

Com as devidas distâncias mas com o mesmo princípio na atitude, quando devíamos agradecer o rápido esforço de adaptação a uma nova realidade repleta de plataformas eletrónicas e de um conjunto de novas rotinas, aquilo que observamos é um gozo generalizado nas redes sociais devido aos erros naturais que se têm observado na nova telescola.

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Também em plena crise pandémica, há centenas de voluntários que contribuem desinteressadamente na retaguarda e por trás do seu anonimato com a sua dedicação e o seu esforço para que “meia-dúzia” de oportunistas se cheguem à frente para ficar, literalmente, bem na fotografia que se limita a mostrar que apenas fazem aquilo que têm de fazer e que oferecem em seu nome, aquilo que na maioria das vezes devia ser oferecido em nome de todos.

Estes três exemplos, que se repetem e projetam em dezenas, centenas ou milhares de outros exemplos semelhantes, simbolizam e sintetizam o melhor e o pior da humanidade e juntam-se àqueles que gostam de fazer ouvir a sua voz do cimo do pedestal de uma falsa superioridade moral e intelectual, aproveitando o momento para criticar aqueles que pretendem alertar para os riscos inerentes aos embustes próprios da nova normalidade que atravessamos, quando, paradoxalmente, os da falsa superioridade moral e intelectual têm um passado que lhes retira toda a legitimidade para o fazer.

Ao contrário daquilo que a maioria de nós pensa, a humanidade não se divide em branco e preto ou em certo e errado. Tem várias nuances e muitas derivações e, se hoje estamos do lado certo, amanhã corremos o risco de cair no lado errado porque, ao sermos humanos, por mais vontade que tenhamos, não conseguimos eliminar totalmente a inevitabilidade de, mais cedo ou mais tarde, cair no erro.

Talvez nos falte verticalidade e humildade para o admitir, mas como em tudo na vida, há uns a quem falta mais do que a outros.

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