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Sábado, Julho 24, 2021

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“A minha vizinha passou as “festas” no Hospital de Abrantes”, por Sérgio Ribeiro

A minha vizinha daquela casinha foi parar ao hospital com uma fortíssima cólica renal. A expressão “foi parar” tem todo o cabimento para quem, em Ourém, tem necessidade de recorrer a cuidados médicos que exijam urgência e, eventual e quase certamente, internamento hospitalar, por pouco tempo que seja.

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Há alguns anos (falo de poucas décadas, que nem 4 são) havia um hospital em Vila Nova de Ourém; depois, passou-se por um período de hospitais novos em Tomar e Torres Novas (e Abrantes) e de anunciadas complementares vias rápidas de acesso em criação (mas não criadas… atempada e/ou atempadamente); chegou-se, a seguir, à relativamente recente situação de desqualificação dos hospitais de Torres Novas e  Tomar e de tudo regionalmente, a norte do distrito, se centrar em Abrantes com os acessos como dantes – situação criada ou trazida por um surto viral de destruição de um Serviço Nacional de Saúde de que nos devíamos orgulhar.

Pois a minha vizinha teve de sair da sua casinha e foi parar a Abrantes. Com muitas dores e altas febres que, por lá, só têm aumentado. Entretanto, muitos há – e há muito – que defendem o “remendo” do Hospital de Leiria que, a meu ver, corresponderia a um emplastro suavizante na chaga infectada e purulenta criada ao Serviço Nacional de Saúde.

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A minha vizinha lá passou as “festas”, com altas febres, muitas dores e poucas visitas (as possíveis!, dada a distância e os custos, e outras circunstâncias que não vêm ao caso). Se ela, a minha vizinha, não fosse quem é, a minha vizinha, mas a Dona qualquer coisa, filha ou mãe ou tia d’algo, estaria numa clínica com garantia de que teria assegurada assistência de mais de 2 enfermeiras e um médico das urgências para três dezenas de internados (e bem sacrificados e diligentes serão elas e ele).

Mas foi por isto, e para isso, que se criou, em 1979, o Serviço Nacional de Saúde, com os votos do PS, PCP e UDP, e os votos contra do PSD e CDS na Assembleia da República. Para que a saúde fosse um direito para todos (incluindo as minhas vizinhas destas casinhas), e para que a doença deixasse de ser, e não voltasse a ser, um negócio para alguns.

Doutor em Economia e ex-membro do Comité Central do PCP, é membro da Assembleia Municipal de Ourém. Foi deputado à Assembleia da República em 1986 e de 1989 a 1990. Foi também consultor Chefe de Missão BIT/OIT em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, Director Geral do Emprego e deputado ao Parlamento Europeu desde 1990 a 1999, onde integrou várias Comissões do Parlamento Europeu e do Inter-Grupo do PE para as Questões de Timor-Leste.
Escreve mensalmente no mediotejo.net.

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