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À Mesa | Do tacho ao prato #1 – Harira, a sopa do Ramadão

Sejam bem vindos à minha cozinha virtual. Gosto de experimentar sabores e brincar com o palato. Não sou vegetariana nem sigo um estilo de vida vegano. Precisando de um rótulo, serei flexitariana, limito a ingestão de proteína animal a 3/4 vezes por semana – é um processo em constante evolução. Gosto de experimentar sabores e brincar com o palato. Não sou chef, sou “apenas” cozinheira e gosto de desafios. Aqui partilho convosco receitas, dicas e a minha paixão pelos tachos.

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O ano de 2021 parecia começar da melhor forma quando fui contactada para ir falar um bocadinho sobre o meu percurso de vida na RTP1. Mais agradável ficou quando disseram que eu iria cozinhar – foi ouro sobre azul! Ainda tive oportunidade de falar sobre a minha compota de pimento Sabores Improváveis premiada em 2017. Foi um dia em grande! Tenho a agradecer à BOROA por me ter indicado à produção do programa, à RTP, na pessoa da Tânia Ribas de Oliveira que me fez sentir em casa nas conversas informais ao longo de todo o programa e ainda ao mediotejo.net que me dá agora a hipótese de partilhar com uma audiência mais vasta o pouco que sei e o muito que aprendo com todos os que me têm ajudado no meu percurso.

Podem ver a versão resumida da minha participação no dia 11 de janeiro na RTP AQUI, no meu canal de YouTube, ou a versão mais longa do programa por inteiro na RTP Play.

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A receita
A Harira é uma sopa consumida especialmente no mês do Ramadão, que dura 60 dias e ocorre no nono mês do calendário muçulmano. Após o pôr do sol, o momento do desjejum, o aroma desta sopa nutritiva impregna tanto a casa como as imediações. É também costume oferecer às mulheres recém-casadas no dia seguinte à boda e habitualmente come-se com tâmaras e bolos de mel.

Como curiosidade, o equivalente turco é o “Çorba”, um ensopado que, além da proteína (animal ou ainda a vegetal, com as devidas adaptações), leva abóbora e canela, sendo mais leve na quantidade de aromáticas.

Preparação
– Refogar ligeiramente a cebola e o alho picado em azeite/água
[opção não vegan]- Adicionar a carne picada finamente à faca (mas não moída)
– Apurar 5 minutos
– Juntar o tomate picado, as lentilhas e o grão escorrido e lavados e cobrir com o caldo de legumes / água, deixando um pouco do caldo de parte
– Deixar levantar fervura
– Juntar os condimentos ao resto do caldo / água reservado
– Adicionar as aromáticas escolhidas picadas e os condimentos dissolvidos no caldo / na água ao preparado e deixar cozinhar em lume brando
[opção vegana]- Com proteína vegetal -seja seitan ou picado vegan-, adicionar ao mesmo tempo que os condimentos e deixar apurar 10 minutos

Sopa tradicional marroquina, Harira. Créditos: Paula Val

O tempo de confeção está relacionado com a proteína utilizada. Sendo confeccionada com proteína animal, esta deve ser adicionada logo após o refogado de cebola e o tempo de cozedura e apuro varia com o tipo de carne – de 15 (carnes brancas) a 30 minutos (carnes vermelhas).

Servir em prato largo polvilhada com um pouco de aromáticas frescas.

Sem proteína animal ou vegetal, é uma sopa para servir como primeiro prato da ementa. Adicionando carne ou substitutos vegan da carne, passa a ser considerada uma refeição completa – é a típica comida de conforto.

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Dica da semana

A utilização de alimentos já preparados, seja em lata ou em frascos, tem tendência a ser menosprezada. Tenho constatado isso em alguns programas de culinária (dos quais eu sou “A” fã) ou mesmo na elaboração das receitas em livros da especialidade (exceção feita ao Jamie Oliver). No entanto, embora sejam, na maioria dos casos, mais baratos os ingredientes secos ou frescos, ainda há alguns que não é possível obter de outra forma. A dica é tão simples como eliminar o gosto dos conservantes. Por exemplo, lavar as leguminosas em água corrente e fria, descartando o líquido (poderão guardar o do grão para a próxima receita). No caso de outros alimentos, uma ligeira secagem na frigideira para eliminar o excesso de água (caso dos cogumelos) pode resolver.

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Sintam-se à vontade para enviar as vossas versões das receitas para valcasadecomeres@gmail.com, que eu divulgarei na página do Facebook. Afinal… amor e carinho é mesmo para partilhar.

Comecei numa das primeiras rádios locais do País, nos idos anos ‘80, passei pelas (então) novas áreas da informática, a par dos estudos da faculdade, e dediquei duas décadas à banca de investimento, até a Troika decidir mudar-me a vida. Troquei a capital por Abrantes e os números pelas letras. Não gosto do acordo ortográfico, continuarei a usar os "P" e dos "C", mesmo que não se leiam. A par da gestão e produção de vários projetos do grupo editorial do mediotejo.net fui desenvolvendo uma receita de compota de pimento que foi premiada em 2017 pela Inov’Linea e dois anos depois abri um espaço de restauração no centro histórico de Abrantes onde sirvo diariamente refeições com dois ingredientes especiais: amor e carinho.

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