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À Mesa | Do peixe cru às algas desidratadas, o Sushi veio para ficar na região

Comida de eleição para muitos e iguaria que não convence outros tantos, o sushi é uma tendência que ganhou terreno na região durante o confinamento, respondendo à falta de oferta sentida pelos clientes, que fizeram disparar os pedidos de take-away. Desde a aposta em contratar sushiman’s às parcerias com restaurantes especializados em cozinha japonesa (e até ao surgimento de projetos pessoais movidos pela força da reinvenção em tempos de pandemia), o mediotejo.net foi conhecer três exemplos de empresários que apostaram no sushi com a convicção de que, mais do que uma moda, este é um hábito que veio para ficar.

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Do Sashimi ao Niguiri, do Hossomaki ao Temaki, do Uramaki ao Gunkamaki, acrescentando um toque de wasabi, gengibre ou simplesmente mergulhando num molho de soja, um  prato de peças de sushi é como uma mostra de pequenas obras de arte gastronómicas que, com as suas combinações geométricas de cores vivas estimulam as papilas gustativas de muitos. Como em tudo na vida, há quem adore e há quem deteste – e há ainda muitos curiosos na dúvida se devem arriscar ou não a iniciação na comida japonesa.

A verdade é o que o público para este tipo de cozinha existe e tem dado mostras disso durante este período de confinamento, através da corrida às marcações de reservas seja em regime take-away ou para entrega ao domicílio, fazendo inclusive esgotar os stocks daqueles que disponibilizam o produto na nossa região.

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“O sushi envolve sempre muita dúvida, nas pessoas mais velhas ainda há aquele estigma ligado ao peixe cru e tudo mais. Mas o nosso trabalho tem sido bastante valorizado e temos tido grande adesão, até de pessoas mais velhas”, conta-nos João Vitorino, do serviço Vushi. Este projeto, lançado em janeiro deste ano pelo jovem abrantino de 25 anos, foi um arregaçar das mangas depois de ter perdido o emprego no hotel onde trabalhava em Lisboa, em consequência da pandemia.

Formado em cozinha, conta hoje com o apoio da namorada, que também perdeu o emprego e é hoje responsável pela gestão das redes sociais do projeto e pela marcação das encomendas. Numa junção entre “o útil e o agradável”, somou-se a paixão pelo sushi que já vinha dos tempos em que os dois em Lisboa frequentam vários restaurantes de sushi. “Sempre foi uma comida que nos despertou muito interesse”, conta João.

Agarrou a possibilidade de fazer um estágio na área, onde despertou um pouco mais o gosto e aperfeiçoou a sua técnica. Tudo se estava a compor e, remando contra a corrente da pandemia, o jovem de 25 deu o passo em frente, dando a conhecer o projeto ao público através de uma página de Instagram.

“Tinha a noção de que na região de Abrantes não havia ainda muito negócio ligado ao sushi e decidi avançar com a ideia. Sou eu quem confeciona as peças todas”, explica. Em três meses de atividade a adesão tem sido significativa, com o nível de encomendas a levar semanalmente ao esgotamento do stock.

 

“Nós efetuamos a compra do peixe e depois, consoante os pedidos que recebemos, encerramos as agendas. Não consigo determinar quantos pedidos é que aceitamos por dia porque dependerá muito do pedido que cada cliente tem. Por exemplo, se houver uma encomenda de um grande volume, irá esgotar o stock mais rapidamente”, diz João Vitorino.

Para já a trabalhar a partir de casa, o próximo passo será arranjar um espaço próprio. “Estamos a tratar da questão de um dia poder vir a ter um espaço físico. Não arriscámos logo de início em ir para um espaço mas estamos a pensar fazê-lo. Vêm aí tempos muito difíceis, a pandemia arruinou muitos negócios, mas espero que continue a correr assim ou melhor ainda”.

Também durante a pandemia, coincidentemente em janeiro deste ano, o grupo By Trincanela viu uma oportunidade de negócio no sushi ao sentir a “necessidade por parte dos clientes do consumo deste tipo de comida que ainda era pouco usual na região”, conta-nos Francisco Pires, da By Trincanela, empresa com espaços de restauração, cafetaria, pastelaria e eventos nos concelhos de Abrantes, Entroncamento, Torres Novas e Castelo Branco. A esta falta, juntou-se “a vontade de trazer para a região do Médio Tejo de sushi de grande qualidade”.

“Já havia alguns players no mercado mas achámos que conseguíamos desenvolver uma proposta de valor e daí termos tentado procurar alguém já experiente nessa área. Provámos o produto deste nosso parceiro, da Sush’in, achámos que era o ideal para começar e tem corrido bastante bem”, admite.

Assim nasceu o Sush’in by Trincanela, uma parceria que tem dado frutos, com a adesão do público a chegar aos 50 pedidos por dia às sextas-feiras e sábados, os dias de maior afluência. “Tem sido bastante interessante, as pessoas dão bom feedback. E é curioso, mas tendo em conta se calhar também o público da Trincanela, temos mais adultos [na faixa dos 30 aos 50 anos] a pedir do que propriamente jovens. Também temos alguns pedidos de pessoas a querem experimentar, muitas vezes é a primeira experiência e temos recebido mensagens bastante elogiosas e que também nos fazem querer continuar”, diz Francisco Pires.

A aposta para o futuro é a de “tornar o sushi uma realidade ainda mais presente” na região. “Teremos no Bonito by Trincanela, no Parque Verde do Bonito no Entroncamento, um espaço dedicado ao sushi e aí vamos ter uma disponibilidade de dias e horários mais alargada, que permitirá satisfazer os desejos dos nossos clientes, caso pretendam sushi para o almoço, para o jantar ou no próprio momento”, anuncia Francisco Pires, que refere que o grupo espera ter o espaço físico e a confeção das peças a funcionar já no mês de junho.

Até lá, o serviço de sushi é disponibilizado através de take-away, com levantamento em Abrantes (no CB 53), no Entroncamento (no espaço localizado no Parque Verde do Bonito) e em Torres Novas (no espaço inserido no Retail Park). Existe também a opção de entrega ao domicílio nas respetivas zonas urbanas dos concelhos acima mencionados, mediante a cobrança de uma taxa.

“Aceitamos quase todos os pedidos de entrega, mesmo quando vão um bocadinho mais longe. O que nós dizemos na nossa comunicação é ‘pergunte-nos se chegamos até si’. Não chegamos a todo o lado ainda, mas esperemos chegar. As pessoas não deixam de fazer a encomenda, tentam a sua sorte”, conta Francisco Pires.

Mas se até agora falámos de propostas que deram o salto em tempo de pandemia, há outros que já cá estavam muito antes. É o caso do projeto AquaSushi, do espaço de restauração Aquapolis Cervejaria, em Abrantes.

A aposta foi feita em novembro de 2017, devido à curiosidade de Luís Mateus Neves, gerente do espaço, que desde cedo teve a ideia de “romper um bocadinho com as barreiras” do tradicional e “avançar para outras vertentes da restauração”. A aposta no sushi “já era uma ideia antiga” e “em Abrantes não havia, o mais perto na altura era em Santarém, com alguma qualidade”, relembra.

Com vontade de inovar, surgiu “a pessoa certa no sítio certo”: o chef Pedro, mais conhecido por sushiman Akito Marduk, que, duas vezes por semana, rumava a Abrantes desde Santarém para dar a provar ao público as suas especialidades e aconselhar os mais reticentes quanto às peças com que se deveriam iniciar no sushi.

“Todas as nossas peças são confecionadas na hora”, explana Luís Mateus Neves. “Nós só trabalhamos com produtos frescos. Ele compra em bruto, toda a preparação é feita pelo chef, que inicia logo de manhã a preparação do peixe, das frutas e do arroz”, conta, admitindo que até a própria cozinheira do restaurante já foi aprendendo algumas técnicas, dando uma mãozinha sobretudo no caso dos fritos, como as tempuras.

No caso do AquaSushi, o serviço funciona através de carta. Ou seja, cada cliente pode personalizar o seu pedido a gosto, embora haja alguns modelos definidos, como packs de 16, 30 e 50 peças. Luís Mateus Neves refere que esta possibilidade de personalizar o pedido “dificulta um bocadinho mais o trabalho, mas foi este o caminho que quisemos seguir e não trabalhar com boxes”. Deste modo, consegue-se também “disponibilizar algumas peças mais fáceis para quem se inicia” no sushi, sublinha.

Em tempos pré-covid, quando serviam presencialmente no restaurante duas vezes por semana, a própria experiência de sushi era facilitada pelo acompanhamento e conselhos do sushiman. Há quem nunca tenha experimentado e o facto de ele se deslocar à mesa criava outra dinâmica com os clientes”, explana Luís Mateus Neves.

Mas mesmo agora, apesar das limitações da pandemia – que esperam ultrapassar aos poucos a partir de 9 de abril, através do serviço de esplanada – a adesão do público não diminuiu, antes pelo contrário.

Sem limites de reservas em take-away e com uma média de 20 pedidos por dia, a procura por sushi “mantém mais ou menos o mesmo nível, com alguns clientes já fidelizados, mas tendo aparecido, de facto, alguns clientes novos e outros mesmo a iniciarem-se”, conta o gerente do Aquapolis Cervejaria.

Com um público maioritariamente entre os 20 e os 40 anos, Luís Mateus Neves acredita que o sushi “veio para ficar” e admite que a emergência de novos projetos ligados a este tipo de cozinha são sempre bem-vindos para a região. “Se forem apresentar produtos de qualidade, acho que sim, quantos mais melhor, porque vai alargar o leque de pessoas que têm acesso ao sushi e que podem vir a provar de vários sítios”, diz.

Quanto ao espaço que gere, a aposta nos próximos tempos, caso a pandemia o permita, será de avançar também para outros tipos de cozinha. “O indiano está nos nossos horizontes e gostaríamos de experimentar outras cozinhas do mundo, com apontamentos em dias específicos”, revela.

AquaSushi

Para já a funcionar em regime take-away, sem a modalidade de entregas ao domicílio, a especialidades do AquaSushi disponibilizam opções em carta (disponível nas redes sociais do Aquapolis Cervejaria) que vão dos 2,00€ aos 12,00€ e que estão disponíveis às sextas-feiras, através de encomenda pelo contacto telefónico 241 109 907.

Sush’in by Trincanela

Com a disponibilização do produto a funcionar sobretudo por boxes, cujo preço varia entre os 14,50€ e os 39,50€, desde a Box XL de 48 peças à box healthy ou até à box vegetariana, entre outras opções, o Sush’in by Trincanela está disponível às terças, sextas e sábados aos jantares, e também em alguns dias especiais. Os pedidos podem ser feitos até às 14h00 do próprio dia através das redes sociais do grupo By Trincanela, da loja online ou via telefónica, pelo 932 528 072.

Vushi

Com a oferta de menus que variam entre os 6,00€ e os 25,00€, numa variedade que vai desde o menu tradicional com 18 ou 36 peças, do menu Gunkan Lovers de 12 peças ou ao menu sashimi ou hot rolls, o Vushi funciona em regime take-away ou através de entrega ao domicílio na zona de Abrantes (com custo de 2,00€) entre as quartas e sábados, ao jantar. As encomendas podem ser realizadas pelo Instagram do Vushi ou pelo telefone 927 648 948.

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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