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Segunda-feira, Agosto 2, 2021

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À mesa com… Maria do Céu Albuquerque

É uma madrugadora, acordando sempre antes da sete da manhã. Metódica, é assim que tem tempo para as suas corridas matinais (e até para fazer pão), antes de iniciar mais um dia de trabalho na presidência da Câmara de Abrantes. Ao fim de semana as suas rotinas não diferem muito e, convidada a escolher uma hora para nos sentarmos à mesa para uma conversa mais descontraída, escolheu imediatamente um “brunch” – essa versão anglo-saxónica de um pequeno-almoço tardio e reforçado, mistura de “breakfast” e “lunch”.

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É sábado, são 11 da manhã e Maria do Céu Albuquerque abre a porta de sua casa, um último andar amplo e luminoso no centro de Abrantes, em calças de ganga e camisola de lã, na companhia do seu cão, um fox terrier igual ao de Tintim e que, como não podia deixar de ser, se chama também Milu.

Pela casa ecoa um disco de bossa nova e paira o cheiro de bolos no forno. Os scones estão quase prontos, diz, enquanto termina de ferver a água para o chá verde, explicando em seguida que a sua receita é mais saudável, “com farinha de espelta, pouco açúcar e sem manteiga”.

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Sobre a mesa da sala colocou já vários doces. Ao lado de uma taça com romãs descascadas alinha-se a marmelada feita por si, tal como o doce de framboesa e de amora e a manteiga de amendoim. O doce de tomate chegou ao ponto pela mão da sua mãe.

mesa

Quando pensa na sua infância, que sabores lhe vêm à memória?

As coisas que a minha avó fazia. Eu gosto muito de cozinhar e acho que herdei isso da minha avó e da minha mãe. A minha avó morreu ainda eu era pequena, tinha oito anos, e ela 82 anos. Era uma mulher fantástica, que eu admiro imenso. Tinha cinco filhas e na aldeia [Casais de Revelhos] fazia tudo: era a parteira, tratava da comida para os casamentos e batizados, tomava conta da igreja e benzia o cobrão.

Quando me fala da minha infância lembro-me logo do coelho com ervilhas que ela fazia na tigela de fogo, que era uma tigela com um fundo cónico que encaixava num suporte com três pernas e se colocava sobre o lume, e era ali que fazia o coelho, caseiro, com as ervilhas, caseiras, estufadas com as batatinhas. Mas também recordo o arroz doce branco, muito cremoso, que a minha mãe também faz seguindo a mesma receita, e eu tento fazer, embora com algumas adaptações… para ficar bem feito demora muito tempo e eu, por isso, faço-o no robot de cozinha.

Outra coisa que a minha avó fazia e nós continuamos a fazer é uma salada de batata nova com almeirão, em que a batata nova é cozida com a casca, depois é esmagada com a mão, tal como o ovo cozido. Depois o almeirão, que é uma espécie de alface com folhas mais duras, é migado como se fosse caldo verde e mistura-se ainda quente nas batatas, para amolecer um bocadinho. Depois junta-se cebola picadinha, azeite, vinagre… e fica delicioso. Para acompanhar peixe, por exemplo, é mesmo muito, muito bom.

Ao longo da minha infância e da minha juventude fui desenvolvendo o gosto pela cozinha até porque, como vivia na aldeia, e o meu pai era um bocadinho severo, deixava-me fazer poucas coisas que outras amigas minhas faziam.

Como por exemplo?

Como andar nos escuteiros, ou sair… Ele achava que eu tinha de aprender outras coisas, como costura. E ao fim de semana, como não saía, ficava a cozinhar. O meu pai comprava-me a revista TeleCulinária, também me deu o livro da Maria de Lourdes Modesto, que tenho desde adolescente, e eu ia experimentando…

Tornou-se numa boa cozinheira?

O meu marido costuma dizer que o conquistei pelo estômago (risos).

E a costura? Ainda faz alguma coisa ou só o entendia como uma obrigação?

Não, ainda gosto (aponta para um cesto pousado junto ao sofá). Agora estou a terminar uma camisola de lã e também faço algumas coisas de crochê. São os meus escapes. À noite, depois de um dia intenso de trabalho, poder fazer alguma coisa diferente, seja na cozinha seja um bocadinho de tricot, é algo que me sabe muito bem e me dá uma grande tranquilidade.

Quando cozinha, além do gosto pelo experimentalismo, junta-se o facto de gostar de receber. É diferente cozinhar para outros?

Sim, gosto muito desses momentos em família e com amigos. Estarmos todos à mesa é sempre uma partilha, um momento de celebração. Gosto muito de receber e, aliás, quando deixar de ser Presidente de Câmara vou querer ter uma coisa só minha, um turismo de habitação ou uma casa de chá, algo em que possa verdadeiramente desenvolver este meu gosto de receber.

Quando deixar de ser Presidente de Câmara vou querer ter uma coisa só minha, um turismo de habitação ou uma casa de chá, algo em que possa verdadeiramente desenvolver este meu gosto de receber.

Come muito fora, devido às suas funções, e como convidada nem sempre consegue ter escolha. Há alguma coisa que não coma?

Não como fritos, por exemplo, porque me faz mal. Só se não tiver outra hipótese ou se com isso causar algum constrangimento ou embaraço a quem me convida. Há uma coisa que não como mesmo, que é o queijo. Não gosto e não sou capaz. Só tolero o queijo fresco ou o tipo flamengo, com pouco sabor. Tal como não consigo beber leite. À noite, tento fazer refeições mais leves.

Procura fazer uma alimentação mais saudável?

Sim, porque tenho tendência para o colesterol alto e uma gastrite crónica. Tenho de me saber proteger.

A gastrite é – pode-se dizer assim – uma doença profissional?

Sim, devido ao muito stresse das minhas funções. Tive de aprender a proteger-me. Cortei o café, por exemplo. Não bebo um café há cinco anos. E passei a comer de três em três horas. Quem me conhece sabe que ando sempre com uma marmita atrás, onde levo uns frutos secos, umas peças de fruta, um iogurte… Se estou muitas horas sem comer fico aflita do estômago.

É uma questão de hábito e de método, certo? Vejo, até pela sua cozinha, que é uma pessoa muito organizada. Estamos a tomar o pequeno-almoço e já tem tudo pré-preparado para o jantar.

Sim, é preciso ser muito organizada. Primeiro porque a nós, mulheres, ainda se reserva muito do que é a vida doméstica. O meu marido colabora mas também tem uma atividade profissional muito exigente [é médico dentista], e tivemos duas filhas muito próximas, com dois anos de diferença, que careceram de um acompanhamento mais ativo até à muito pouco tempo. Quando eu fui para a Câmara, em 2006, elas eram ainda muito pequenas. A mais velha tinha dez anos e a mais pequena tinha oito. E mesmo antes, eu já fazia outro tipo de atividades que me consumiam algum tempo, além da minha atividade profissional: dava catequese, fazia parte dos corpos sociais de algumas associações, como o CRIA, fiz uma Pós-Graduação… e isso fez com que eu criasse rotinas muito disciplinadas. Senão não conseguia fazer tudo o que faço.

Vejo que tem um tablet ao lado do fogão. Também faz uso das novas tecnologias para se manter organizada?

Sim, faço toda a gestão da minha casa através de uma aplicação, o Evernote. A minha empregada vai consultando, o meu marido também. Está sempre disponível e atualizada para todos, com a nossa lista de compras, as ementas semanais, o meu livro de receitas… tenho aqui tudo [diz, apontando para o ecrã do telemóvel].

Também faz desporto todos os dias?

Sim, começo a trabalhar por volta das oito e meia ou nove horas e costumo ir caminhar ou correr às sete da manhã. Quando deixava para o final do dia, nunca conseguia. Há sempre alguma coisa que acontece e que nos faz ficar até mais tarde no gabinete. Ao fim de semana costumamos andar de bicicleta em família.

Começo a trabalhar por volta das oito e meia ou nove horas e costumo ir caminhar ou correr às sete da manhã. Quando deixava [o desporto] para o final do dia, nunca conseguia. Há sempre alguma coisa que acontece e que nos faz

ficar até mais tarde no gabinete.

Dizia que o seu marido colabora nas tarefas da casa. Quer dar um exemplo?

É ele que vai ao supermercado. Eu também vou, de vez em quando, mas essa é uma tarefa dele.

Calculo que isso também se deva ao facto de ser mais difícil para si fazer compras de forma rápida… deve estar sempre a ser abordada por munícipes.

Sim, é verdade. Muitos começam por me abordar com estranheza: “Ah, não sabia que também vinha ao supermercado!”. Mas é normal que aproveitem para me falar dos seus problemas, também acontece de manhã, quando vou a pé para a Câmara, vou falando com muitas pessoas pelo caminho. Às vezes tenho compromissos e tenho de me apressar um bocadinho, mas faz parte das minhas funções.

Agora com as suas filhas mais velhas – e com as duas a estudarem fora este ano, pela primeira vez -, ganhou mais tempo para si. Ficou feliz ou tem a sensação de ninho vazio?

Eu sou uma mãe muito galinha e, embora a minha maior realização seja ver a satisfação das minhas filhas por estarem a fazer aquilo que querem, há sempre a sensação de ninho vazio. Só não senti tanto porque nós mudámos de casa há um ano, quando a mais velha foi estudar [Ana está a cursar Medicina, no Porto], e como a outra casa era muito grande e esta é mais acolhedora, facilitou a transição. Agora em setembro saiu a mais nova [Margarida termina o 11º ano na escola de Artes António Arroio, em Lisboa, quer seguir Design de Moda, em Londres]. Aí foi mais difícil… eu e o meu marido vamos fazer 22 anos de casados dentro de um mês mas desde que a mais velha nasceu, há 19 anos, nunca estivemos separados das nossas filhas. Agora tentamos aprender a estarmos sozinhos como casal novamente, a criar novas rotinas. Hoje está tudo muito facilitado com as redes sociais, estamos muitas vezes aqui à noite a falar com uma em Lisboa e outra no Porto, conseguimos vê-las e ouvi-las, as distâncias ficam mais esbatidas. Quando eu fui estudar para Coimbra os meus pais nem sequer tinham telefone em casa.

Os seus pais continuam a morar em Casais de Revelhos?

Sim, e a tratar das hortas todos os dias. Não compro quase nada de fruta e legumes, ali temos de tudo. As romãs e as nozes que temos à mesa são de lá. Os diospiros, o vinho, o azeite. E até coisas que antigamente não se plantavam, como o chuchu, o alho francês, o manjericão ou a rúcula. Este ano já acabou a batata doce, por exemplo, e o meu pai já disse que para o ano vai plantar mais quantidade. É muito bom vê-lo aos 82 anos a programar as plantações do ano que vem.

Os produtos da nossa terra têm sempre um sabor especial. Como autarca, assumiu a promoção dos produtos locais e há vários exemplos de sucesso na região. O que pode ainda ser feito?

Sempre que recebo alguém de fora na Câmara, só comemos produtos da região. Agora pedimos para nos fazerem uma caixa bonita, com a marca Abrantes, para colocar no interior uma garrafa de vinho ou de azeite da região e poder oferecer a quem nos visita. E no final das cerimónias costumo fazer um “Abrantes de Honra”. No mês passado fizemo-lo na inauguração dos laboratórios de serviços partilhados no Tecnopólo, servindo o melhor vinho rosé do mundo, da Quinta do Casal da Coelheira, do Tramagal, e pedimos às Mouriscas que nos fizesse as passas fritas, que são características daqui e desta altura do ano.

Os nossos pequenos produtores estão a fazer coisas de grande qualidade, na área dos vinhos, dos azeites, dos enchidos, das compotas… apesar de não termos uma grande capacidade de produção, de facto estamos a acrescentar valor e os nossos produtos conseguem diferenciar-se. Já organizámos algumas missões ao Japão, que é um mercado potencial, de nicho gourmet, e a Quinta do Côro, por exemplo, já está a vender os seus figos e marmelada para aquele mercado. E foi uma iniciativa nossa, com a Tagus.

No Parque Tecnológicos fizemos, no centro de transferência de tecnologia alimentar, uma cozinha industrial que serve os pequenos produtores – aqueles que faziam em casa as suas tigeladas, compotas, etc, mas que depois, por imposição legal, não podiam vender. E agora podem-no fazer ali. Hoje já temos várias pessoas a fazer nesta cozinha a sua palha de Abrantes, por exemplo, que é ali certificada para depois ser comercializada. Esperamos que o quadro comunitário que aí vem possa também trazer mais oportunidades, não só para o setor primário como para a transformação, e também para a divulgação e comercialização destes produtos.

Os nossos pequenos produtores estão a fazer coisas de grande qualidade, na área dos vinhos, dos azeites, dos enchidos, das compotas… apesar de não termos uma grande capacidade de produção, de facto estamos a acrescentar valor e os nossos produtos conseguem diferenciar-se.

Está expectante com as oportunidades do novo quadro comunitário mas calculo que também com as do novo governo, que acaba de tomar posse. Aliás, falava-se também da hipótese de se juntar a este Executivo… essa possibilidade esteve em cima da mesa?

Não, nunca foi uma possibilidade. Muita gente me perguntava sobre isso mas não fazia sentido. Quando o António Costa me pediu o apoio, nomeadamente quando eu me candidatei à Federação [do Partido Socialista], o que lhe disse logo foi que contasse comigo porque acreditava no trabalho dele – e acredito muito nas suas capacidades para gerir o nosso país – mas que não queria um lugar. Gosto verdadeiramente do que estou a fazer, que é ser Presidente de Câmara, e comprometi-me com as pessoas que me candidataria por três vezes e é nessa senda que estou. Quero concluir este meu segundo mandato e, se assim as pessoas entenderem, fazer um terceiro para concluir este ciclo. Agora, tenho uma grande esperança de que este governo venha a fazer um bom trabalho, nomeadamente para o desenvolvimento do Interior do país. Abrantes não é Interior do país, porque estamos a 150 quilómetros de Lisboa, mas somos tratados como tal e por isso… aliás, hoje de manhã ligou-me o novo Secretário de Estado da Administração Local, que é um homem que eu admiro muito, que foi um excelente presidente de Câmara em Torres Vedras e que com certeza criará as melhores condições, todas as que estiverem ao seu alcance, para promover um desenvolvimento integrado do país e não, como infelizmente assistimos, ao desenvolvimento das áreas metropolitanas e ao definhamento dos concelhos mais pequenos.

Quando o António Costa me pediu apoio, o que lhe disse logo foi que contasse comigo porque acreditava no trabalho dele, mas que não queria um lugar. Gosto verdadeiramente do que estou a fazer, que é ser Presidente de Câmara

E isso passa também por não retirar mais serviços ao Interior. Como os tribunais, de que se voltou a debater no mês passado no Parlamento, por força de uma petição de que era a primeira subscritora, mas também da Saúde, da Educação… sem uma boa rede de serviços, como fixar as populações?

Sim, é preciso uma boa rede de serviços, garantir qualidade de vida e competitividade. Se nós queremos atrair e fixar mais empresas como é que conseguimos quando, por exemplo, para tratarem de um processo judicial têm de ir a Santarém? Então ficam logo em Santarém, não é? Assim criam-se mais desigualdades e nós, do ponto de vista da Justiça, o que temos vindo a reivindicar é que haja um desdobramento da grande instância de Cível e de Crime, a partir de Santarém e no Médio Tejo, para que este nosso território não fique preterido. Isto aconteceu em Faro e em Braga e é o que estamos a tentar que aconteça aqui. O que precisamos verdadeiramente é de ter condições para oferecer competitividade e qualidade de vida. E isso passa por ter boas acessibilidades – que temos mas têm de ser melhoradas, pois falta uma nova travessia no Tejo e falta um bom interface rodoviário e ferroviário, não só para potenciar o transporte de carga mas também o de passageiros; Passa por ter boas escolas, e não só ao nível das infraestruturas mas com bons projetos educativos, e por isso estamos a trabalhar num projeto supra-municipal para o combate ao abandono e insucesso escolar, tal como lutamos para manter o ensino superior em Abrantes, e inaugurámos recentemente o laboratório de serviços partilhados; Ou seja, se nós tivermos Saúde, Justiça, Educação e Acessibilidades temos condições de vida boas para oferecer aos nossos cidadãos e isso também nos torna mais atrativos para quem possa vir a fazer investimentos. Agora, não se consegue fazer tudo porque dependemos muito das medidas da administração central. Cabe-nos acompanhar, cabe-nos fazer lobby, no sentido positivo do termo, reforçando a informação para que quem decide… decida bem.

As suas expectativas são diferentes agora, com este novo governo, dada a sua proximidade política?

Sim, claramente. Sobretudo porque me revejo inteiramente no programa que foi apresentado e acredito que será melhor para o país. Depois porque confio que, tendo o atual primeiro-ministro sido um autarca, perceberá melhor o que está em causa e que isso terá consequência na forma como o governo olha para nós, autarcas, e para os nossos territórios, e nas condições que nos dará para trabalhar.

Podemos tentar fazer uma viagem ao futuro? Em termos pessoais, o que imagina estar a fazer daqui a cinco anos?

Daqui a cinco anos espero estar a terminar o último mandato na Câmara de Abrantes. Mesmo que a lei venha a mudar, não me candidatarei a um quarto mandato. É preciso tempo para deixar obra mas… se há coisa que aprendi desde que cheguei à Câmara é que não se resolvem coisas “de uma vez por todas”. É uma expressão que eu usava muito e deixei de utilizar. Se voltar a ser eleita, terminarei um ciclo de 12 anos como presidente e espero nessa altura ter já deixado um legado, no âmbito da regeneração urbana, no desenvolvimento económico e também da governação, nomeadamente da governação inteligente. Nessa altura terei 52 anos. Ainda serei uma mulher nova e quero fazer muitas coisas.

Como por exemplo?

Acabar o meu doutoramento. Quando regressei a Abrantes, em 1995, deixei de fazer investigação e acabei por não concluir. Hoje já não farei um doutoramento em Microbiologia, penso que farei algo relacionado com Políticas Públicas, Desenvolvimento Regional e Inovação.

E será nessa altura que pensa avançar com o seu negócio ou esse sonho fica para mais tarde?

Talvez nessa altura, sim. Para já sei apenas que gostava de ter um negócio meu, ainda não sei se será uma casa de chá, uma boa pastelaria ou um turismo de habitação. Mas terá de ser qualquer coisa que me permita fazer o que mais gosto, que é cozinhar, receber, estar com as pessoas.

E como é que imagina a sua vida quando chegar à idade dos seus pais? Continuará por Abrantes ou andará pelo mundo?

Não sei… a esse nível não consigo ainda visualizar. Não tenho planos fechados porque as minhas filhas ainda estão a iniciar as suas vidas e ainda há muitas situações em aberto, pouco definidas. A Ana vai ser médica mas não sabemos onde, vai precisar com certeza da ajuda da mãe, como eu precisei da minha, para conciliar a sua carreira com o desejo de ter uma família. A minha filha mais nova quer ir estudar para Londres e não sei se voltará… só posso esperar que o nosso país melhore e crie as condições para que os melhores queiram cá viver e trabalhar. Eu só me vejo, realmente, é a poder estar com as minhas filhas, a acompanhá-las o mais possível, onde quer que estejam. O meu projeto de vida é a família – a família esteve sempre no centro das minhas decisões. Depois encontrarei também, é claro, outras coisas interessantes para fazer e gostaria muito de ser uma idosa ativa e viajada. Já disse ao meu marido que se me comprasse uma autocaravana fazia de mim a mulher mais feliz (risos). Ele diz que sim, quando nos reformarmos.

A terminar, podemos fazer um brinde?

Sim, claro, vou buscar um vinho do Porto. Não podemos brindar com chá…!

E brinda a…?

Em primeiro lugar, pedindo saúde. E alguma paz, para podermos viver bem todos os dias. Mas depois, como Presidente de Câmara, não posso deixar de brindar pedindo para o nosso concelho as melhores venturas, e para todas as pessoas que o compõem. Saúde!

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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