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“A liberdade de Caravaggio”, por Massimo Esposito

CARAVAGGIO um nome incontornável da história da pintura.

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Passou em algumas salas de cinema um filme/documentário deste grande artista, “A Alma e o Sangue” que tocou alguns pontos da vida deste pintor italiano do 1500 numa vertente muito interessante. Primeiramente o sistema 8K que amplia e releva os pormenores das suas obras de uma maneira espectacular. Depois a intemporalidade das cenas que tanto podiam ser interpretadas no Séc.XVI como nos tempos modernos com uma continuidade impecável e que cortava a identificação temporal e a substituía num conceito abrangente.

Mas o ponto que mais me tocou, enquanto pintor italiano, foi a identificação do âmago deste pintor, dito ”Maldito”. O que lhe passava pela cabeça e como pintava. Era uma personagem do tempo. Vinha duma família desagregada. Procurou o seu bem-estar com o trabalho (maravilhoso) das suas mãos. Era humilde e vivia com a gente do povo, apesar de procurar fama e mordomias. Era rigoroso na pesquisa técnica e na personalização do SEU trabalho, pintava com um refinado estilo e delicadeza de formas. Mas era também irascível, violento, gostava do vinho, do jogo, de prostitutas… e matava os que se punham a frente dele.

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Cardeais, papas, e ricos empresários tanto o procuravam e defendiam para ter uma obra sua, como logo depois o corriam dos seus palácios pelo comportamento libertino e devasso, e a sua vida, curta de apenas 38 anos, foi de mudanças contínuas e perseguições até ao limite, até à morte, abandonado ferido numa praia.

Mas… qual a razão? LIBERDADE. Sim! Liberdade de expressão, liberdade de ver e fazer o que o coração e a mente artística  lhe conduziam a realizar. Ele morreu por causa do seu carácter e ações. Certo! Mas procurou a liberdade de se expressar como ninguém até ele o fez, uma pintura “quase” fotográfica, com cortes de luz que centenas de outros pintores tentaram de imitar mas só chegaram perto.

Ele empregou uma “máquina” percursora da máquina fotográfica, usou espelhos para transferir a luz do sol nos quartos onde trabalhava. Serviu-se de pessoas da rua para interpretar santos e anjos numa forma única; foi o primeiro a pintar um quadro de natureza morta representando só uma natureza morta; quando teve de pintar uma pessoa no leito de morte utilizou um cadáver para representar mais realisticamente as suas feições e cores.

Sempre a procurar a SUA liberdade mas como eterno inimigo, o seu feitio composto de génio e sangue a ferver. GRANDE CARAVAGGIO!

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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