PUB

“A Europa do Nosso Contentamento”, por Carlos Andrade 

Sempre, no início de cada Ano, havia um vasto conjunto de expectativas e de ansiedades, fundadas, que o Novo Ano seria melhor que o anterior. Não há razões para que este Novo Ano, o Ano de 2021, não seja também ele encarado como um Ano que tem tudo para ser melhor que o ano anterior. Assim sabendo, cada um de nós, fazer a conveniente gestão de expectativas já que esta pandemia irá acompanhar-nos com todo o seu rosário de limitações e, ainda, perigos. Muitos perigos.

PUB

O otimismo. A esperança. A capacidade de acreditar. Terão a mesma intensidade – têm que ter – neste início de Ano que tiveram em cada um dos outros anos das nossas vidas.

Mas. Há muitas vezes na vida um “Mas”. Mas o otimismo, a esperança e a capacidade de acreditar têm este Ano um diferente significado e um diferente aspeto nas nossas vidas pessoais e coletivas.

PUB

Esta pandemia voltou a recordar-nos que dependemos mais uns dos outros do que aquilo que talvez gostaríamos. Mas dependemos, muito, uns dos outros. E ainda bem.

Sem esta interdependência e numa pandemia que tanto nos afeta a todos, não encontraríamos respostas tão céleres, tão sólidas e tão sustentadas na ciência.

PUB

E é esta ciência que todos reconhecemos estar bem presente nas diversas propostas de vacinas contra a Covid-19 que começam, progressivamente, a chegar. A ser disponibilizadas. Vacinas que estarão sempre em evolução para acompanhar a mutações do vírus e, assim, preservarem a sua eficácia. E as nossas vidas.

As negociações em bloco realizadas pela Comissão Europeia para garantir largos milhões de vacinas à União Europeia é mais um expressivo sinal da imensa utilidade das Instituições Europeias na defesa de todos os Estados. Na democratização das melhores condições de vida que a Europa pode ter e tem conseguido ter ao longo das últimas décadas de aprofundamento do projeto europeu.

Quando olhamos para outras áreas geográficas tão diversas, percebemos a diferença que faz uma Europa participativa, alinhada nos grandes desafios que a história coloca às nossas vidas de cidadãos.

Apesar das diferenças de opinião. Das naturais diferenças entre Estados Europeus ou, ainda, das divergências dinâmicas entre os próprios órgãos da União Europeia, a coesão europeia ficou bem patente na estratégia de negociação da Europa com a grande, influente, preponderante indústria farmacêutica mundial.

Pequenos países como o nosso teriam, sozinhos, grandes dificuldades no acesso imediato à vacina contra a Covid-19. Um sinal claro da democraticidade das decisões europeias é o fato de todos os países grandes e todos os países pequenos, terem tido acesso imediato à vacina.  À luz dos mesmos critérios, dos mesmos recursos financeiros ou logísticos.

Se algum de nós tinha episódicas dúvidas ou perpétuas dúvidas sobre a valia do projeto Europeu, a pandemia veio rejuvenescer os ideais da Europa e na Europa.

Desta Europa que soube procurar resposta e encontrar formas de reduzirmos o perigo de contágio através de garantir o acesso à vacina. Acesso desde a primeira hora em que esta começou a estar disponível. Poucas vezes o Projeto Europeu deu uma resposta tão visível, tão compreensível e tão imediata às necessidades de todos os seus cidadãos.

Poucas vezes foi tão evidente e importância de uma Europa coesa para o cidadão comum, como qualquer um de nós.

Poucas vezes a Europa esteve tão próxima de todos, transversalmente, como agora.

É esta Europa que nós queremos. E hoje sabemos que é claramente possível. Uma Europa que reforça a sua importância e a sua legitimidade popular ao encontrar uma solução vital para todos os seus cidadãos.

É nesta linha que a Europa pode ser preponderante em qualquer contexto internacional. Porque pensa, primeiro, nos interesses do cidadão comum. Na Saúde. Na segurança dos seus cidadãos e na ciência como instrumento para a legitima segurança de todos.

É desta Europa que o Reino Unido terá saudades.

Boa Europa e Bom Ano para todos.

PUB
PUB
Carlos Andrade Costa
Carlos Andrade Costa é o actual presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Carlos Costa tem Licenciatura em Direito e os Cursos de Administração Hospitalar, de Auditor de Defesa Nacional e Pós-graduação em Gestão de Instituições sem Fins Lucrativos, entre outros, como o de Director dos Serviços de Planeamento, Programação Financeira e de Assuntos Bilaterais I, no Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Na Santa Casa de Misericórdia de Lisboa foi administrador delegado de todos os equipamentos de cariz hospitalar da instituição. Membro de Direção dos Hospitais das Forças Armadas, foi o único civil a gerir hospitais militares, Carlos Costa realizou ainda um estágio no âmbito da gestão hospitalar do serviço nacional de saúde Dinamarquês. É professor em Instituições Universitárias, em cursos de especialização pós graduada, em gestão de saúde.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).